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    Como a blockchain e os criptoativos podem redefinir o futuro da economia?
    Empiricus·27 de set., 18:00

    Como a blockchain e os criptoativos podem redefinir o futuro da economia?

    Na última quinta-feira (24) , participei de um encontro promovido pelo Market Makers , um dos maiores podcasts de finanças do Brasil, com patrocínio da Binance . O evento reuniu executivos da corretora e profissionais do mercado financeiro para discutir como os ativos digitais podem transformar os serviços que usamos para pagar, investir e movimentar dinheiro . A oportunidade foi ouvir quem acompanha essa transformação por dentro: profissionais que conversam com instituições e reguladores e trabalham na aproximação entre criptomoedas e o sistema financeiro.

    Os dois painéis trataram da convergência entre inteligência artificial e blockchain , e dos produtos que podem levar essa infraestrutura a um público maior. Saí de lá com uma ideia que dá o tom desta edição: blockchain caminha a passos largos para ser integrada ao sistema financeiro, trazendo eficiência e velocidade. A prova de que essa tecnologia “venceu” será quando ela for utilizada sem que as pessoas percebam que estão usando cripto .

    Por isso, hoje começamos pelos aprendizados do encontro: a experiência do usuário, a conexão com a IA, e os caminhos para transformar adoção em valor para a carteira . Depois, voltamos ao Bitcoin , cuja recuperação ganhou apoio dos compradores, mas ainda enfrenta a pressão do petróleo e dos juros. Você pode usar cripto sem precisar aprender sobre cripto?

    A experiência do usuário deve ser decisiva para levar os ativos digitais a um público maior. Ao longo dos dois painéis, a aproximação com bancos, gestoras e empresas apareceu como um caminho para essa expansão. Regras mais claras ajudam essas instituições a desenvolver produtos; serviços mais simples ajudam a colocá-los no cotidiano das pessoas.

    Essa foi uma das mensagens das conversas com os executivos da Binance: quem precisa transferir dinheiro ou fazer um investimento quer resolver um problema, sem necessariamente estudar a tecnologia por trás da operação. A adoção pode acontecer dentro de um aplicativo financeiro, sem exigir que o cliente escolha uma rede ou administre uma carteira digital por conta própria. Durante anos, entrar nesse mercado exigiu aprender sobre carteiras digitais, redes e taxas.

    A visão apresentada no encontro aponta para serviços que absorvem essa complexidade e entregam uma experiência mais simples , parecida com a dos aplicativos financeiros que já usamos. No fim, o que importa é resolver o problema de forma eficiente, segura e simples para o usuário, não como a tecnologia funciona por de trás, afinal, você sabe como funciona toda estrutura do PIX ou do seu próprio cartão de crédito? A inteligência artificial também vai precisar pagar contas O primeiro painel, “ A nova corrida tecnológica: como IA e blockchain estão redefinindo a economia ”, reuniu Pedro Kunzler , da área institucional da Binance, e Leonardo Dawadji , especialista em inteligência artificial aplicada ao mercado financeiro.

    A conversa mostrou como essas tecnologias podem se complementar na execução de serviços e na movimentação de dinheiro. Pedro destacou que pagamentos e outros serviços continuaram avançando mesmo nos últimos meses, períodos ruins para as cotações, evidenciando que o institucional não sumiu mesmo em meio a um cenário adverso. O interesse vai além da simples exposição via alocação direta.

    Leonardo trouxe o desafio da aplicação nas empresas: as ferramentas já executam tarefas relevantes, mas sua adoção exige organizar dados, definir limites e verificar os resultados. Uma conexão entre essas duas visões são os agentes de inteligência artificial , programas que recebem um objetivo e executam tarefas para alcançá-lo. Se um agente precisar contratar um servidor ou comprar dados, alguém terá que definir como ele pode pagar por isso.

    Moedas digitais e blockchain podem fazer parte dessa infraestrutura. Imagine um agente autorizado a contratar um serviço dentro de um orçamento definido. A operação poderia ser executada e registrada digitalmente, respeitando limites estabelecidos pelo responsável.

    É uma possibilidade de uso que aproxima automação e movimentação de dinheiro . Mas autonomia exige controle. As discussões destacaram parâmetros de autorização, supervisão humana e proteção dos dados .

    Quanto maior o impacto de uma decisão, mais importante se torna definir o que o sistema pode fazer e quem responde pelo resultado. Para o investidor, essa convergência merece acompanhamento. Ainda assim, associar um projeto à inteligência artificial é apenas o começo da análise: precisamos saber se existe um serviço útil, quem paga por ele e qual o papel do token nessa operação.

    Uma tecnologia útil precisa virar valor para o investidor O segundo painel, “ Capitalizando a próxima onda da inovação ”, aproximou a discussão da nossa vida financeira. Participaram Thiago Sarandy , diretor-geral da Binance no Brasil, e Arturito Faria Lima , influenciador de finanças com experiência em análise de ações. A pergunta central era como essa infraestrutura pode chegar aos produtos e, finalmente, à carteira do investidor .

    Sarandy destacou o potencial de mercados que funcionam continuamente e permitem transferências globais. As stablecoins ajudam a entender esse caminho: são moedas digitais que procuram acompanhar o valor de uma referência, como o dólar, e podem ser usadas para transferir recursos entre países. Para o usuário, a vantagem potencial está no custo e na velocidade da operação .

    Outro caminho é a tokenização : a representação digital de um ativo ou direito, como uma participação em um fundo. Em determinados modelos, isso permite usar redes blockchain para registrar e transferir esses investimentos, aproximando produtos tradicionais de uma infraestrutura que funciona continuamente. Sarandy também mencionou planos de ampliar a oferta de produtos ligados ao CDI.

    É um exemplo de como empresas conhecidas pela negociação de criptomoedas procuram atender outras necessidades financeiras. O potencial é relevante. Sua concretização depende das regras, da segurança e da capacidade de entregar uma experiência melhor.

    Para acompanhar essa transformação, vale observar quais soluções conquistam usuários e resolvem problemas reais. Uma pergunta da plateia levou essa discussão para o retorno do investimento: se uma blockchain for cada vez mais utilizada, seu token necessariamente precisa subir? A resposta é não.

    Uma rede pode ganhar usuários sem que seu token se valorize na mesma proporção. Ao investir em um token , você não se torna automaticamente sócio de todas as empresas que utilizam aquela tecnologia. A expansão de um serviço pode beneficiar seus usuários e operadores sem criar uma demanda equivalente pelo ativo negociado em bolsa ou corretora.

    Por isso, a análise precisa ir além do tamanho do mercado. O uso do serviço exige comprar ou manter o token? A oferta pode aumentar rapidamente?

    O crescimento da atividade cria algum benefício econômico para quem detém o ativo? Essas respostas variam de um projeto para outro. Uma boa história sobre pagamentos, tokenização ou IA pode abrir a investigação, mas não encerra a decisão de investimento.

    Arturito Faria Lima trouxe uma questão complementar ao painel: qual função cada posição cumpre na carteira? Uma exposição voltada à proteção cambial tem um objetivo diferente de uma aposta em crescimento. O tamanho da posição e a tolerância às oscilações precisam acompanhar essa diferença.

    Quanto mais fácil fica comprar um ativo, mais importante se torna saber por que comprá-lo. É esse cuidado que permite participar da transformação sem tratar todos os projetos como vencedores antecipados. O Bitcoin ganhou compradores; a alta precisa preservá-los Apesar de muito positivos, os insights trazidos no evento apontam para uma transformação que deve se materializar ao longo de um horizonte mais longo — e que, justamente por isso, reforça nossa convicção estrutural no setor.

    No curto prazo, porém, seguimos acompanhando o mercado de perto e gerindo o risco de forma ativa, buscando capturar as oportunidades sem perder de vista as oscilações do ciclo. Ao longo desta semana, observamos um movimento de alta do Bitcoin que deu continuidade à recuperação discutida na edição anterior. Na última segunda-feira (21), o BTC avançou 6,7% entre fechamentos e superou os US$ 86 mil .

    O alívio inicial do petróleo ajudou a criar um ambiente mais favorável aos investimentos de risco. Dentro do mercado cripto, a alta ganhou velocidade com o encerramento forçado de apostas na queda, conforme citado na edição anterior: investidores que operavam posições vendidas alavancadas foram obrigados a recomprar o Bitcoin à medida que o preço subia, reforçando o movimento. Essas recompras, porém, têm duração limitada.

    Depois desse impulso inicial, a continuidade da recuperação depende de compradores dispostos a absorver as vendas. É por isso que o comportamento dos ETFs, fundos negociados em bolsa que compram e mantêm BTC, ganhou importância nesta semana. Entre segunda e quinta-feira, os ETFs americanos à vista receberam US$ 2,25 bilhões líquidos , com entradas em todos os quatro pregões — inclusive na quarta-feira, quando o preço recuou.

    Esse fluxo mostra que a demanda foi além das compras forçadas e ajuda a sustentar a recuperação. A Strategy também anunciou, na segunda-feira, a aquisição de 950 BTC. As compras ocorreram entre 14 e 20 de setembro: reforçam a presença de demanda corporativa , mas não representam ordens executadas no dia do anúncio.

    O ambiente econômico continua exigente, o alívio do petróleo no começo da semana ajudou os ativos de risco, mas a pressão voltou na quarta-feira. Energia mais cara dificulta a queda da inflação, enquanto juros elevados encarecem o financiamento dos investimentos. O crédito ainda disponível funciona como um amortecedor.

    Isso ajuda a explicar por que mantemos uma visão construtiva para o Bitcoin, apesar desses obstáculos. A combinação que nos faria rever essa leitura seria a perda de compradores acompanhada de enfraquecimento do preço e piora das condições de financiamento. Depois de superar as referências acompanhadas na semana anterior, o BTC passou a testar uma base entre US$ 84 mil e US$ 85 mil.

    A permanência de compradores nessa região daria mais consistência à recuperação; ela ainda precisa se firmar. Amarrando as pontas O cenário macro manteve suas principais características nesta semana. Petróleo e juros de longo prazo continuam exigindo atenção, mas o crédito segue fluindo e a economia permanece robusta.

    Enquanto essa combinação se mantiver, seguimos com expectativas positivas para o mercado cripto no médio prazo e enxergamos sustentação para a continuidade da alta. Nossos indicadores de momentum, que acompanham a força e a direção da tendência, também seguem no verde. Diante disso, continuamos acreditando que este é um momento favorável para investir em cripto, inclusive com exposição seletiva a altcoins — os demais criptoativos além do Bitcoin — que estejam apresentando desempenho superior ao próprio BTC.

    A seleção faz diferença: a recuperação não beneficia todos os ativos da mesma forma. Buscamos aqueles que demonstram maior força e ajustamos a exposição quando os sinais mudam . É essa disciplina que permite aproveitar as oportunidades e reagir quando o mercado perde sustentação.

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