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    Como a inteligência artificial já impacta o mercado de trabalho no país. E o emprego dos mais jovens
    InvestNews·23 de set., 09:00

    Como a inteligência artificial já impacta o mercado de trabalho no país. E o emprego dos mais jovens

    A inteligência artificial já redesenha o mercado de trabalho mundo afora. Não ainda como um apocalipse de empregos, como muitos temem, mas uma transformação pelas bordas: para onde quer que se olhe, são os jovens , recém-chegados à vida profissional, aqueles que mais sentem as mudanças em número de vagas e renda. E a forma e a intensidade disso variam conforme o mapa-múndi.

    Nações desenvolvidas têm mais empregos de escritório, mais expostos à automação com IA. Por isso, países como França, Estados Unidos e Reino Unido já enxergam com mais nitidez os primeiros efeitos da tecnologia sobre o emprego. Já países emergentes, mais dependentes de trabalhos manuais e marcados pela informalidade, tendem a ser menos suscetíveis à automação – e seus efeitos são mais difíceis de captar nos dados.

    O Brasil fica em algum lugar no meio desse caminho.   Por outro, o Brasil ainda tem um mercado de trabalho bastante informal e com um peso grande de ocupações manuais. Os estudos sobre o efeito da IA no mercado de trabalho brasileiro ainda são poucos e trabalham com os primeiros sinais de um fenômeno ainda muito recente.

    Ainda assim, os resultados já permitem traçar um primeiro retrato de quem está sendo afetado, em quais empregos e de que maneira.   Leia também The Wall Street Journal Quer ter sucesso em um mundo de IA?   Para isso, cruzou dados da PNAD Contínua, principal pesquisa do IBGE sobre emprego e renda, entre o fim de 2022 e o segundo trimestre de 2025.

    Ele identificou o seguinte: nas profissões mais expostas à IA, jovens de 18 a 29 anos têm hoje 4,8% menos chances de estar trabalhando do que teriam num mundo pré-IA. E, quando empregados, ganham 7% menos do que ganhariam anteriormente. O mesmo não acontece com trabalhadores mais experientes: entre pessoas de 30 e 59 anos, o estudo não encontrou mudanças significativas no emprego ou na renda.

    “Não se trata de uma grande crise do mercado de trabalho com demissões em alta. O que vemos é uma redução nas contratações em atividades que até então eram muito aquecidas”, diz Duque. Outras pesquisas apontam na mesma direção.

      Tem a ver, claro, com o tipo de tarefa que cada faixa etária costuma desempenhar.   A experiência e o poder de decisão, por outro lado, são mais difíceis de substituir. Aqui e em qualquer lugar.

    Tanto que este é um fenômeno internacional. Um estudo de pesquisadores de Stanford e do King’s College London acompanhou empresas em 41 países, inclusive o Brasil, entre janeiro de 2021 e março de 2026. E notou que, nas companhias que já adotaram IA, o número total de vagas cresceu – mas esse avanço ficou concentrado no topo da hierarquia.

    Em cinco anos, o número de funcionários seniores aumentou 6,7%, enquanto o de juniores caiu 3%. A rota da informalidade O efeito sobre os jovens atravessa fronteiras, mas não da mesma forma. No Brasil, a alta informalidade pode ajudar a explicar por que a IA parece pesar mais nos salários do que no número de pessoas trabalhando.

    É o que aparece no trabalho da USP: entre os jovens mais expostos à IA, os pesquisadores encontraram uma queda de 1,5 ponto percentual na chance de ter um emprego formal. Ou seja: esses jovens não necessariamente deixaram de trabalhar, mas passaram a ter menos espaço em empregos com carteira assinada. Nos países ricos, essa migração tem menos peso porque o mercado de trabalho já é muito mais formalizado: só 8% dos trabalhadores estão na informalidade, contra 37% no Brasil.

    Quais empregos estão mais expostos? Programadores, analistas financeiros, contadores, profissionais de atendimento ao cliente, assistentes administrativos e secretários são algumas das profissões que aparecem com frequência nos estudos sobre o tema. O ponto em comum entre elas: boa parte das tarefas pode ser feita digitalmente e envolve linguagem, dados ou informação.

    Escrever textos, organizar informações, analisar documentos, produzir códigos ou responder a perguntas. No outro extremo ficam os trabalhos que dependem do mundo físico. Pedreiros, trabalhadores da limpeza, cozinheiros e outros profissionais manuais.

    “Uma das grandes novidades dessa transformação é que, até então, as tecnologias afetavam principalmente os trabalhadores de menor qualificação”, diz Duque. ” A adoção ainda está no começo Um levantamento do Goldman Sachs estima que entre 15% e 20% das empresas nas principais economias desenvolvidas já adotam IA. Nos grandes mercados emergentes, a proporção fica entre 10% e 15%.

      As primeiras aplicações, porém, começam a aparecer em tarefas desse perfil: atendimento ao cliente, análise de informações e rotinas administrativas. No setor financeiro, o Banco BV, por exemplo, vem testando IA para cobrar clientes que estão nos primeiros dias de atraso no pagamento. Antes, o banco encaminhava esses casos para assessorias terceirizadas, que faziam a cobrança principalmente por telefone.

    Hoje, um sistema de IA conversa diretamente com clientes inadimplentes, negocia as condições de pagamento e conduz 85% dessas cobranças sem intervenção humana. “Hoje a gente já começa a ver uma performance da IA superando a cobrança tradicional”, afirma Flaviana Sallowicz, superintendente de cobrança do banco BV. Segundo ela, além de custar menos, o sistema já consegue uma conversão maior de pagamentos do que o atendimento tradicional.

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