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    Como as redes sociais ajudaram Lula a virar as eleições em 2026
    Olhar Digital·30 de out., 19:37

    Como as redes sociais ajudaram Lula a virar as eleições em 2026

    Uma virada inédita marcou as eleições presidenciais no Brasil em 2026. Pela primeira vez na história democrática recente do país, um candidato derrotado no primeiro turno conseguiu reverter o resultado na etapa decisiva. A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reflete uma mudança nas estratégias de comunicação digital , que passaram a priorizar a mobilização de eleitores.

    No primeiro turno, Flávio Bolsonaro (PL) liderou com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula – uma diferença de apenas 1,87 ponto percentual.   Mas como a campanha de Lula conseguiu transformar o cenário em apenas 21 dias? Lula, que ficou em segundo lugar no primeiro turno das eleições presidenciais em 2026, venceu o pleito, marcando a primeira vez na história que isso acontece.

    – Foto oficial da candidatura registrada no TSE Em Brasília, o PT estruturou uma sala de situação coordenada pelo secretário de Organização do partido, Laércio Ribeiro de Oliveira. O senador Camilo Santana assumiu a coordenação política, o senador eleito Rui Costa ficou responsável pela agenda e o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, pela comunicação. Conforme relatado ao G1, a equipe analisou dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para identificar diferenças regionais no comportamento do eleitorado.

    A partir desse levantamento, definiu onde intensificar críticas ao adversário, reforçar mensagens de esperança e concentrar esforços para estimular a participação de pessoas que poderiam se abster. Tropas e Exércitos: como o WhatsApp virou meio de convocação Para o neurocientista e futurista Álvaro Machado Dias, professor livre-docente da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e colunista do Olhar Digital , o intervalo reduzido entre os turnos foi determinante para a mudança de estratégia. Com pouco tempo disponível, convencer eleitores do campo adversário deixou de ser a prioridade.

    “No primeiro turno, as redes estavam servindo fundamentalmente como ambiente de convencimento, mas o que acontece no segundo turno, o que foi percebido, dado a janela temporal que é muito restrita, que tentar convencer as pessoas do outro lado não valia a pena, não dava tempo e, sobretudo, as pesquisas mostravam um alto grau de convicção, do ponto de vista decisório”, explicou o especialista em participação no programa Olhar Digital News. Ele observou que, com as preferências eleitorais relativamente consolidadas, as campanhas passaram a concentrar esforços em transformar simpatizantes em participantes efetivos da votação. O professor destaca que os aplicativos de mensagens ganharam importância nesse processo, funcionando como canais de convocação e organização de apoiadores.

    A meta era fazer com que eleitores propensos à abstenção comparecessem às urnas. Machado Dias identifica essa mudança também nas denominações escolhidas para os principais grupos de WhatsApp das campanhas. Tanto a “Tropa do Flávio” quanto o “Exército do Lula” remetiam à ideia de ação coletiva e deslocamento.

    Para o especialista, essa linguagem traduzia a passagem de uma estratégia de convencimento para outra, baseada na mobilização. “Então a aposta mudou, se tornou muito menos a do convencimento e muito mais a de tirar  do sofá de casa o sujeito que estaria propenso a uma abstenção. E a gente pode ver na maneira como os dois lados caracterizaram os seus grupos de WhatsApp principais.

    Tropas e exércitos marcham, caminhando para alguma coisa, todos juntos. ” Álvaro Machado Dias em participação no programa Olhar Digital News, com Marisa Silva. – Crédito: Olhar Digital Redes sociais expandiram bolhas digitais no segundo turno O canal de WhatsApp “Exército do Lula”, liderado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), que reuniu 10,5 milhões de participantes, procurava ampliar o alcance das mensagens da campanha por meio do compartilhamento entre integrantes.

    Essa estratégia também alterou a dinâmica das chamadas bolhas virtuais. Em vez de manter comunidades fechadas, formadas exclusivamente por pessoas com opiniões semelhantes, a proposta era incorporar novos participantes continuamente. O crescimento dos grupos tornou-se parte do próprio processo de mobilização, criando vínculos e estimulando o envolvimento de pessoas inicialmente afastadas da disputa.

    “A grande estratégia, por exemplo, no caso do Janones, que teve evidentemente êxito nisso, foi trazer para dentro do grupo de WhatsApp dele o maior número possível de pessoas, inclusive pessoas que no fundo estavam propensas a seguir sem votar, porque ele acreditava que nesse movimento ele poderia fazer as pessoas se tornarem parte”, analisou Machado Dias. “Ou seja, a ideia toda dessa bolha, dessa vez, não foi manter a sua superfície fechada dentro de um grupo de pessoas totalmente alinhadas. ” O ambiente restrito desses grupos também podia reforçar a percepção de que a vitória estava próxima.

    A circulação predominante de mensagens alinhadas às convicções dos participantes favorecia expectativas positivas sobre o resultado. Com isso, uma eventual derrota poderia representar uma surpresa para integrantes que não tinham contato frequente com opiniões divergentes. Paralelamente, Lula ampliou sua comunicação regionalizada seguindo orientações de Fonteles.

    O candidato gravou vídeos direcionados a estados estratégicos, como São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco, e procurou se aproximar de jovens lideranças políticas vitoriosas no primeiro turno. A intenção era fortalecer a presença da campanha em diferentes segmentos do eleitorado. Outra frente envolveu a organização de redes humanas para distribuir conteúdos.

    Os próprios apoiadores passaram a executar tarefas de publicação, compartilhamento, uso de hashtags e interação nas plataformas. Na avaliação de Machado Dias, essas estruturas reproduziam uma lógica algorítmica, mas dependiam da coordenação e da participação direta das pessoas. ” No segundo turno, as campanhas priorizaram a mobilização digital, utilizando redes sociais para engajar apoiadores e combater a abstenção.

    – Créito: Imagem gerada por IA Metas diárias impulsionaram mobilização digital coordenada As atividades também incorporaram elementos de gamificação, com metas diárias que estimulavam a participação dos integrantes. O cumprimento das tarefas reforçava o sentimento de pertencimento e transformava apoiadores em agentes de distribuição das mensagens políticas. Dessa forma, a mobilização digital ultrapassava o consumo de conteúdo e envolvia ações coordenadas.

    Apesar da eficiência dessas estratégias, a eleição não representou uma mudança significativa na polarização política brasileira. As redes sociais continuaram reforçando identidades e convicções preexistentes, enquanto a mobilização dos apoiadores não se traduziu em maior aproximação entre os campos adversários. A divisão permaneceu presente também nas relações familiares e sociais.

    Para Machado Dias, o cenário posterior à votação indica continuidade da polarização, embora possa haver mudanças nas lideranças conservadoras. O especialista avalia que o bolsonarismo pode perder força como unidade ideológica e dar espaço a representantes com outras características, entre eles o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. “A marca principal não é de mudança, portanto, é de continuidade.

    E a continuidade é a da polarização que, na minha leitura, ela tende a mudar a partir de agora, não na sua natureza fundamental, mas do ponto de vista dos grupos polarizados. ” O resultado também evidencia como a disputa política se estende para além dos períodos de campanha. A capacidade de manter comunidades ativas, influenciar conversas e organizar redes de apoiadores tornou-se parte da construção de força eleitoral.

    Em 2026, essa estrutura teve peso decisivo em uma eleição que parecia caminhar para outro desfecho. O post Como as redes sociais ajudaram Lula a virar as eleições em 2026 apareceu primeiro em Olhar Digital . ]]>

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