Como data centers entraram na campanha das eleições de meio de mandato nos EUA
Eleitores de dezenas de condados e cidades dos Estados Unidos terão em breve a chance de ajudar a aprovar medidas que podem desacelerar o desenvolvimento de data centers . Municípios de Nevada à Geórgia darão aos moradores a oportunidade de votar em propostas para taxar, regulamentar ou até proibir a infraestrutura de inteligência artificial. Isso pode colocar em jogo centenas de bilhões de dólares em investimentos e criar dores de cabeça para os chamados hyperscalers , como a Meta Platforms, e para empresas que desenvolvem projetos, como a Applied Digital.
Uma análise da Bloomberg com base em dados do Ballotpedia mostra que haverá mais de 40 medidas relacionadas a data centers em votação nas eleições de meio de mandato nesta terça-feira (3). Os eleitores analisarão as propostas em um momento de crescente oposição a novos data centers nos EUA, o que destaca como a IA se tornou uma questão central nas eleições de meio de mandato. Uma pesquisa da Universidade Quinnipiac realizada em setembro mostrou que 72% dos eleitores seriam contrários à instalação de um novo data center em sua comunidade, ante 65% quando a pergunta foi feita em um levantamento de março.
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Elas também se inquietam com o fato de autoridades locais oferecerem incentivos fiscais às empresas responsáveis pelos projetos e assinarem acordos de confidencialidade para conversar com representantes de interesses privados, deixando os moradores sem informações. Em alguns casos, porém, ativistas conseguiram impedir a construção de data centers. Ao menos 45 projetos, avaliados em US$ 68 bilhões, foram afetados pela oposição local no segundo trimestre, segundo relatório da organização Data Center Watch.
Agora, os referendos relacionados à IA concedem aos eleitores uma nova forma de expressar sua oposição. “Medidas submetidas à votação local são uma ferramenta à qual as pessoas podem recorrer e que podem usar em um momento em que se sentem impotentes diante de algumas dessas forças mais amplas que moldam nosso futuro”, disse Megan Mullin, cientista política especializada em meio ambiente da Universidade da Califórnia em Los Angeles, a UCLA. Proibições e destituições Algumas propostas podem proibir completamente os data centers.
Isso é possível em Alhambra, cidade da região metropolitana de Los Angeles que pode seguir os passos da vizinha Monterey Park. Em Ohio, cerca de uma dúzia de comunidades votará sobre uma proibição, com a maioria das propostas focada em instalações maiores. Um desses lugares é Piqua, onde a Meta tenta construir um data center.
Os eleitores também decidirão se devem destituir o prefeito e dois integrantes da comissão municipal, que apoiaram a construção de infraestrutura de IA na cidade de aproximadamente 20 mil habitantes. Outra iniciativa de destituição ocorre em Yukon, no estado de Oklahoma, onde os moradores decidirão o futuro do prefeito Brian Pillmore. Alguns de seus eleitores querem que ele deixe o cargo porque apoia a proposta de construção de um data center de US$ 1 bilhão da Beltline Energy ao longo da Rota 66.
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“Cidades como Yukon precisam considerar cada carta que têm na mão”, afirmou. Yukon é uma das muitas pequenas cidades dos EUA em busca de um impulso econômico. Os data centers podem ser a resposta, trazendo investimentos e empregos bem remunerados que não exigem diploma universitário, segundo Dan Diorio, vice-presidente executivo de políticas estaduais e relações governamentais da Data Center Coalition, entidade que representa o setor.
As instalações geram uma arrecadação tributária “significativa”, que ajuda a financiar escolas, transporte e segurança pública, disse Diorio. “Medidas submetidas à votação para restringir ou proibir o desenvolvimento de data centers enviariam um sinal de que a região está fechada para negócios” e “privariam as comunidades locais da oportunidade de competir por investimentos e empregos”. Participação da comunidade Algumas comunidades não são necessariamente contra os data centers, mas querem ter mais voz no processo de planejamento.
Em Harwood, na Dakota do Norte, a revelação de que um projeto de US$ 3 bilhões estava em andamento levou o morador Michael Swartz a tentar reformular a maneira como a cidade lida com o desenvolvimento industrial. Ele redigiu uma emenda à carta municipal que defende mais transparência e participação da comunidade nas decisões, depois que o prefeito de Harwood assinou um acordo de confidencialidade com a Applied Digital, que está construindo uma instalação nas proximidades. Os moradores levantaram uma série de preocupações quando os planos para o gigantesco projeto de 280 megawatts se tornaram públicos, em setembro de 2025, mas a construção começou menos de um mês depois.
“Uma decisão de US$ 3 bilhões que afeta uma comunidade de 800 pessoas não deveria ter sido tomada em três semanas”, disse Swartz em entrevista. O objetivo de seu Artigo X, como a medida é chamada, é exigir a divulgação de informações, uma análise independente e a participação pública em grandes projetos. Medidas semelhantes podem dar mais influência a moradores de outras localidades.
O eleitorado de Grove City, em Ohio, poderá alterar a carta municipal para exigir um referendo sobre empreendimentos que ultrapassem determinados limites de tamanho e de uso de água e energia. Se aprovada, uma iniciativa submetida à votação em Janesville, no Wisconsin, dará aos cidadãos o direito de votar sobre projetos com custos superiores a US$ 450 milhões em uma área há muito tempo abandonada onde funcionava uma fábrica da General Motors. A proliferação dessas medidas é “um sinal de que os americanos reconhecem que foram excluídos de negociações que têm um impacto real sobre seu futuro em muitas comunidades”, disse Mullin, da UCLA.
Empurrando data center para o vizinho Outro grupo de medidas pode restringir os locais onde data centers são construídos. Em Wilmington, Ohio, os eleitores vão se manifestar sobre o rezoneamento de terrenos ao redor de um data center proposto pela Amazon. Uma situação em Boulder City, Nevada, porém, mostra os limites dessas iniciativas.
No início deste ano, ativistas conseguiram barrar uma proposta de data center de US$ 3 bilhões que seria construído em uma reserva de tartarugas pertencente à cidade. Mas, pouco depois, a empresa responsável pelo projeto obteve aprovação para construí-lo em uma área vizinha, controlada pelo Escritório de Gestão de Terras do governo federal. Embora os moradores de Boulder City decidam em breve se permitirão data centers na reserva, o episódio evidencia um limite da onda de propostas submetidas à votação: os eleitores podem reescrever as regras locais de desenvolvimento, mas a legislação não ultrapassa os limites das respectivas jurisdições.
As restrições locais podem simplesmente deslocar os empreendimentos para lugares com menos poder político e menos recursos para se organizar, disse Mullin. Além disso, “esse tipo de medida amarra as mãos de futuros gestores nessas localidades, para o bem ou para o mal”, acrescentou. Ainda assim, o movimento para restringir o desenvolvimento por meio das urnas se estenderá além de 3 de novembro.
Em dezembro, os eleitores de Clarksville, no Arkansas, decidirão se aprovam medidas que autorizam a emissão de US$ 55 bilhões em títulos para um data center da ServerFarm, após moradores contestarem com sucesso a aprovação concedida pela câmara municipal. E, no mês passado, moradores do condado de Coweta, na Geórgia, apresentaram uma petição com mais de 14 mil assinaturas para reverter a aprovação de um vasto complexo de US$ 17 bilhões e proibir futuros data centers na região. Dependendo da decisão de um juiz, o referendo poderá ser submetido à votação em janeiro de 2027.
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Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.
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