Como funcionam as eleições nos Estados Unidos
Nas eleições presidenciais dos Estados Unidos , o candidato que recebe mais votos da população em todo o país não necessariamente é eleito presidente. Isso acontece porque o sistema eleitoral americano é baseado no Colégio Eleitoral, mecanismo que considera o resultado da votação em cada estado, e não apenas a soma nacional dos votos. Diferentemente do Brasil, onde o presidente é escolhido pelo voto direto da maioria dos eleitores (em primeiro ou segundo turno), nos Estados Unidos a eleição é decidida por um grupo de representantes chamados de eleitores do Colégio Eleitoral ( electors ).
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Por isso, cada unidade da federação tem um número específico de votos eleitorais, que varia de acordo com sua representação no Congresso americano. Como funciona o Colégio Eleitoral nos EUA? O Colégio Eleitoral é formado por 538 eleitores.
Desse total, 435 correspondem ao número de integrantes da Câmara dos Representantes, 100 aos senadores e três representam o Distrito de Columbia, onde fica a capital Washington. Cada estado tem um número de votos eleitorais equivalente à soma de seus representantes na Câmara e de seus dois senadores. Como o número de deputados varia de acordo com a população, os estados mais populosos têm mais votos eleitorais.
A Califórnia, por exemplo, tem 54 votos eleitorais, enquanto o Texas conta com 40. Já estados menos populosos, como Wyoming, têm apenas três. Para vencer a eleição presidencial, um candidato precisa conquistar pelo menos 270 dos 538 votos do Colégio Eleitoral.
O que significa ‘o vencedor leva tudo’ nas eleições americanas? Na maioria dos estados, vale a regra conhecida como winner takes all , ou ‘o vencedor leva tudo’. Isso significa que o candidato que recebe mais votos populares em determinado estado fica com todos os votos eleitorais daquela unidade da federação.
Assim, mesmo que a diferença entre os dois candidatos seja pequena, o vencedor leva a totalidade dos votos eleitorais do estado. Há duas exceções: Maine e Nebraska. Nesses estados, a distribuição dos votos eleitorais também considera o resultado em cada distrito congressional.
O candidato que vence a votação estadual recebe dois votos eleitorais, enquanto os demais são distribuídos de acordo com o resultado nos distritos. Por isso, é possível que candidatos diferentes dividam os votos eleitorais de Maine e Nebraska. Por que os estados decisivos são importantes?
Durante as campanhas presidenciais americanas, é comum ouvir falar em swing states , expressão usada para identificar os estados em que a disputa entre republicanos e democratas costuma ser mais equilibrada. Esses locais também são chamados de estados-pêndulo ou estados decisivos. Neles, a preferência do eleitorado pode mudar de uma eleição para outra, sem uma predominância histórica tão consolidada de um dos partidos.
A importância desses estados está relacionada à regra do Colégio Eleitoral: como a maioria das unidades da federação entrega todos os seus votos eleitorais ao candidato mais votado, vencer em um estado disputado pode fazer diferença na soma necessária para chegar aos 270 votos. Por esse motivo, os candidatos costumam concentrar parte de suas campanhas e investimentos em publicidade nesses locais, buscando conquistar eleitores indecisos e ampliar sua votação. É possível ganhar no voto popular e perder a eleição nos EUA?
Sim. Como a escolha do presidente depende dos votos do Colégio Eleitoral, um candidato pode receber mais votos populares em todo o país e, ainda assim, perder a disputa. Isso já aconteceu em quatro eleições presidenciais: 1876, 1888, 2000 e 2016.
Em 2016, por exemplo, Hillary Clinton recebeu quase 2,9 milhões de votos populares a mais do que Donald Trump. Mesmo assim, Trump conquistou 304 votos eleitorais, contra 227 da adversária, e venceu a eleição. O resultado mostra a diferença entre o voto popular nacional e o sistema de representação por estado adotado pelos Estados Unidos.
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