SJX NEWS

    forbes.com.br

    Forbes Brasil

    SJXNEWS
    Forbes Brasil·29 de out., 17:38

    Como Singapura Transformou a Habitação Sustentável em um Modelo de Negócios Rentável

    Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo. O desenvolvimento habitacional pode ser impulsionado por diferentes fatores, que vão do capitalismo ao oportunismo, passando pelo altruísmo e pela expressão artística. Entre tantas possibilidades, os empreendimentos que resistem ao tempo, apoiam o crescimento das comunidades e impulsionam o desenvolvimento econômico são aqueles que geram valor.

    Mas não se trata de proporcionar retorno financeiro desde o primeiro dia, e sim de entregar benefícios continuamente, tanto para investidores quanto para moradores. Quando projetada da maneira correta, uma moradia pode gerar valor diretamente para seus ocupantes, além de contribuir para o desenvolvimento da comunidade. Inovadores de diferentes partes do mundo oferecem exemplos concretos de como construir melhor, priorizando a geração de valor em vez de se concentrar exclusivamente nos custos.

    Singapura cria incentivos para a geração de valor habitacional Em Singapura , as autoridades responsáveis pela habitação criaram um sistema quantitativo para aprimorar os empreendimentos imobiliários. Primeiro, os projetos são avaliados pela área bruta construída. Em seguida, calcula-se o coeficiente de aproveitamento do terreno, que relaciona a área construída à área do lote.

    O que pode ser construído não depende apenas do plano diretor, mas também das melhorias capazes de gerar valor para a comunidade e os moradores. Os projetos podem obter incentivos que permitem ampliar em até 10% a área construída, desde que incorporem determinadas características. O mecanismo estimula a inclusão de soluções desejáveis nos novos empreendimentos e, ao mesmo tempo, beneficia os incorporadores, que ganham a possibilidade de obter receitas com uma área maior.

    Entre as melhorias que podem render esses incentivos estão sistemas de refrigeração mais eficientes, produtos e soluções sustentáveis e a ampliação da vegetação nos edifícios. “Acumular mais pontos começa com a melhoria da qualidade, de modo que a política pública se transforma em um modelo de negócios”, afirmou Emiel Arends, consultor sênior de assuntos urbanos da cidade de Roterdã. “Se você fizer isso, poderá ganhar mais dinheiro porque poderá construir mais.

    No modelo de Singapura, a qualidade se torna um modelo de negócios porque os incorporadores podem construir metros quadrados adicionais. ” Singapura também estabelece nove elementos fundamentais para o desenvolvimento urbano: Organização urbana: estrutura clara e compreensível, que facilite a orientação e a circulação pela cidade Forma dos edifícios: integração com o entorno e contribuição positiva para a paisagem urbana. Rede de circulação de pedestres: conexões que tornem a cidade mais caminhável Espaços abertos: áreas destinadas ao lazer, à interação social e ao descanso da rotina urbana Paisagem das ruas: desenho urbano que torne os espaços públicos mais convidativos e adequados à circulação a pé Iluminação noturna: condições para a utilização dos espaços após o anoitecer, com redução do ofuscamento e da poluição luminosa Vegetação: incorporação da natureza ao ambiente urbano Coberturas dos edifícios: utilização dos telhados como áreas coletivas de convivência e lazer Acesso de veículos: organização da circulação motorizada para reduzir interferências no fluxo de pedestres e tornar a cidade mais segura e caminhável Arends adotou a ideia e a implementou em Roterdã , reduzindo de nove para cinco os critérios de desenvolvimento e acrescentando outras exigências mais adequadas aos objetivos da cidade.

    Atualmente, ele conduz um projeto-piloto em uma área do município para avaliar se a incorporação de melhorias qualitativas pode se tornar um modelo de negócios, em vez de representar um obstáculo para os incorporadores. “Em vez de acabar com conjuntos habitacionais que apresentassem apenas três ou quatro características positivas, tentamos mudar essa realidade ao introduzir princípios que incentivassem o setor privado a investir em qualidade”, acrescentou Arends. ” Esses modelos baseados na geração de valor estão ganhando espaço não apenas por meio de regulamentações impostas de cima para baixo, mas também em resposta à demanda dos consumidores.

    Demanda por características que agregam valor aos imóveis aumenta Louis Adler, CEO e cofundador da REAL New York, uma empresa de corretagem imobiliária, participou de diversos projetos residenciais. Entre eles está um empreendimento com 108 unidades habitacionais cuja reforma deverá reduzir em 85% o consumo de energia por unidade. O projeto é reconhecido como o primeiro empreendimento certificado pelo padrão Passive House a obter um financiamento da Fannie Mae.

    Características associadas ao padrão Passive House estão se tornando parte das análises da empresa. Ar fresco e filtrado, ambientes internos mais silenciosos e temperaturas estáveis são aspectos percebidos pelos potenciais inquilinos durante as visitas aos imóveis e que tornam os edifícios mais competitivos. A REAL incorporou inteligência artificial (IA) ao seu modelo de negócios para produzir análises de imóveis comparáveis que demonstrem o valor dessas características, como a redução do consumo de energia e os diferentes pacotes de comodidades oferecidos.

    Segundo Adler, compradores e locatários já procuram imóveis com sistemas totalmente elétricos e construções que sigam os princípios do Passive House. 080) por mês para refrigerar os ambientes durante o verão”, afirmou. ” Ao mesmo tempo, o proprietário do edifício se beneficia do menor consumo de energia, que reduz os custos operacionais e melhora sua posição diante das regras municipais sobre emissões dos edifícios.

    Segundo Adler, ambos os fatores se refletem no lucro operacional líquido (NOI, na sigla em inglês) e no valor do imóvel no longo prazo. Os locatários precisam ser informados sobre esses benefícios. Em geral, eles não têm meios de estimar os gastos futuros com serviços públicos e, por isso, elaboram seus orçamentos habitacionais considerando apenas o aluguel.

    Como frequentemente precisam pagar as próprias contas de consumo, a REAL New York procura demonstrar a economia esperada em imóveis de alto desempenho energético, permitindo que os interessados compreendam os benefícios financeiros. “A eletrificação total faz parte dessa transformação, mas está rapidamente se tornando o padrão das novas construções em Nova York”, disse Adler. “De acordo com a Lei Local 154, edifícios novos com menos de sete andares precisam ser totalmente elétricos desde 2024.

    Portanto, a eletrificação, por si só, não diferencia um edifício. O que faz a diferença é a eficiência. Uma envoltória bem vedada e isolada mantém o consumo de energia baixo, enquanto sistemas elétricos eficientes de aquecimento e refrigeração aproveitam melhor essa estrutura.

    ” A REAL New York também considera as características do edifício e de seu entorno para avaliar a conveniência oferecida aos moradores. Fora do imóvel, isso inclui a possibilidade de fazer deslocamentos a pé, o acesso ao transporte público e a proximidade de boas escolas. Dentro do empreendimento, entram nessa avaliação comodidades voltadas ao bem-estar, como academias e saunas.

    “As pessoas querem a conveniência de ter uma academia, uma sauna ou um tanque para banhos de imersão em água fria dentro do próprio edifício”, afirmou Adler. ” Embora os incentivos em larga escala estejam produzindo mudanças, melhorias em imóveis individuais e novas construções que priorizam a geração de valor também podem proporcionar retornos expressivos. Como agregar valor às moradias Um estudo de 2026 da Synchrony revela uma diferença significativa entre o que os proprietários esperam gastar com a manutenção de suas casas e o custo efetivo ao longo da vida útil dos imóveis.

    Segundo o levantamento, os proprietários estimam que as despesas acumuladas com manutenção chegarão a US$ 70 mil (cerca de R$ 357 mil). No entanto, o custo total projetado pela empresa supera US$ 339 mil (aproximadamente R$ 1,73 milhão) e ultrapassa US$ 418 mil (cerca de R$ 2,13 milhões) quando são incluídos os reparos emergenciais. Considerando um período médio de 46 anos de propriedade, o relatório mostra que os moradores acreditam gastar entre US$ 1 mil e US$ 5 mil (cerca de R$ 5,1 mil a R$ 25,5 mil) por ano com a manutenção das casas.

    Na realidade, o valor supera US$ 7 mil anuais (aproximadamente R$ 35,7 mil). Essas despesas incluem tanto os custos recorrentes quanto aqueles menos frequentes, distribuídos ao longo da vida útil do imóvel. Entre eles estão a limpeza de calhas, a inspeção dos sistemas de aquecimento, ventilação e ar-condicionado (HVAC), a pintura interna e externa, a substituição do isolamento térmico, das bancadas e dos aquecedores de água, além da troca de sistemas de climatização, fornos e telhados.

    Quando negligenciados, esses reparos podem provocar consequências de longo prazo. Um pequeno vazamento, por exemplo, pode causar danos significativos pela água em seis meses e exigir a remoção de mofo um ano depois. Embora a manutenção de rotina possa representar um peso financeiro, 75% dos proprietários também já precisaram lidar com reparos emergenciais.

    Desse grupo, 40% gastaram mais de US$ 3 mil (cerca de R$ 15,3 mil) por ocorrência. Entre as emergências estão problemas nos sistemas de climatização, vazamentos nos telhados e rompimentos de tubulações. A baixa qualidade construtiva e o envelhecimento do estoque de moradias colocam os proprietários em uma situação delicada: eles continuam subestimando os custos e adiando os reparos.

    Além disso, a falta de planejamento faz com que as pessoas apenas reajam aos problemas, em vez de se prepararem para enfrentá-los. Entre as mudanças que Smith considera capazes de aumentar o valor dos imóveis no longo prazo estão as alterações nas exigências para os sistemas de aquecimento, ventilação e ar-condicionado, que podem resultar em instalações mais baratas e menores custos operacionais. Ele também destacou que a substituição de janelas e portas contribui para melhorar o desempenho energético e reduzir as despesas com energia.

    Além disso, observa um aumento dos investimentos na proteção das casas contra incêndios e na impermeabilização de porões, espaços sob o piso e áreas ao redor das residências e de suas fundações. “Estamos muito otimistas em relação a 2027 e aos anos seguintes, devido à formação de patrimônio imobiliário”, afirmou David Smith, vice-presidente sênior da Synchrony. “Os preços das casas ainda parecem estar subindo em âmbito nacional.

    O patrimônio acumulado e os gastos com melhorias residenciais parecem sólidos. Parte disso se deve à demanda reprimida, porque as pessoas não vêm realizando os reparos necessários. ” De acordo com a Green Builder Media COGNITION Smart Data, essas iniciativas de manutenção estão centradas na agregação de valor às residências.

    A pesquisa da empresa revelou que a maioria dos proprietários se sente motivada a reformar suas casas pela possibilidade de economizar no longo prazo, motivo citado por 87% dos entrevistados. Em seguida, aparece o objetivo de aumentar o valor do imóvel, mencionado por 79%. 040) por mês em contas de serviços públicos e

    Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.

    Leia a matéria completa em Forbes Brasil →