Como stablecoins se tornaram o caminho escolhido pelo Nubank em seu plano global
O Nubank anunciou na semana passada, em um evento em Miami, a entrada nos Estados Unidos e o lançamento de uma conta global para dezenas de países. E o voo do banco digital brasileiro mundo afora teve uma ajudinha (e tanto) de uma classe de criptomoedas queridinha dos brasileiros: as stablecoins. No caso da conta internacional, chamada de Nu Global, o Nubank está se valendo de duas delas: a USDC , a segunda maior stablecoin atrelada ao dólar, e a EURC , ligada ao euro.
Ambas são emitidas pela empresa americana Circle. Juntas, as duas têm um valor de mercado de US$ 74,1 bilhões, segundo dados da plataforma CoinMarketCap. É maior do que o valor de mercado do próprio Nu.
A ideia é a seguinte: os clientes podem enviar e receber dinheiro em mais de 35 países, começando pela Europa e pela América Latina. Nos próximos meses, segundo comunicado divulgado à imprensa, haverá integração com Brasil, Colômbia, México e Estados Unidos. E tem um detalhe: todos os depósitos da Nu Global são convertidos em USDC ou EURC.
Os saldos em dólar digital terão rendimento de 3,5% ao ano, enquanto os mantidos em euro digital renderão 2,2%. Vale lembrar que o Nu já tem uma parceria com a Circle e USDC, para usuários brasileiros, desde o fim de 2023. E por aqui os clientes também podem receber recompensas por manter a cripto dólar na plataforma.
Newsletter : quer saber mais sobre cripto? Assine o Morning Cripto do InvestNews ! Um help de fintechs E como a empresa brasileira está chegando aos trilhos de pagamentos de outros países?
Com parcerias com fintechs hermanas . Uma delas é a dLocal, startup uruguaia especializada em infraestrutura de pagamentos. A empresa conecta companhias globais aos sistemas de pagamento locais de mercados emergentes.
Em uma publicação nas redes sociais, a dLocal disse que está ajudando o Nubank a conectar suas carteiras globais aos sistemas de pagamento locais dos mercados onde o banco está chegando. A empresa, porém, não detalhou quais países ou produtos do Nubank são atendidos pela parceria. A dLocal, em seu site, informa que atualmente atua em 64 mercados emergentes, distribuídos entre América Latina, África e Oriente Médio e Ásia.
Tendência global A união do Nu, como é chamado nos EUA, com as stablecoins acompanha um movimento que também vem sendo observado entre grandes instituições financeiras. Os exemplos são vários. Em junho deste ano, o BNY anunciou que o USDC seria a primeira stablecoin disponível em sua plataforma de custódia de ativos digitais.
Com a integração, clientes institucionais podem armazenar, transferir, emitir e resgatar a cripto dólar pela plataforma do banco. No ano passado, o Citi e o JPMorgan Chase também anunciaram parcerias e iniciativas envolvendo ativos digitais. O Citi se uniu à exchange americana Coinbase para explorar novas formas de pagamentos digitais, incluindo o uso de stablecoins, enquanto o JPMorgan fechou uma parceria com a corretora que permite, entre outras coisas, usar pontos de seu programa de recompensas para financiar operações na Coinbase Na Europa, o movimento é ainda mais coletivo.
A Qivalis, consórcio formado por 37 instituições financeiras de 15 países, está trabalhando na criação de uma stablecoin denominada em euro. A ideia é usar a tecnologia blockchain para pagamentos e liquidação de transações. E os Estados Unidos?
Na Terra do Tio Sam, a história da chegada do Nubank é um pouco diferente, ok? A fintech brasileira entrou na maior economia do mundo por meio de uma parceria com o Lead Bank, banco americano que fornece os serviços bancários da operação, enquanto o Nu avança em seu próprio processo de licenciamento. Por quê?
Porque o Nubank ainda espera obter uma licença completa para atuar por lá. Embora já tenha recebido a aprovação condicional do OCC (Office of the Comptroller of the Currency) para seu pedido de licença bancária, o Nu ainda aguarda o aval de outros dois reguladores americanos: o Fed (banco central dos EUA) e o FDIC. E pelo que foi divulgado até agora, não tem stablecoin na história americana (ainda pelo que se sabe).
Leia também Investimentos Liquidações com cartões de stablecoins na Visa ultrapassam US$ 20 bilhões Guias Stablecoins: o que são e como funcionam? 432,96 BNB (BNB) : +1,64%, US$ 722,60 XRP (XRP) : +0,48%, US$ 1,29 Solana (SOL) : +2,56%, US$ 99,72 Outros destaques do mercado cripto BC mira stablecoins e staking. A regulamentação cripto do Banco Central ainda não está pronta.
Stablecoins e staking – prática em que o investidor deixa criptos em uma blockchain em troca de rendimento – são alguns dos próximos temas que devem ganhar regras mais específicas. Foi essa a mensagem de Nagel Paulino, chefe de divisão do BC, durante a Digital Assets Conference (DAC), evento sobre cripto realizado em São Paulo, na quarta-feira (16). Avanço na tokenização brazuca.
A tokenização ganhou mais um empurrão na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O Grupo de Trabalho de Tokenização (GTT) entregou na terça-feira (15) ao Colegiado da autarquia uma minuta de resolução que propõe a criação do Programa Piloto DLT CVM. A iniciativa permitirá testar operações com valores mobiliários em redes de tecnologia de registro distribuído (DLT), como uma blockchain, incluindo emissão, oferta, negociação, custódia e liquidação.
Regulação nos EUA não deve parar. O fracasso do Clarity Act no Senado americano não deve parar a regulamentação cripto por lá. A Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC, em inglês) e a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities do país (CFTC) sinalizaram que vão avançar com novas regras usando os poderes que já têm.
O projeto precisava de 60 votos para seguir adiante, mas ficou em 49 a 50 na votação de terça-feira (15). ]]>
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