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    Compra da Medley pela EMS avança no Cade após proposta de venda de ativos
    InvestNews·04 de nov., 21:25

    Compra da Medley pela EMS avança no Cade após proposta de venda de ativos

    A área técnica do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) recomendou nesta quarta-feira (4) liberar a compra da Medley pelo Grupo EMS , mas com uma condição: a venda de parte dos negócios para preservar a concorrência, apurou o InvestNews . Os detalhes da proposta permanecem sob sigilo, incluindo quais negócios ou marcas seriam vendidos. O parecer aponta que, sem mudanças, a operação reuniria mais de 90% das unidades vendidas em farmácias de uma categoria de medicamentos usados em tratamentos de infertilidade.

    A proposta de venda foi apresentada pelas próprias empresas após questionamentos da autarquia e recebeu parecer favorável da Superintendência-Geral. A compra ainda depende de aprovação do Tribunal do Cade, cujos conselheiros vão decidir sobre a operação e as condições para autorizá-la. Leia também Negócios O império dos genéricos da EMS entre a era das canetas e a sucessão de Carlos Sanchez A preocupação do Cade se concentra em dois segmentos: estimulantes da ovulação e uma classe de remédios contra enxaqueca.

    Para a área técnica, os concorrentes que permaneceriam nesses mercados teriam dificuldade para conter eventuais aumentos de preços depois da aquisição. Foi esse risco que levou a autarquia a aprofundar a análise do negócio em setembro . Agora, a Superintendência concluiu que os problemas podem ser resolvidos com a venda proposta pelas empresas.

    A recomendação é condicionar a aprovação a um Acordo em Controle de Concentrações (ACC), que estabelece as obrigações a serem cumpridas pelas companhias. Poucas alternativas O caso dos estimulantes da ovulação ajuda a entender a preocupação. Nessa categoria, que reúne medicamentos usados para ajudar mulheres a ovular, o Grupo EMS e a Medley somam mais de 90% das unidades vendidas em farmácias.

    Um dos produtos envolvidos é o Clomid , da Medley, feito com citrato de clomifeno. Segundo o Cade, nenhum concorrente oferece essa mesma substância. Também não foram reportadas entradas de novos competidores nesse mercado nos últimos cinco anos.

    Carlos Sanchez, fundador e controlador da EMS (Fiesc/Divulgação) Os laboratórios consultados disseram não ter capacidade disponível para aumentar imediatamente a produção e atender aos consumidores que buscassem alternativas após uma alta de preços. Ou seja: mesmo que os clientes quisessem trocar de fornecedor, os rivais poderiam não conseguir absorver essa demanda. O problema se repete na classe de medicamentos contra enxaqueca que inclui a naratriptana .

    Nesse segmento, a participação conjunta fica entre 50% e 60% das unidades vendidas em farmácias. Além das empresas envolvidas na compra, apenas a GSK comercializa a mesma substância, com o medicamento de referência. Ao avaliar a competição na categoria como um todo, o Cade apontou a Libbs como a única concorrente capaz de fazer frente ao grupo após a aquisição.

    Há ainda um fator que pesa contra a operação: a única entrada bem-sucedida nesse mercado durante o período analisado foi justamente a da Medley. Com a compra, a empresa que havia ampliado a concorrência passaria a integrar o grupo de um de seus rivais. Caminho para a aprovação Apesar dessas preocupações, a área técnica não identificou motivo para barrar o negócio inteiro.

    A análise dividiu os medicamentos por categorias e canais de venda, chegando a 120 cenários. Em 70 deles, a operação se enquadrou nos critérios de análise simplificada, por ter efeitos limitados sobre a concorrência. Na maior parte dos demais, a Superintendência encontrou rivais capazes de continuar disputando clientes com as empresas.

    Já nos dois segmentos problemáticos, considerou que a venda proposta seria suficiente para afastar os riscos. A compra da Medley foi anunciada em março , por cerca de US$ 600 milhões, equivalentes a aproximadamente R$ 3,2 bilhões à época. O grupo da família Sanchez venceu uma disputa que atraiu Aché , Hypera , Biolab e a indiana Sun Pharma .

    A aquisição de 100% da empresa será feita pela Novamed, subsidiária do Grupo EMS, e inclui medicamentos, marcas, direitos de propriedade intelectual e duas plantas industriais em Campinas, no interior de São Paulo. Para a EMS, o negócio amplia a presença em genéricos, uma especialidade da casa. Para a francesa Sanofi , atual dona da Medley, a venda faz parte da estratégia de concentrar esforços em produtos inovadores.

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    Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.

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