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    InvestNews·28 de set., 17:11

    Conferência de petróleo na Venezuela provoca corrida por tacos de golfe

    Dezenas de executivos foram ao campo no tradicional Caracas Country Club na segunda-feira (28) para um torneio de golfe que antecede uma conferência sobre petróleo e gás, com ingressos esgotados, nesta semana na capital venezuelana. Poucos dias antes do evento, porém, os organizadores enfrentavam um problema inusitado: faltavam tacos de golfe para atender todos os participante s. “Entramos em contato com todos os clubes e lojas de golfe para encontrar tacos”, disse Alex Moulds, da Global Event Partners, empresa de Londres que organiza o evento.

    ” Para a maioria dos venezuelanos, a dificuldade enfrentada pelos participantes da conferência pode parecer um problema distante da realidade do país. A Venezuela passou anos de recessão, hiperinflação e sanções econômicas que reduziram a renda da população, apesar das enormes reservas de petróleo. Leia também Negócios Chevron financiará expansão na Venezuela com vendas de petróleo, diz CEO Negócios Bilionário colombiano terá controle de petroleira que avança na Venezuela É nesse cenário que a Venezuela International Oil and Gas Summit, que começa nesta terça-feira (29), reúne executivos de grandes empresas do setor, autoridades e investidores estrangeiros.

    A conferência também se tornou um dos principais eventos ligados ao plano do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de recuperar a indústria de petróleo venezuelana e ampliar a presença americana no país. Trump, que é conhecido por jogar golfe e possui campos nos Estados Unidos e em outros países, estabeleceu a meta de direcionar US$ 100 bilhões para a recuperação da indústria petrolífera venezuelana depois que forças americanas depuseram o ex-presidente Nicolás Maduro, em janeiro. Cerca de 650 executivos venezuelanos e estrangeiros, autoridades do governo e diplomatas devem participar da conferência.

    Mais de 150 pessoas estão na lista de espera. O interesse ocorre em um momento em que a indústria global de petróleo acompanha as restrições de oferta provocadas pelos conflitos no Oriente Médio. Entre as empresas representadas estão ExxonMobil, TotalEnergies, BP, Repsol, Siemens e Hunt Oil.

    Também participam como parceiras estratégicas a Lindsayca, prestadora de serviços para o setor de petróleo com sede em Houston, e a UCC Holding, empreiteira do Catar. São esperados ainda a ministra do Petróleo da Venezuela, Paula Henao, e o ministro das Relações Exteriores, Félix Plasencia. Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela apoiada pelos EUA, também poderá falar aos participantes.

    Tacos de golfe viram problema O tamanho do evento aumentou a pressão sobre os organizadores para conseguir equipamentos para o torneio de golfe. Entre os participantes estavam executivos da Cotemar, empresa mexicana de serviços para plataformas offshore e patrocinadora da competição. Moulds e sua equipe recorreram à Morsa’s Proshop, uma loja familiar especializada em equipamentos de golfe.

    ”, disse María Fernanda Núñez, diretora da Morsa’s. Seu pai fundou a empresa depois de ganhar notoriedade consertando tacos como hobby. “Também foi difícil encontrar pessoas dispostas a emprestar tacos”, afirmou Núñez.

    ” Clube tradicional da elite venezuelana Caracas tem três grandes clubes privados de golfe, mas não possui campos públicos ou resorts que normalmente ofereçam equipamentos para aluguel. Por isso, mesmo com os tacos novos e emprestados pela Morsa’s, alguns participantes provavelmente terão de compartilhar equipamentos durante o torneio. “Se faltar alguma coisa, vamos tentar pegar emprestado com os profissionais”, disse Henrique Lavie, gerente de golfe do Caracas Country Club.

    ” Nos campos do Caracas Country Club, a dificuldade de encontrar tacos contrasta com a história do próprio clube. Criado há mais de um século em uma área que anteriormente abrigava plantações de café, o espaço foi desenvolvido com orientação do empresário americano Nelson Rockefeller e se tornou um dos símbolos da elite tradicional venezuelana. O clube mantém essa tradição em meio à transformação que a indústria de petróleo do país tenta promover.

    Na conferência, quem não conseguiu ingresso será encaminhado para uma sala adicional no hotel onde o evento acontece, de onde poderá acompanhar as discussões por transmissão ao vivo. “Vai ficar um pouco apertado”, disse Moulds. 950 antes de se esgotarem.

    Segundo um executivo venezuelano que tentou, sem sucesso, conseguir uma entrada para um amigo, a procura reflete um forte sentimento de FOMO — sigla em inglês para o medo de ficar de fora de uma oportunidade. Parte da receita do evento será destinada à reconstrução após dois terremotos que atingiram a Venezuela em junho, segundo Moulds. Interesse não garante investimento Ainda não está claro se a forte procura pela conferência se transformará em investimentos de grande escala na Venezuela.

    A reconstrução da indústria de petróleo envolve recuperar uma infraestrutura deteriorada e restabelecer a confiança de investidores. A Venezuela produz atualmente cerca de 1,2 milhão de barris de petróleo por dia, bem abaixo dos mais de 3 milhões de barris diários registrados na década de 1990. Várias petroleiras já assinaram acordos preliminares com a estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA), mas poucas assumiram compromissos definitivos.

    Entre os obstáculos estão as regras de sanções dos Estados Unidos, os passivos ambientais e as incertezas sobre as condições políticas em Caracas e Washington. Por enquanto, porém, o interesse já aparece nos campos de golfe. “Por 10 ou 15 anos, a Venezuela não estava acostumada a receber tanta gente de fora para jogar golfe”, disse Diego Alexandre, integrante da comissão de golfe do Caracas Country Club.

    “As pro shops simplesmente terão de reforçar os estoques. ” ]]>

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