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    Conheça o Animador Brasileiro por trás de “O Bosque Selvagem”
    Forbes Brasil·07 de nov., 07:30

    Conheça o Animador Brasileiro por trás de “O Bosque Selvagem”

    Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo. Toda criança desenha, mas a maioria para em algum momento. O mineiro Thiago Calçado , no entanto, nunca fez o seu último desenho.

    Natural de Uberaba e formado em cinema pela FAAP (Fundação Armando Alvares Penteado), o que começou como um trabalho de cartunista em um jornal local o levou aos maiores estúdios e diretores de animação do mundo. Ao longo da carreira, ele participou das obras que definiram o stop-motion na última década: “ Kubo e as Cordas Mágicas ”, de Travis Night; “ Ilha dos Cachorros “, de Wes Anderson; “ A Fuga das Galinhas: A Ameaça dos Nuggets “, de Sam Fell; e “ Pinóquio “, de Guillermo del Toro, longa vencedor do Oscar de Melhor Animação. Hoje, Calçado é um dos artistas por trás de “ O Bosque Selvagem “, novo filme épico da Laika — estúdio responsável pelo sucesso de 2009 “ Coraline e o Mundo Secreto ” — que estreou nos cinemas brasileiros em 29 de outubro e desponta como favorito ao próximo Oscar de Melhor Animação.

    Aventura ambientada na cidade de Portland, nos Estados Unidos, a obra levou 16 anos — entre desenvolvimento e produção — para chegar aos cinemas. “Fazer animação é contar uma piada e esperar anos para as pessoas rirem”, diz Thiago em entrevista à Forbes Brasil . 804 planos, 231 semanas de filmagens, 132 cenários práticos e 117 locações distintas.

    Com 2 horas e 11 minutos de duração, o longa de US$ 100 milhões é considerado o maior e mais caro filme em stop-motion da história de Hollywood. Divulgação Thiago Calçado trabalhou por dois anos em “O Bosque Selvagem” De Uberaba ao Oscar Thiago foi um dos pioneiros a trabalhar com animação stop-motion para entretenimento no Brasil. Há 15 anos, quando esse mercado era quase restrito à publicidade, ele usou sua base em animação 2D e computação gráfica para migrar para o stop-motion durante a produção de “ Minhocas ” (2013), o primeiro longa do gênero feito no Brasil.

    ” Foi um trabalho de imersão: dois anos com animação diária. Desse esforço, saíram cerca de 16 minutos de filme. Ele selecionou o seu melhor minuto e enviou para estúdios ao redor do mundo.

    A estratégia funcionou e o levou para a Espanha, Estados Unidos, Inglaterra e Noruega, onde viveu a última década entre diferentes estúdios e produções. “Não tem atalho. Eu sempre falo: abaixe a cabeça e trabalhe.

    ” Por dentro do trabalho do animador Como animador de stop-motion, Thiago é responsável por, literalmente, dar vida aos bonecos, através de movimentos manuais e braços robóticos, frame por frame. Após o alinhamento de luz e câmera com a equipe técnica, o animador entra na sala com o cenário e passa dias inteiros sozinho com o boneco, com o rádio como único contato externo. “Todo mundo acha que animador brinca de boneco.

    ” Divulgação Thiago foi responsável por animar a personagem Morte em “Pinóquio” Uma cena de poucos segundos pode levar meses de execução. Em “A Fuga das Galinhas”, por exemplo, o animador levou dois meses para fazer sete bonecos andarem em câmera lenta. ” Stop-motion na era da IA Para o mercado atual, esse trabalho artesanal é o maior atrativo comercial do stop-motion.

    “O stop-motion é a antítese da inteligência artificial. A IA faz tudo em segundos, com baixíssimo esforço. ” Não à toa, o mercado de luxo e marcas globais, como Dior , Hermès e Porsche , têm recorrido cada vez mais ao stop-motion e à animação 2D.

    “Se você quer que seu produto seja visto como único e artesanal, você o vende de uma maneira exclusiva”, afirma. “Hoje, está bem claro que importa, sim, como a imagem é feita. ” Acervo pessoal Thiago Calçado nos bastidores de “Ilha dos Cachorros”, indicado ao Oscar em 2019 O retorno para contar as próprias histórias Após o sucesso lá fora, Thiago tomou a decisão de voltar ao Brasil para uma nova aposta na carreira: agora, quer dirigir e produzir histórias nacionais.

    “Pensei: vou ficar preso às histórias desses gringos para sempre? Não, eu estou cheio de histórias para contar. ” Atualmente, o artista concilia projetos publicitários — que permitem testar novos materiais e tecnologias em ciclos mais curtos — com obras de longo prazo, além de já assinar a direção de séries nacionais como “ Ana Bolinha ” (2021) e “ Sol em Dó Ré Mi ” (2024).

    Com os olhos no futuro, o animador desenvolve projetos enraizados na cultura brasileira. Entre eles, há um longa-metragem baseado no livro “Caixa Preta”, de um autor de sua cidade natal, e um roteiro catarinense inspirado nas passagens do escritor e aviador Antoine de Saint-Exupéry por Florianópolis. “É isso que eu quero agora: misturar a nossa história com o folclore brasileiro.

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