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    Copom decide sob pressão: maioria do mercado espera manutenção da Selic
    InvestNews·04 de nov., 13:47

    Copom decide sob pressão: maioria do mercado espera manutenção da Selic

    O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) chega à penúltima reunião do ano nesta quarta-feira (4) sob pressão de todos os lados. A maioria do mercado enxerga a manutenção da Selic em 13,75% ao ano como uma espécie de atestado de independência. De outra parte, o tema dos juros muito elevados entrou na pauta de discussão do governo após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

    Vários integrantes de alto escalão do PT, o partido de Lula, passaram a defender uma ideia lançada pelo economista André Lara Resende de que a “culpa” pelo crescimento acelerado da dívida bruta vem do custo do financiamento ao governo. No “plano” de Lara Resende, estão uma espécie de tabelamento dos juros básicos da economia e o uso das reservas internacionais em moeda estrangeira para ajudar a segurar a esperada fuga de capitais – investidores que tiram dinheiro do país. A mera possibilidade de o governo passar a considerar as propostas levou o mercado à beira de um ataque de nervos.

    Os juros de longo prazo que reverteram o ganho após o segundo turno passaram a subir ainda mais. Leia também Investimentos Ibovespa cai pelo sexto dia e atinge menor patamar desde janeiro Economia Selic ‘tabelada’ para não passar de 5,5% ao ano? Entenda a proposta de André Lara Resende As taxas de títulos prefixados do Tesouro Nacional votaram a flertar com o patamar de 16% ao ano na terça-feira (4) logo após a divulgação de que o presidente Lula poderia se encontrar com o economista.

    O dólar tocou os R$ 5,50 para fechar em R$ 5,49. 529 pontos, no menor patamar desde 19 de janeiro. A subida da moeda americana, que saiu de um nível abaixo de R$ 5 antes do segundo turno para quase R$ 5,50 em apenas uma semana e meia joga pressão sobre o Copom.

    Isso porque o câmbio pressionado tem levado os agentes econômicos a enxergar mais inflação pela frente. Leia também Investimentos Taxas do Tesouro Direto disparam: prefixado vai a quase 16% e IPCA+ passa de 8% Investimentos Ibovespa a 150 mil pontos e dólar a R$ 6? O que fazer – e o que evitar – com os mercados em pânico Prova disso é que o mais recente boletim Focus, do BC, que reúne projeções de instituições financeiras sobre juros, câmbio, PIB e inflação, apontou para uma piora significativa das expectativas macroeconômicas.

    As medianas trazidas pelo levantamento divulgado na terça mostraram uma mudança negativa nas expectativas de inflação para todo o horizonte da política monetária: o consenso sobre o IPCA neste ano subiu de 5,19% para 5,22%; para 2027, de 4,34% para 4,76%; em 2028, de 3,75% para 4%; e para 2029, de 3,50% para 3,98%. No caso da Selic, o mercado agora enxerga a taxa básica em 12,50% no fim do próximo ano frente a 11,75% na visão antes do segundo turno. Leia também Investimentos Cenário reformista pode trazer guinada aos investimentos em 2027.

    Entenda “As perspectivas para a inflação pioraram, o real se desvalorizou em meio a uma volatilidade significativa nos preços dos ativos, a base orçamentária se deteriorou com os anúncios de novos gastos e compromissos fiscais assumidos durante a campanha presidencial, e as perspectivas de uma âncora fiscal crível no curto prazo enfraqueceram”, afirmou o Goldman Sachs em relatório assinado pelo chefe de pesquisa macroeconômica para América Latina, Alberto Ramos. A ferramenta Opções de Copom, que segue as expectativas dos investidores em relação aos rumos futuros da política monetária brasileira, indica que o mercado enxerga majoritariamente que o BC vai manter a Selic inalterada nesta quarta-feira. As chances de pausa na queda dos juros alcançam 72,5%, enquanto uma fatia menor, de 26%, acredita em novo corte de 0,25 ponto percentual.

    Analistas enxergam na decisão desta quarta uma espécie de “teste de credibilidade”. Se o BC cortar novamente, embora possa agradar ao governo, há risco de as expectativas futuras de inflação e juros deteriorarem ainda mais. Se manter, pode enfrentar futuras pressões políticas.

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