Copom só volta a cortar juros em 2027. Isso se o governo ajudar, dizem economistas
O Copom não tem mais espaço reduzir a Selic neste ano. Novos cortes podem voltar a ocorrer apenas em 2027. Mas apenas se o governo, efetivamente, colocar em prática uma política fiscal mais austera.
Até lá “não existe mais espaço para o BC ajustar o nível de restrição da taxa básica”, afirma o estrategista-chefe de macro e dívida pública da Warren Rena e o ex-coordenador de dívida pública do Tesouro, Luiz Felipe Vital. O economista enfatizou em entrevista ao InvestNews que as projeções de inflação mostram um processo de “desancoragem forte”, em outras palavras, as expectativas do mercado sobre futuras altas de preços passaram a ver números bem acima da meta do BC. Isso fica claro no último boletim Focus , elaborado pela própria autoridade monetária, que reúne estimativas de instituições financeiras sobre juros, câmbio, inflação e PIB.
A última pesquisa mostrou uma mudança significativa de projeções para cima em relação à inflação esperada para 2027 e 2028. Leia também Investimentos O BC está contra a parede e, sem ajuste fiscal, o Brasil entra em recessão, diz Tony Volpon Investimentos Copom cita piora das expectativas e interrompe sequência de cortes com Selic em 13,75% ao ano “No nosso cenário base, não prevemos mais cortes neste ano. ” Na visão de Vital, o comunicado da decisão do Copom na quarta-feira (4) “coloca a política fiscal quase que em xeque”.
O BC pode voltar a cortar em janeiro apenas “se o governo der uma sinalização do que vai ser a política fiscal em 2027, mas que, efetivamente, consiga tirar um pouco do prêmio de risco na curva de juros”. A sinalização que o mercado está esperando, pondera o economista da Warren, é a de continuidade de ajuste gradual e não mais de um “choque” fiscal. Conforme Vital, a principal preocupação recai sobre a atuação do governo para colocar a situação fiscal nos trilhos e ajustar as contas públicas mesmo que em um horizonte mais longo.
O sócio da consultoria GO Associados e professor da FGV, Gesner Oliveira, engrossa o coro de quem enxerga um período mais prolongado de manutenção de juros. “A porta para novos cortes está fechada por enquanto”, afirma. ” Leia também Investimentos Copom decide sob pressão: maioria do mercado espera manutenção da Selic Conforme Oliveira, o Banco Central construiu um quadro adverso no comunicado.
A autoridade monetária “diz que o ambiente ficou mais adverso, que a inflação acelerou, que as expectativas estão se desancorando e que os riscos para a inflação, agora, pesam para cima”. A decisão e o comunicado são compatíveis com um cenário em que o Banco Central mantém a taxa básica de juros em 13,75% por um período prolongado, afirma o economista-chefe do banco BV, Roberto Padovani. Uma retomada do ciclo de cortes só ocorreria perto da metade do próximo ano no cenário base do banco.
Conforme Padovani, na visão do BV, a Selic deve encerrar 2027 em 12,50% ao ano, em linha com projeção do Focus. O câmbio será uma variável importante a ser monitorada nos próximos meses, explica o coordenador dos Índices de Preços e especialista em política monetária e inflação da FGV Ibre, André Braz. ” Leia também Economia Selic ‘tabelada’ para não passar de 5,5% ao ano?
Entenda a proposta de André Lara Resende Investimentos Ibovespa afunda 18% e tem pior semana desde 2020; dólar salta 9% O economista da FGV pondera que se a moeda brasileira seguir desvalorizada pode comprometer mais a meta de inflação . O câmbio enfraquecido traz dois efeitos: o país exporta mais, mas desabastece o mercado interno e, com isso o preço doméstico sobe; no outro lado da moeda, tudo o que o Brasil importa fica mais caro, o que pode levar a uma persistência maior da inflação no médio prazo. Conforme Braz, “a desvalorização cambial vem da incerteza que o mercado vem carregando” sobre os rumos da política fiscal.
Nesse sentido, o BC preferiu “colocar a bola no chão e esperar que o mercado se acalme e que o governo apresente as propostas”. Se o governo passar a sinalizar maior austeridade e intenção em colocar as contas públicas nos eixos, o BC poderia voltar a ter espaço para novos cortes já em dezembro, acredita o economista. Leia também Investimentos Tesouro faz terceira intervenção e recompra R$ 31,6 bi em dois dias para conter taxas Mas existe também o cenário oposto: “o mercado pode incorporar um prêmio de risco maior a depender da sinalização do próprio governo”, considera o coordenador de índices da FGV.
O economista pondera ainda que a piora das contas públicas tem acontecido em todo o mundo, principalmente, entre as grandes nações. “Por aqui, mesmo com esse prêmio de risco e a taxa básica em 13,75% ninguém tomou calote e ninguém vai tomar. ” ]]>
Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.
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