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    InvestNews·08 de nov., 16:09

    Corrida da energia própria para IA: conta pode chegar a centenas de bilhões de dólares em 2027

    A aposta da Anthropic em geração própria de energia faz parte de uma corrida sem precedentes das gigantes de tecnologia para garantir energia estável e ininterrupta. A dona do Claude anunciou neste domingo (8), que vai adquirir US$ 3,4 bilhões em geradores a gás. Trata-se da maior compra por uma única companhia do setor de IA.

    Isso até o momento. Porque a corrida da geração própria está só começando. As cifras envolvidas nesse tipo de transação, provavelmente, vão acelerar daqui para a frente.

    O investimento ocorre por conta de uma constatação relativamente simples: as redes tradicionais não evoluem, nem de perto, rápido o suficiente para absorver a necessidade crescente de eletricidade para a infraestrutura de IA. Leia também Negócios Por que a Anthropic decidiu comprar US$ 3,4 bilhões em geradores? Energia para data center virou estratégia central na corrida da IA Por isso, para assegurar a própria sustentabilidade do negócio, as grandes companhias de tecnologia precisam garantir que não vai faltar luz no seu quintal de dados.

    Esse fornecimento contínuo, 24 horas por dia em 7 dias por semana, virou necessidade padrão na indústria de inteligência artificial. Isso porque o funcionamento ininterrupto dos data centers é necessário para proteger a integridade dos dados, manter os sistemas de refrigeração, evitar falhas em serviços digitais críticos e atender à demanda de usuários. A corrida da geração própria O recente avanço da Anthropic sobre turbinas a gás consolida o conceito de Bring Your Own Power (BYOP) no Vale do Silício: diante de filas que chegam a vários anos para conexão à rede elétrica pública nos Estados Unidos, as companhias de IA assumiram o papel de construtoras e operadoras de sua própria matriz energética.

    Para isso, pretendem investir centenas de bilhões só em 2027. Um detalhamento da empresa de infraestrutura de tecnologia Introl indica que os gastos com construção, refrigeração e energia para data centers representam cerca de 37% dos planos de investimentos das big techs. Leia também Negócios O mundo está ficando sem energia para a IA – e isso coloca o Brasil no mapa dos data centers A conta total de gastos pelas principais companhias do setor para o ano que vem alcança cerca de US$ 1,2 trilhões, segundo estimativas de vários bancos.

    Portanto, apenas gastos previstos com a implantação dos data centers e para garantir a energia a esses complexos somam algo como US$ 450 bilhões em 2027. Um Nordeste de consumo em um ano O Goldman Sachs prevê que a infraestrutura de IA nos EUA vai alcançar um consumo de 66 gigawatts (GW) em 2027, saindo de 41 GW neste ano. Os 66 GW equivalem a quase 25% da capacidade de geração instalada no Brasil, de cerca de 260 GW, conforme dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

    Tem outra conta possível de ser feita para dar uma dimensão de como a questão energética se tornou crítica para a inteligência artificial. Leia também Negócios Dona do TikTok negocia nova fase de complexo de data centers no Ceará Em termos de carga média, ou seja, do uso real da energia pelos usuários brasileiros, o consumo dos data centers nos EUA representa 78% do que vamos consumir em 2026. Só o acréscimo de 25 GW previsto para 2027 já corresponde a quase 30% do consumo anual brasileiro de energia.

    Em outras palavras, o crescimento de um ano dos data centers americanos equivaleria a somar ao Brasil uma região do tamanho do Nordeste e do Norte juntos, que hoje respondem por algo como 25 GW médios, conforme dados do ONS de outubro. O Brasil no radar dos data centers Enquanto os Estados Unidos e a Europa enfrentam restrições agudas de capacidade na rede, a América Latina e o Brasil, em particular, ganham relevância nas teses de expansão de infraestrutura para IA. Além da matriz com 87% da geração elétrica de fontes renováveis, o Brasil apresenta uma capacidade instalada grande o suficiente para sustentar novos projetos por vários anos, com “excesso” de produção em relação ao consumo real.

    Leia também Videos Como o Ceará atraiu o projeto de data center de R$ 200 bilhões do TikTok Nesse cenários, alguns centros se destacam. O Nordeste, especialmente o Ceará, ancorado no hub de cabos submarinos de Fortaleza e no polo de energias renováveis, e o interior de São Paulo vêm atraindo aportes de operadoras de hiperconectividade e fundos de infraestrutura como Scala Data Centers, Odata e Ascenty. A ByteDance, empresa chinesa dona do TikTok, por exemplo, mantém um projeto de US$ 10 bilhões (cerca de R$ 55 bilhões), com capacidade de 300 megawatts, sendo construido no Ceará.

    A companhia busca uma desenvolvedora para ampliar o projeto. O avanço em solo brasileiro, no entanto, ainda esbarra no custo de importação dos chips avançados, na complexidade tributária sobre bens de capital de alta tecnologia e na necessidade de licenciar grandes volumes de captação de água para os sistemas de refrigeração líquida dos servidores. Leia também Negócios Nova política de data centers deve destravar investimentos em 2026, prevê Ascenty: ‘O Brasil entrou no jogo’ Para incentivar a atração de novos projetos, o governo instituiu o Redata, regime especial de tributação.

    A projeto de lei que instituiu o incentivo fiscal foi aprovado pelo Congresso e sancionado em setembro deste ano . O texto suspende por 5 anos a cobrança de PIS, Cofins, IPI e Imposto de Importação na compra de GPUs, servidores, sistemas de memória e qualquer outro componente essencial para data centers que não seja fabricado no Brasil. A suspensão pode ser convertida em isenção após o cumprimento das regras de contrapartida.

    Cortes de energia nos EUA Além da espera por anos para conseguir se conectar às redes de energia tradicionais, os armazéns de dados nos EUA correm outro risco: o de desconexão em períodos de pico de consumo. Quem não conseguir garantir geração suficiente para atender às próprias necessidades, portanto, pode enfrentar cortes seletivos de energia a partir do próximo ano. A medida, por exemplo foi anunciada no fim de outubro pela PJM Interconnection, que coordena o mercado de energia e a transmissão em partes de 13 estados e no Distrito de Columbia.

    A operadora informou o mercado que pode adotar os cortes já a partir de meados de 2027. Leia também Negócios A mais recente resposta da Amazon à reação negativa aos data centers de IA: US$ 1 bilhão A PJM e outras operadoras de redes elétricas dos EUA enfrentam uma infraestrutura envelhecida e a demanda interminável de energia pela inteligência artificial. A fila de espera para conectar novos projetos industriais às concessionárias de transmissão, de operadores regionais como PJM, MISO e ERCOT, chega a superar cinco anos em polos estratégicos, como o norte da Virgínia, região conhecida como o “Data Center Alley”, por onde trafega a maior parte do tráfego de internet global.

    Projetos incluem energia nuclear A sobrecarga nas malhas de distribuição tradicionais tem levado as maiores empresas do setor a assinar contratos bilaterais bilionários, investir diretamente em infraestrutura de geração e até resgatar a matriz nuclear. Microsoft e a reativação de Three Mile Island : Em um dos acordos mais emblemáticos do setor, a Microsoft assinou um contrato de compra de energia por 20 anos com a Constellation Energy. A parceria viabilizou a reativação da unidade 1 da usina nuclear de Three Mile Island, na Pensilvânia, rebatizada de Crane Clean Energy Center, garantindo mais de 835 megawatts dedicados às operações de nuvem e IA da companhia.

    Google e os reatores nucleares modulares (SMRs) : O Google fechou um acordo inédito com a Kairos Power para adquirir energia gerada por pequenos reatores nucleares modulares. O plano prevê colocar em operação cerca de 500 megawatts até 2035, fornecendo eletricidade livre de emissões diretamente para os data centers da gigante das buscas. Amazon e o complexo nuclear de Susquehanna : A AWS desembolsou US$ 650 milhões para adquirir o data center da Cumulus Data, construído anexo à usina nuclear de Susquehanna, operada pela Talen Energy.

    O arranjo permite que os servidores consumam energia diretamente da usina ( behind-the-meter ), eliminando a dependência da rede pública de transmissão. A Amazon também fechou aportes de mais de US$ 500 milhões em projetos de SMRs com concessionárias públicas no estado de Washington e na Virgínia. Meta e fontes emergentes de geração firme : Para evitar depender exclusivamente de contratos solares e eólicos, que enfrentam problemas de intermitência, a Meta tem recorrido a acordos de geração geotérmica de última geração (incluindo parceria com a Sage Geosystems) e negociações com usinas termelétricas e nucleares para suportar os clusters de computação.

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