Corrida para abastecer a China com carne bovina já começou
“Um ano atípico”. É assim que Roberto Perosa, presidente da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne), define 2026. Suspensão das vendas para a União Europeia, cota chinesa esgotada e, por outro lado, Estados Unidos voltando a comprar carne magra, principalmente do Brasil, para abastecer o mercado interno e conter a inflação no preço da proteína.
Algumas demandas eram esperadas; outras foram surpresa. Nesse cenário, o mercado chinês, maior cliente da carne bovina brasileira, segue como prioridade. O esgotamento da cota de 1,106 milhão de toneladas, dentro das medidas de salvaguarda chinesas , praticamente interrompeu os embarques e trouxe efeitos para o setor frigorífico no terceiro trimestre.
Leia Mais Exportações de carne bovina caem com redução das compras da China Cota chinesa para carne bovina pode atingir 94,5% até o fim de junho Brasil deve enviar carta à China para rever cota da carne bovina Em agosto, as exportações para a China recuaram 98% . A redução severa dos embarques afetou as margens e o fluxo de caixa das empresas habilitadas a exportar. “Se não fosse a restrição imposta pela cota, o Brasil teria facilmente alcançado a marca de 2 milhões de toneladas de carne exportadas para a China.
Estávamos preparados para isso”, diz Perosa. Em 2025, o país embarcou volume recorde de 1,6 milhão de toneladas. A criação da cota, que passou a valer em janeiro, provocou uma corrida dos exportadores para antecipar as vendas ao mercado chinês.
Sem uma regra para distribuir os embarques ao longo do ano, as empresas aceleraram as vendas e a cota acabou concentrada no primeiro semestre. “No ano passado, ficamos sabendo o ‘tamanho da cota’ praticamente na véspera”, afirma o executivo. O problema agora é evitar que a história se repita em 2027.
A China estabeleceu uma cota de 1,128 milhão de toneladas para o próximo ano, apenas cerca de 20 mil toneladas acima do volume de 2026. Segundo Perosa, os embarques destinados ao cumprimento dessa cota, com tarifa menor, devem começar em novembro deste ano. Com a antecipação das vendas, a Abiec avalia que os 1,128 milhão de toneladas podem ser preenchidos já entre março e abril de 2027.
É justamente para evitar esse cenário que a entidade defende uma mudança na forma de distribuição da cota. A proposta é substituir o modelo atual, de vendas livres, por uma divisão entre as empresas exportadoras, com volumes definidos de acordo com o histórico de cada frigorífico e distribuídos ao longo de um período maior. “Essas cotas seriam distribuídas de acordo com o share, com o histórico de exportação dessas empresas para a China”, explica Perosa.
A ideia já foi apresentada ao governo federal, mas ainda não avançou. “Talvez depois das eleições a proposta volte à pauta”, diz o presidente da Abiec. A preocupação não é apenas com o volume total autorizado, mas com a velocidade com que ele será utilizado.
O esgotamento precoce da cota cria um período de escassez de contratos e pode afetar as decisões de compra e abate dos frigoríficos. Mesmo com as vendas praticamente suspensas neste momento, uma missão chinesa chega ao Brasil no domingo (20) para vistoriar e habilitar novas plantas frigoríficas. Hoje, 63 unidades estão autorizadas a exportar ao mercado chinês.
Perosa defende uma “previsibilidade regulatória com eficiência que garanta a estabilidade econômica e equilíbrio para a pecuária brasileira também nos próximos anos”. Sem uma nova regulamentação, indústrias e exportadores já se preparam para retomar, a partir de outubro, os abates de “gado padrão China”: animais jovens, com até 30 meses de idade. O mercado futuro já precifica esse movimento, com cotações do boi acima de R$ 380 nos primeiros meses do ano, em meio à expectativa de retomada da demanda chinesa.
Mas a intensidade dessa demanda ainda é uma incógnita. “Tudo vai depender de como estará o apetite chinês”, diz Perosa. O presidente da Abiec destaca que os estoques de carne bovina na China estão elevados e que a produção de carne suína, a proteína mais consumida no país, aumentou.
Esses fatores podem influenciar o ritmo de compras chinesas no próximo ano. ]]>
Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.
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