Crédito Cresce para Empresas e Famílias, Mas Juros Elevados Pressionam Orçamento
Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo. O crédito no Brasil continua a crescer , mas tomar dinheiro emprestado ficou mais caro e pagar as dívidas pesa cada vez mais no orçamento das famílias. Em setembro, o estoque de empréstimos e financiamentos do sistema financeiro chegou a R$ 7,4 trilhões, alta de 0,4% em relação a agosto.
O avanço, porém, vem perdendo força: em 12 meses, o crescimento foi de 8,6%, abaixo dos 9,4% registrados até agosto, segundo dados do Banco Central . A desaceleração ocorre em um momento em que os juros elevados encarecem novos empréstimos e dificultam a reorganização das finanças de quem já está endividado. Em agosto, quase três décimos da renda das famílias eram destinados ao pagamento de dívidas e juros.
Ao mesmo tempo, a inadimplência – quando os pagamentos ficam em atraso – permanecia elevada. O resultado é um mercado em que o crédito continua movimentando a economia, mas exige mais cuidado de quem toma emprestado. O custo do dinheiro ajuda a entender essa pressão.
Em setembro, os juros médios das novas operações de crédito chegaram a 32,4% ao ano. Nas linhas em que os bancos têm liberdade para definir as taxas, como o crédito pessoal e o cartão, a média foi ainda maior: 49% ao ano. Para as pessoas físicas, chegou a 62,4%.
Quanto mais altos os juros, maior o valor necessário para quitar uma dívida. Para quem já compromete boa parte da renda com despesas fixas, um empréstimo pode aliviar uma dificuldade imediata e, ao mesmo tempo, tornar os meses seguintes mais apertados. O cartão de crédito rotativo é um exemplo.
Acionado quando o consumidor não paga a fatura integralmente e financia o saldo restante, ele está entre as modalidades mais caras do mercado . Em setembro, sua taxa média subiu 6,8 pontos percentuais em relação a agosto. Isso significa que deixar parte da fatura para depois pode ter um custo ainda maior, especialmente quando o saldo não é quitado rapidamente.
A pressão não se limita às famílias. Para as empresas, os juros médios do crédito livre chegaram a 24,4% ao ano em setembro. O encarecimento dos empréstimos pode aumentar o custo de financiar estoques, pagar fornecedores e manter operações, sobretudo para negócios que dependem de capital de giro.
Apesar dessas condições, o volume de empréstimos segue aumentando. O crédito destinado às famílias somou R$ 4,7 trilhões em setembro, enquanto o das empresas chegou a R$ 2,8 trilhões. No acumulado de 12 meses, o financiamento às famílias cresceu 9,9%, ritmo superior ao avanço de 6,5% registrado entre as empresas.
Parte da expansão do crédito às pessoas físicas veio dos empréstimos consignados , descontados diretamente do salário ou do benefício previdenciário, e dos financiamentos de veículos. O consignado costuma oferecer condições diferentes das linhas sem garantia de pagamento, justamente porque o desconto automático reduz o risco para o banco. Ainda assim, a contratação de crédito compromete uma parcela da renda futura, que deixa de estar disponível para outras despesas.
Entre as empresas, o crescimento mensal do crédito livre foi impulsionado principalmente pela antecipação de recebíveis. Nessa operação, uma companhia recebe antes o dinheiro de vendas que seriam pagas posteriormente. É uma forma de reforçar o caixa sem esperar o vencimento das faturas, embora o recurso tenha um custo financeiro.
O crescimento do estoque de empréstimos, porém, não significa que os bancos estejam liberando mais dinheiro a cada mês. Em setembro, o volume de crédito concedido a pessoas e empresas, descontadas as variações sazonais, caiu 1,3% em relação a agosto. A retração foi de 3,4% entre as empresas, enquanto os empréstimos às famílias cresceram 0,6%.
O sinal de maior preocupação está na dificuldade de pagamento das dívidas. Em setembro, a inadimplência ficou em 5% do total de empréstimos e financiamentos do sistema financeiro, estável em relação a agosto, mas 0,9 ponto percentual acima do nível de um ano antes. Entre as famílias, o indicador chegou a 6%.
A situação é mais delicada nas linhas de crédito em que os bancos definem livremente as condições dos empréstimos, como crédito pessoal, cartão e cheque especial. Nessas operações, 8,1% do saldo devedor das famílias estava inadimplente em setembro, ante 6,9% um ano antes. O avanço indica que uma parcela maior dessas dívidas enfrenta atrasos nos pagamentos.
Dívidas comprometem 50,1% da renda O endividamento dos consumidores ajuda a explicar por que a situação merece atenção. Em agosto, as dívidas correspondiam a 50,1% da renda acumulada em 12 meses, ante 48,9% um ano antes. Já a parcela da renda comprometida com o pagamento dessas obrigações chegou a 29%, também acima do nível registrado no mesmo período do ano passado.
Os indicadores medem coisas diferentes. O endividamento compara o total das dívidas com a renda das famílias; o comprometimento mostra quanto dessa renda é consumido pelos pagamentos ao longo do tempo. Uma família pode ter dívidas e estar em dia com elas.
O risco aumenta quando as prestações ocupam uma fatia crescente do orçamento e sobra menos dinheiro para alimentação, moradia, transporte e imprevistos. É essa combinação que torna o cenário mais delicado. O crédito pode sustentar o consumo e ajudar famílias e empresas a distribuir despesas ao longo do tempo.
Mas, quando os juros são elevados e uma parcela maior da renda já está comprometida, recorrer a novos empréstimos se torna mais caro e deixa menos espaço para absorver choques financeiros. O post Crédito Cresce para Empresas e Famílias, Mas Juros Elevados Pressionam Orçamento apareceu primeiro em Forbes Brasil . ]]>
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