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    Crise de moradia domina eleição em Berlim e vira teste para Merz
    CNN Brasil·19 de set., 15:00

    Crise de moradia domina eleição em Berlim e vira teste para Merz

    Os berlinenses andam de bicicleta, fazem piqueniques e soltam pipas nas antigas pistas de pouso do Tempelhofer Feld, um vasto parque urbano marcado pela era nazista e que, mais tarde, serviu de linha vital durante a Ponte Aérea de Berlim (1948-1949), quando os aliados ocidentais abasteceram a cidade bloqueada por via aérea. Agora, o antigo aeródromo foi envolvido em uma crise diferente para a capital alemã , às vésperas da eleição de 20 de setembro — um pleito marcado, em grande parte, pelo debate sobre a disparada dos aluguéis e a necessidade urgente de novas moradias. A questão de construir ou não habitações nas bordas do Tempelhofer Feld tornou-se um dos temas eleitorais mais visíveis e divisivos de Berlim, cristalizando um conflito mais amplo entre a grave escassez de moradias na cidade e a preservação de espaços verdes públicos.

    Vitória da AfD na Alemanha é resultado de erros dos globalistas, diz Putin Após tensão com a Rússia, Alemanha sugere que Ucrânia compre armas alemãs Chanceler alemão cancela conversa com Trump por vitória da AfD Em uma cidade onde 85% das famílias vivem em imóveis alugados, habitação e aluguéis são, de longe, a maior preocupação dos eleitores berlinenses antes da eleição — citados por 32% dos entrevistados na mais recente pesquisa “BerlinTrend” do instituto Infratest dimap, superando com folga temas como imigração , criminalidade e transporte. Após a vitória do partido de extrema-direita AfD (Alternativa para a Alemanha) no estado da Saxônia-Anhalt, no leste do país, a eleição — que ocorre no mesmo dia em que o estado vizinho de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental também vai às urnas — configura-se como o mais recente teste de apoio ao governo do chanceler Friedrich Merz , que enfrenta dificuldades. O crescimento tem um lado negativo Na última década, o crescimento econômico de Berlim superou o desempenho lento da economia alemã como um todo, impulsionado principalmente pelo setor de serviços, que gera quase 90% da produção econômica da cidade.

    Berlim tornou-se a capital das startups na Alemanha , ultrapassando Munique com cerca de 500 empresas fundadas a cada ano. ​​ No entanto, esse crescimento teve um custo, elevando os aluguéis à medida que a população da cidade aumentava. Desde 2014 — quando quase dois terços dos eleitores de Berlim apoiaram um referendo para manter a área de Tempelhof em grande parte livre de novos empreendimentos imobiliários —, os valores anunciados dos aluguéis quase dobraram.

    Aém disso, a cidade precisará de 211 mill novas moradias entre 2026 e 2040, segundo estimativas do governo local. Os responsáveis ​​pelo projeto de Tempelhof afirmam que ele ajudará a aliviar a escassez de moradias na capital, mas muitas pessoas que enfrentam dificuldades para pagar os aluguéis na cidade dizem que é preciso fazer mais para tornar a habitação acessível. Em 5 de setembro, milhares de manifestantes reuniram-se em Berlim para protestar contra os aluguéis elevados.

    800 reais) ou mais de aluguel por um apartamento de um ou dois cômodos. Quem, afinal, teria condições de pagar isso? Não vejo como seja possível com empregos comuns”, disse Mareen Harant, uma das manifestantes.

    Para o partido AfD, a crise habitacional de Berlim reforçou seus argumentos a favor da restrição à imigração. O partido conta com cerca de 17% de apoio na capital, ficando atrás do CDU (Democratas-Cristãos) de Merz e do partido de extrema-esquerda “A Esquerda” (Die Linke), mas à frente tanto do (SPD) (Social-Democratas), de centro-esquerda, quanto do Partido Verde, segundo a pesquisa mais recente realizada em 11 de setembro pelo instituto Forschungsgruppe Wahlen. Embora as pesquisas indiquem que a AfD ficará fora do governo, a campanha eleitoral tem sido tudo, menos um triunfo para a CDU (partido governista) e seus parceiros de coalizão do SPD.

    Para além da eleição do próximo domingo (20), o perfil da cidade vem mudando, o que poderá ter implicações em pleitos futuros. Outrora um símbolo global de uma estética urbana despojada e autêntica — “pobre, mas sexy”, nas palavras do ex-prefeito Klaus Wowereit —, Berlim assemelha-se cada vez mais a outras grandes cidades europeias. “O crescimento também tem um lado negativo: os preços sobem e, sobretudo, o valor dos terrenos aumenta, tornando o espaço escasso”, afirmou Martin Gornig, pesquisador do DIW Berlin (Instituto Alemão de Pesquisa Econômica).

    Não são apenas os aluguéis que estão subindo; a cena de clubes da cidade — que ajudou a definir a identidade de Berlim e contribuiu para torná-la um dos principais destinos europeus para viagens de curta duração — também enfrenta dificuldades. Segundo um estudo recente da Clubcommission, a associação de clubes da capital, apenas 30% dos estabelecimentos relataram lucro, enquanto 95% afirmaram que sua existência está em risco. Para continuar atraente tanto para turistas quanto para moradores, o próximo governo de Berlim terá de enfrentar uma crise habitacional que levou manifestantes às ruas e ameaça a cultura de clubes que ajudou a definir a cidade.

    “O recurso mais importante que uma cidade possui é o seu espaço”, disse Gornig. ” AfD comemora vitória histórica em eleição estadual na Alemanha | CNN NOVO DIA ]]>

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