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    InvestNews·04 de nov., 14:43

    Crise no Paraguai: clientes do Ueno ficam sem acesso a contas após intervenção

    “Não podemos exibir seu saldo. ” Essa era a única mensagem que Deisy Asva, estudante de enfermagem de 20 anos, conseguia ver na manhã de terça-feira ao tentar acessar suas economias no Ueno Bank, instituição que atende um em cada três paraguaios. Pouco depois das 3h, enquanto a maior parte do país dormia, o Banco Central do Paraguai anunciou o fechamento da instituição devido a uma crise de solvência.

    Em seguida, o Ministério Público abriu uma investigação e emitiu mandados de prisão contra pelo menos oito pessoas ligadas ao Ueno, entre elas Miguel Vázquez, presidente do Grupo Vázquez, controlador do banco. O presidente do Paraguai, Santiago Peña, foi anteriormente investidor na holding do Ueno, mas vendeu sua participação em março de 2025. Leia também Economia Crise no Ueno Bank derruba presidente do BC do Paraguai e leva a intervenção federal Negócios O Brasil está perdendo energia de Itaipu para o Paraguai.

    E os data centers vão acelerar isso Os reguladores insistiram que a situação é isolada e que os depósitos de até 228 milhões de guaranis (US$ 37,4 mil) terão garantia do governo. O Banco Central tem 15 dias para devolver os valores. Ainda assim, a medida pouco tranquiliza clientes como Asva, que tentam descobrir como pagar despesas como aluguel, supermercado e transporte público enquanto seus depósitos permanecem bloqueados.

    Na capital, Assunção, clientes se reuniram diante de agências fechadas em busca de respostas. Centenas de pessoas se aglomeraram em torno de uma unidade do Ueno em Ciudad del Este, enquanto reclamações de correntistas impossibilitados de acessar o próprio dinheiro inundavam as redes sociais. A Polícia Nacional colocou todo o efetivo em alerta máximo e enviou agentes para agências bancárias em todo o país.

    Para Asva, que mora em San Lorenzo, nos arredores de Assunção, o fechamento significa perder temporariamente o acesso à conta que utilizava todos os dias para recarregar o cartão de transporte, comprar lanches na universidade e pagar outras despesas cotidianas. Ela também tem mensalidades universitárias com vencimento no sábado. ”, disse.

    ” A dimensão do problema reflete o quanto o Ueno passou a fazer parte da vida financeira cotidiana dos paraguaios. Em junho, o banco informou que tinha mais de 2,9 milhões de clientes em um país com aproximadamente 6,1 milhões de habitantes e processava mais de 3 milhões de transações por dia. Mais de 32 mil aposentados recebiam seus benefícios do IPS, o sistema de previdência social do Paraguai, por meio da instituição.

    Poucas horas antes do anúncio do Banco Central, o Ueno ainda incentivava os clientes a colocar mais dinheiro na instituição. Na noite de segunda-feira, a contadora Rocío Zárate transferiu 1 milhão de guaranis para sua conta no Ueno, atraída por uma das generosas promoções que ajudaram a impulsionar a rápida expansão do banco. Clientes que depositassem dinheiro novo e o mantivessem na instituição até 7 de novembro receberiam um reembolso de 50% sobre uma compra feita com cartão de crédito.

    Poucas horas depois, o Banco Central do Paraguai anunciou que havia colocado o Ueno sob regime de resolução, após constatar que seu índice de solvência havia caído abaixo do mínimo exigido de 50%, depois de ajustes nos demonstrativos contábeis. “Eu estava me preparando para sair para o trabalho quando meu tio me perguntou: ‘Você tem dinheiro no Ueno? Porque o banco sofreu uma intervenção’”, contou Zárate, de 36 anos, que já tinha outros 2 milhões de guaranis depositados na instituição.

    “Foi muito chocante. ” A tensão explodiu em Ñemby, nos arredores da capital, onde um cliente de 45 anos quebrou a porta de vidro de uma agência do Ueno depois de procurar informações sobre suas economias, segundo o jornal local Última Hora. Ele cortou a perna e foi levado para atendimento médico antes de ser convocado pelo Ministério Público para prestar esclarecimentos sobre o episódio.

    O fechamento do Ueno também afeta empresas que passaram a depender do banco digital. A associação paraguaia de importadores e varejistas alertou para uma “semiparalisação” do comércio e afirmou que dois terços das transações eletrônicas em grandes lojas do varejo eram realizadas por meio de contas do Ueno. María Elena González, administradora de empresas de 41 anos e gerente de uma consultoria, utilizava o Ueno para receber os pagamentos de aluguel de um apartamento que possui com o marido.

    Assim que soube da notícia na manhã de terça-feira, pediu a ele que avisasse aos inquilinos para interromperem as transferências para a conta. “Fiquei muito surpresa”, disse González. Sua maior preocupação, porém, é a aposentadoria.

    Ela contribui para o sistema previdenciário do IPS há 18 anos. O fundo tem cerca de US$ 300 milhões depositados no Ueno. Como ainda pretende contribuir por mais uma década, ela teme que não haja dinheiro suficiente quando chegar o momento de se aposentar.

    “Não sei como estará esse fundo daqui a dez anos”, afirmou. O Banco Central tem tentado conter o pânico, classificando os problemas do Ueno como isolados e afirmando que o sistema financeiro paraguaio, de forma geral, permanece saudável. Segundo autoridades, cerca de 97% dos depositantes do Ueno têm saldos dentro do limite da garantia de depósitos oferecida pelo governo.

    Mas mesmo os clientes que esperam recuperar todo o dinheiro enfrentam um problema imediato: como atravessar os próximos dias ou semanas até conseguirem acessar os recursos. Para Zárate, a confiança que tinha no Ueno já acabou. ” ]]>

    Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.

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