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    Custo dos juros da dívida rural sobe 191% em quatro anos, mostra Cepea
    CNN Brasil·02 de nov., 21:21

    Custo dos juros da dívida rural sobe 191% em quatro anos, mostra Cepea

    O custo anual dos juros sobre a dívida rural brasileira avançou 191% entre 2021 e 2025, passando de R$ 34 bilhões para R$ 99 bilhões, em valores corrigidos pela inflação. No mesmo período, a taxa média das novas operações de crédito rural para pessoas físicas subiu de 6,3% para 12,2% ao ano. O diagnóstico está em um estudo do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP.

    De acordo com o levantamento, em agosto de 2026, o percentual de operações rurais com parcelas vencidas há mais de 90 dias chegou a 9,7%, ante 0,77% em dezembro de 2022. É o maior nível da série histórica do Banco Central iniciada em 2011. O encarecimento do financiamento, combinado à perda de rentabilidade em parte das atividades agropecuárias , ajuda a explicar a disparada da inadimplência no campo.

    Leia Mais: Plantio de soja no Brasil chega a 53%, segundo a AgRural Soja recua 1,42% em Chicago com pressão da nova safra dos EUA Café fecha em alta de 1,71% na bolsa de Nova York com estoques reduzidos Os pesquisadores Lucilio Alves e Geraldo Barros apontam que o recorde de inadimplência não decorre simplesmente de um endividamento excessivo em relação à renda do setor. A mudança está no custo da dívida, na composição das fontes de financiamento e na concentração dos compromissos em atividades que perderam margem. Uma das transformações identificadas foi o avanço do crédito a taxas de mercado.

    Essas fontes representavam 5% das contratações rurais em 2013 e chegaram a 40% em 2025. Em agosto deste ano, a inadimplência nessas operações era de 17,6%, contra 3,8% nas linhas com taxas controladas. Embora respondessem por cerca de 43% do saldo das pessoas físicas, as operações a mercado concentravam aproximadamente 77% do saldo em atraso.

    Crise mais forte nos grãos A deterioração financeira também tem relação com a perda de rentabilidade no campo. Entre 2021 e 2025, os preços reais dos grãos caíram 28%, enquanto os da pecuária avançaram 12%. No mesmo intervalo, a renda do ramo agrícola recuou de R$ 599 bilhões para R$ 539 bilhões.

    A pecuária, por outro lado, passou de R$ 270 bilhões para R$ 331 bilhões, em valores corrigidos. O custo dos fertilizantes ampliou a pressão sobre os produtores de grãos. Em 2025, foram necessárias, em média, 29,1 sacas de soja para comprar uma tonelada de fosfato diamônico (DAP), ante 16,7 sacas na média entre 2010 e 2019.

    A diferença também aparece no mapa da inadimplência. Goiás, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso registraram taxas de 8,8%, 7,4% e 6,3%, respectivamente. No Maranhão e no Tocantins, os percentuais superaram 15%.

    Já no Rio Grande do Sul, o problema está mais concentrado em operações prorrogadas e renegociadas, em reflexo também das enchentes de 2024. R$ 205 bilhões em carteira problemática A dimensão do problema vai além dos atrasos superiores a 90 dias. Em agosto de 2026, a carteira problemática do crédito rural somava R$ 205 bilhões, equivalente a 23,8% da carteira ativa de R$ 862,7 bilhões.

    O valor inclui R$ 105 bilhões em dívidas renegociadas, R$ 31 bilhões prorrogadas, R$ 48,5 bilhões inadimplentes e R$ 21 bilhões em atraso. Portanto, boa parte das operações já precisou de algum tipo de reorganização para evitar o agravamento da situação. A dificuldade financeira também alcança outros elos da cadeia.

    Segundo levantamento do Núcleo de Estudos em Operações e Transformações do Agronegócio (NEOT) citado na pesquisa, foram registrados 517 pedidos de recuperação judicial no agronegócio no primeiro trimestre de 2026. Desse total, 212 partiram de empresas como revendas de insumos, agroindústrias, usinas e companhias de logística e armazenagem. 376/2026, criada para facilitar a renegociação de dívidas rurais , havia alcançado R$ 5,98 bilhões até 5 de outubro, apenas 5% dos R$ 120 bilhões estimados inicialmente pelo governo, segundo os pesquisadores do Cepea.

    Outro dado chama a atenção: apenas R$ 79 milhões foram destinados à renegociação de dívidas de investimento, o equivalente a 1,3% do total contratado. Para os pesquisadores, esse é um ponto importante, já que parte do endividamento está associada a investimentos realizados entre 2020 e 2022, quando as margens do setor eram mais elevadas. O estudo conclui que a resposta à crise não deve ser necessariamente um alongamento generalizado dos débitos.

    É preciso distinguir produtores com dificuldades temporárias de caixa daqueles cuja capacidade de geração de renda já não comporta o tamanho da dívida. Eleições 2026: agro cobra crédito e seguro rural; veja as principais demandas | CNN AGORA ]]>

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