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    CV amplia domínio sobre rotas do tráfico e supera PCC na Amazônia
    CNN Brasil·28 de set., 15:14

    CV amplia domínio sobre rotas do tráfico e supera PCC na Amazônia

    O CV (Comando Vermelho) ampliou seu domínio sobre as rotas do tráfico na Amazônia e superou o PCC (Primeiro Comando da Capital) na disputa pela região. Além de ser um dos principais corredores para o transporte internacional de cocaína, a Amazônia também é um importante polo do comércio ilegal de ouro. Um relatório elaborado por Gabriel Funari, da Global Initiative , aponta que o avanço do CV na região tem transformado a facção em um ator cada vez mais relevante no tráfico de drogas.

    Com a expansão do grupo, o PCC perdeu espaço na disputa pelas rotas amazônicas . Segundo o estudo, o CV desenvolveu vínculos com traficantes locais, passou a atuar no comércio de ouro e estabeleceu esquemas de corrupção com autoridades e instituições da região. Essas conexões ajudaram a facção a consolidar formas de governança criminal nos principais polos das rotas de drogas pela Amazônia .

    A posição atual do CV na região permite ao grupo ampliar relações comerciais com compradores europeus e fortalecer sua expansão internacional , aproveitando oportunidades de lucro ilícito e as fronteiras internacionais porosas da Amazônia. Leia Mais "Presídio deixou de ser solução no Brasil", diz ex-capitão do Bope à CNN PCC e CV no Escudo das Américas: o que muda para as facções brasileiras? PCC evolui de violência na fronteira para laboratórios de cocaína na Europa Monopólio do tráfico De acordo com o estudo, o domínio do Comando Vermelho na Amazônia ocorreu através de um processo gradual de expansão geográfica, assimilação de facções locais e adoção de um modelo organizacional flexível.

    Em 1990, o CV já era apontado como uma força dominante no mercado de drogas do Rio de Janeiro e buscava diversificar suas cadeias de fornecimento de cocaína. Até então, a facção obtinha cocaína exclusivamente da Bolívia, por meio de rotas terrestres pelo Paraguai. À época, Fernandinho Beira-Mar, o líder do grupo, propôs que a facção passasse a atuar na região da tríplice fronteira amazônica, visando construir uma aliança estratégica com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) .

    Segundo Funari, o CV fornecia armas brasileiras ao grupo colombiano, que as pagava com cocaína . A pesquisa mostra que a aliança com as Farc foi essencial para permitir que a facção se expandisse por toda a Amazônia, à medida que o grupo passou a transportar volumes cada vez maiores de cocaína pela rota do Solimões . Além do tráfico, a facção ainda diversificou atividades para a produção de coca, mineração ilegal de ouro e pesca clandestina, usando essas operações para ampliar recursos e lavar dinheiro.

    Leia também: PCC e CV usam Amazônia como rota para exportação de cocaína Abin aponta crescimento do CV e PCC na fronteira com Colômbia em sete anos | CNN NOVO DIA Segundo Funari, durante a ampla expansão e domínio da região, o CV também conqusitou controle territorial sobre a maior parte das favelas e conjuntos habitacionais de Manaus . A presença do grupo pode ser observada nas diversas pichações com a sigla da facção espalhadas pelos espaços públicos da cidade. Disputa com o PCC Há seis anos, o CV assumiu pontos de distribuição em Manaus após incorporar remanescentes da FDN (Família do Norte) ao grupo.

    Neste período, a facção carioca venceu a disputa territorial contra o PCC e conquistou o monopólio da região . Desde então, em 10 de fevereiro de cada ano, integrantes do grupo promovem queimas de fogos pela cidade para celebrar a vitória e reafirmar sua autoridade criminal sobre a capital amazonense. Após perder a disputa para o Comando Vermelho , o PCC manteve presença em Roraima, na fronteira com a Venezuela, apontado como o único estado amazônico onde o grupo ainda está em ascensão .

    De acordo com o relatório, a monopolização do CV sobre a rota de exportação de drogas por Belém provocou reação de outros grupos criminosos, que adaptaram suas estratégias de tráfico pela Amazônia. Isso fez com que o PCC também passasse a atuar na região, como parte de uma estratégia mais ampla de expansão das operações de exportação de drogas. Veja também: Cocaína e ouro ilegal impulsionam expansão do PCC e CV na Amazônia A “rota do tráfico” Segundo o relatório, os fluxos de cocaína estão sendo redirecionados pela Amazônia, com o Amapá emergindo como um importante polo de exportação ao lado das rotas consolidadas por Belém.

    Mas, antes de entender como o processo se expandiu, é importante lembrar como a Amazônia virou alvo das organizações. A bacia amazônica possui uma vasta rede fluvial que conecta produtores andinos a portos globais. Diante disso, as facções enxergaram o local como um pilar estratégico para o tráfico transnacional de drogas.

    PCC sem fronteiras: como funciona expansão internacional das facções Historicamente, essa dinâmica começou com os cartéis de Medellín e Cali, que estabeleceram a “ rota do Solimões” –– hoje sob controle do Comando Vermelho –– para exportar cocaína via Manaus e Belém. A rota abrange a região de Tabatinga na tríplice fronteira com Peru e Colômbia e tornou-se um ponto estratégico para o crime organizado. Com a queda desses cartéis, as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e o Comando Vermelho formaram alianças táticas, trocando armamentos por entorpecentes e consolidando o domínio do crime organizado .

    Atualmente, a Amazônia serve tanto como corredor para o mercado internacional quanto para o consumo interno brasileiro . Segundo o relatório, a droga produzida na Colômbia e no Peru é transportada principalmente por rios até Manaus, em pequenas embarcações pesqueiras. Rotas de exportação de cocaína pela Amazônia.

    • Amazônia Brasileira: Novos corredores do tráfico e expansão do controle criminal/Global Initiative A cidade funciona como um entreposto logístico, de onde as cargas são distribuídas para o Sudeste ou seguem em embarcações maiores até Belém, de onde são exportadas pelo Atlântico para mercados internacionais. Uma parcela menor chega à região de Manaus por aviões de pequeno porte. Funari aponta que a geografia desafiadora e a fiscalização precária, limitada por custos elevados e corrupção, são agentes facilitadores para a prática de atividades ilícitas na região.

    PCC e CV usam Amazônia como rota para exportação de cocaína ]]>

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