Da Tempestade À Nova Fábrica: Como a Toyota Evitou Parar a Produção no Brasil
Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo. Por volta das 13h de 22 de setembro de 2025, a Toyota perdeu uma fábrica em poucos minutos. Um temporal atingiu Porto Feliz , no interior de São Paulo, com rajadas de vento de até 90 km/h.
O teto da unidade de motores foi arrancado e uma operação essencial para a produção brasileira da montadora estava, de uma hora para outra, comprometida. Gilberto Paulino, diretor industrial da Toyota do Brasil, lembra com precisão daquele começo de tarde. ” Duas semanas antes, os funcionários haviam participado de um treinamento de evacuação e isso foi fundamental para não ter nenhum funcionário gravemente ferido, apesar do tamanho do estrago.
Cerca de meia hora depois do incidente, segundo ele, todo o board da companhia já estava reunido. O problema não era apenas reconstruir um prédio. Mais de 800 equipamentos precisavam ser retirados da área atingida.
Ao todo, 622 máquinas acabariam transferidas. Os fornos da fundição foram perdidos depois de esfriarem, e a estrutura original precisou ser demolida. Havia ainda uma corrida contra o calendário.
5 flex híbrido ligado à operação de Porto Feliz. “O mais crítico era a instalação da fábrica porque tinha um produto para sair logo depois”, afirma Paulino. Esperar a reconstrução não era uma opção.
A solução encontrada foi montar uma segunda fábrica, provisória, dentro de um condomínio industrial. Um ano depois, nesta terça-feira (22), parte da produção começa a voltar para Porto Feliz. A fundição será retomada exatamente 12 meses após o temporal.
A operação completa, porém, ainda levará tempo: a previsão é que a fábrica reconstruída esteja plenamente operacional em 2028. Divulgação A fábrica temporária já montou aproximadamente 42 mil motores, em um ritmo próximo de 400 unidades por dia A fábrica que nasceu da emergência Foi nesse intervalo que o DVR entrou na história. A Forbes Brasil esteve no condomínio industrial usado pela Toyota em Porto Feliz, a aproximadamente 11 quilômetros da fábrica de veículos de Sorocaba.
Para Paulino, é “muito perto” quando se considera a logística necessária para manter a produção funcionando. O DVR não nasceu como uma fábrica tradicional da Toyota. É um condomínio de empresas no qual a montadora ocupou nove módulos e transformou parte da estrutura em uma operação industrial temporária.
O espaço usado pela companhia soma 45 mil metros quadrados — bem acima dos 28 mil metros quadrados calculados inicialmente como necessidade mínima. Ali foram instaladas máquinas retiradas de Porto Feliz e linhas necessárias para manter a produção dos motores. Hoje, 373 pessoas trabalham no local.
5 flex híbrido do Yaris Cross. Em 26 de janeiro de 2026, saiu dali o primeiro motor produzido após a reorganização. Desde então, foram cerca de 42 mil unidades, em um ritmo próximo de 400 motores por dia.
“É o primeiro motor híbrido flex produzido no Brasil”, afirma Paulino. 5. 0 do Corolla também estão armazenados no local, mas essa motorização não é produzida ali neste momento.
A operação temporária acabou se tornando uma espécie de ponte entre a fábrica destruída e a que está sendo construída. Divulgação Em poucos minutos a tempestade destruiu a fábrica completamente O caminho de volta Nesta terça-feira, Porto Feliz volta a realizar a fundição, etapa que retorna com cerca de 150 funcionários até o fim de 2026. Usinagem e montagem continuam, por enquanto, no DVR.
A transferência definitiva será gradual. Isso significa que a linha do Yaris Cross ainda poderá permanecer durante algum tempo no condomínio industrial. A Toyota também decidiu aproveitar a reconstrução para mudar a escala da unidade.
A nova fábrica será maior e deverá alcançar cerca de 700 motores por dia quando estiver concluída, ante o ritmo de aproximadamente 400 unidades diárias da operação atual. Paulino evita revelar quanto a empresa perdeu com o temporal ou quanto precisou desembolsar especificamente para montar o plano de recuperação. Mas faz uma observação sobre a origem do dinheiro usado na reorganização.
” A nova estrutura de Porto Feliz também será ampliada para atender às necessidades futuras da companhia. Segundo o executivo, a fábrica existente antes do temporal representava apenas uma fração do que está projetado para a próxima etapa da operação. Divulgação Um ano depois da tragédia, nesta terça-feira (22), parte da produção começa a voltar para Porto Feliz Ajuda do outro lado do mundo Enquanto equipes no Brasil retiravam máquinas, procuravam espaço e montavam a operação provisória, a Toyota também precisou recorrer à própria rede internacional.
Fábricas no Japão, Europa e Ásia passaram a fornecer motores e componentes para o país. A reorganização permitiu que a produção brasileira de veículos fosse retomada cerca de 40 dias depois do incidente . Ao mesmo tempo, a empresa manteve fornecedores locais.
A resposta combinou, portanto, duas estratégias: usar a escala global para resolver o problema imediato e criar uma estrutura brasileira capaz de assumir novamente a produção. A fábrica de Porto Feliz volta agora justamente como parte dessa segunda etapa. “A reconstrução de Porto Feliz é também um projeto de competitividade industrial”, afirma Paulino.
Uma reconstrução dentro de um plano maior O episódio aconteceu enquanto a Toyota executa um de seus maiores ciclos de investimento no Brasil. A montadora prevê R$ 11,5 bilhões até 2030, com recursos destinados a novos produtos, expansão da produção de veículos e motores e projetos ligados à tecnologia híbrida flex. O Yaris Cross faz parte desse plano.
Por isso, o temporal atingiu a empresa em um momento especialmente sensível. Não se tratava apenas de recuperar uma unidade já existente, mas de impedir que o problema comprometesse projetos que ainda estavam entrando em produção. Entre setembro de 2025 e setembro de 2026, a Toyota precisou desmontar uma fábrica destruída, remover centenas de máquinas, recorrer a unidades de outros continentes, ocupar nove módulos de um condomínio industrial e colocar uma nova linha em funcionamento a tempo de produzir dezenas de milhares de motores.
Agora começa o caminho inverso. Porto Feliz volta a produzir, mas ainda conviverá por algum tempo com a fábrica que nasceu da emergência. Até 2028, a produção de motores da Toyota no Brasil continuará dividida entre a unidade em reconstrução e o DVR — a solução provisória que acabou garantindo que, mesmo depois de perder uma fábrica, a montadora não perdesse também o seu próximo lançamento.
O post Da Tempestade À Nova Fábrica: Como a Toyota Evitou Parar a Produção no Brasil apareceu primeiro em Forbes Brasil . ]]>
Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.
Leia a matéria completa em Forbes Brasil →
