Data Centers, Brasil e as Oportunidades Perdidas
Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo. O Brasil não perde a oportunidade de perder uma oportunidade. A famosa citação vinculada a Roberto Campos retrata uma triste e verídica característica do Brasil.
De tempos em tempos, a frase volta ao centro do debate; e, desta vez, não podemos deixar ela estar correta. A inteligência artificial está transformando rapidamente o mundo, e todo bem demanda seus respectivos insumos. No caso da inteligência artificial, observa-se que os data centers estão redesenhando o mapa energético do planeta.
Estima-se que o consumo de energia dos data centers globais dobre até 2030. Tal previsão tem gerado uma corrida de investimentos massivos para que a demanda de dados encontre uma estrutura compatível. Em meio a esse cenário, países que não consigam ofertar energia limpa, barata e em escala ficarão fora da corrida pela infraestrutura digital do século XXI.
E, nesse quesito, estamos em posição perfeita. O Brasil, por pura vocação geográfica, está posicionado para liderar esse momento. Mais de 85% da nossa matriz elétrica provém de fontes renováveis, com hidrelétricas, eólica e solar em franca expansão.
Temos sol, vento, água e território em abundância. A demanda chegou até nós. A vocação já existia.
Enquanto o resto do planeta corre atrás de matriz energética para sustentar o apetite da inteligência artificial, o Brasil já chegou com a conta paga. Por outro lado, enquanto a nossa posição é favorável para a nação, um competidor nato por capital está recusando a oportunidade. Nos Estados Unidos, o setor simplesmente explodiu, com as big techs acelerando investimentos que somam centenas de bilhões de dólares só no primeiro trimestre.
O problema é que boa parte desse dinheiro está travada. Comunidades inteiras têm se posicionado contra a instalação de novos data centers perto de casa; e isso já se transformou em campanha política contra os projetos dentro do próprio Congresso americano. O resultado prático: obras interditadas, licenças negadas, capital pronto para sair, mas sem destino definido.
Exatamente nesse ponto que o Brasil aparece como alternativa natural. Caso raro em que a real oportunidade não é apenas discurso, pois o mercado existe, está em crescimento, e boa parte dos investidores se pergunta onde é o melhor local para construir. Se os Estados Unidos travaram, sobram interessados, e, como nação, deveríamos estar nessa lista, com a ênfase da nossa vantagem geográfica, diplomática e energética.
No entanto, temos um risco clássico nacional que é o Custo Brasil. A carga tributária brasileira para esse tipo de operação chega a 35%, mais alta que a americana, um fato reconhecido pelo nosso Ministério da Fazenda ao tratar do tema. Ademais, temos a barreira do licenciamento.
O tempo de espera é de anos, e o que está em jogo aqui são justamente a velocidade e o momento da demanda. Para um investidor cujo capital é cambial, em dólar, de longo prazo, sensível a risco jurídico, três a cinco anos de incerteza regulatória custam caro demais. Não adianta termos todas as vantagens e condições de que os projetos necessitam se tornamos inviável a constituição deles devido a regras e processos.
Um relatório da The Economist apontou que o boom da IA criou um saldo positivo de vagas de emprego nos Estados Unidos. Cargos sendo extintos e outros criados, com uma geração de empregos superior a um milhão. O estudo relata que a IA está se provando uma geradora líquida de empregos, da construção de data centers à engenharia, compensando as demissões em funções administrativas.
Porém, existe um detalhe no estudo. Ele indica que, em uma economia que cria, desenvolve e constrói o ecossistema de inteligência artificial , a tecnologia promove mais empregos do que elimina. Sendo assim, é urgente provermos esse ambiente.
No fim, essa é uma avenida de capital de longuíssimo prazo, e o Brasil precisa decidir se quer efetivamente participar dela. Esse é um projeto que deveria ser pauta não do político A ou B, e sim do país. O trem está passando na nossa frente.
A pergunta que fica é se vamos embarcar ou deixar a burocracia nos travar – e novamente perder mais uma oportunidade. Por Rodrigo Villa Real Mello , economista e associado do Instituto de Estudos Empresariais (IEE) Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores. O post Data Centers, Brasil e as Oportunidades Perdidas apareceu primeiro em Forbes Brasil .
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Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.
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