Data centers na berlinda: depois dos EUA, cidades europeias também protestam
Protestos contra a expansão de data centers se espalharam por várias cidades da Europa neste sábado (7). Manifestantes tomaram as ruas para alertar sobre os impactos ambientais e sociais dessas instalações. A reação popular na Europa ecoa um descontentamento crescente nos Estados Unidos, onde a proliferação de data centers se tornou um dos temas decisivos nas eleições de meio de mandato realizadas nesta semana.
Em diversos estados americanos, os eleitores deram vitória a candidatos locais comprometidos em barrar ou congelar novas licenças de construção. As manifestações na Europa movimentaram participantes em mais de sete cidades na região. Leia também The Wall Street Journal O recado das urnas nos EUA: a resistência aos data centers ameaça o avanço da IA Economia Como data centers entraram na campanha das eleições de meio de mandato nos EUA Em Dublin, cerca de 2 mil pessoas marcharam pelas ruas da capital irlandesa, segundo a emissora pública RTE.
Já em Helsinque, aproximadamente 1,3 mil manifestantes se reuniram no centro da cidade, além de atos registrados em municípios menores do interior da Finlândia, conforme informou a emissora estatal YLE. Representantes da coalizão Stop Dirty Data Centres , que reúne organizações comunitárias e de defesa do clima, declararam que o objetivo das manifestações é “frear a expansão descontrolada de data centers voltados para inteligência artificial e impedir que a democracia se torne refém dos interesses da indústria de big tech”. Leia também Negócios Dona do TikTok negocia nova fase de complexo de data centers no Ceará Movimentos civis da Escócia à Espanha e da França à Dinamarca aderiram à mobilização, exigindo uma moratória para paralisar novas obras “até que a sociedade decida democraticamente o que é necessário para garantir que a IA e os data centers sirvam às pessoas e ao planeta, e não à ganância privada”.
Os atos deste sábado ocorrem na esteira de uma manifestação realizada na sexta-feira (6) em Amsterdã, na Holanda, onde centenas de ativistas entraram em confronto com as forças policiais em frente a um data center da Microsoft, resultando em uma prisão. A corrida global para a construção dessas instalações acelerou fortemente nos últimos meses, impulsionada por aportes de centenas de bilhões de dólares de gigantes da tecnologia em infraestrutura para treinar e operar modelos de inteligência artificial. Leia também Negócios O Brasil está perdendo energia de Itaipu para o Paraguai.
E os data centers vão acelerar isso O ritmo dessa expansão alarmou comunidades locais, preocupadas com a ocupação do solo, a disparada no consumo de eletricidade, o encarecimento das tarifas de energia e a falta de retorno econômico tangível para os cidadãos. A Irlanda tornou-se um dos principais polos de data centers da Europa ao atrair investimentos maciços de gigantes norte-americanas como Microsoft, Amazon e Google (controlada pela Alphabet). Em 2025, os data centers responderam por 23% de todo o consumo medido de energia elétrica no país, segundo dados do órgão oficial de estatísticas da Irlanda.
Na Finlândia, manifestantes marcharam em direção aos escritórios do Google e seguiram até o Parlamento, em Helsinque. Em setembro, a multinacional anunciou seu maior investimento da história em território europeu: um pacote de € 13 bilhões (cerca de US$ 14,5 bilhões) para expandir um data center já existente e construir outras duas unidades no país. Leia também Negócios Por dentro do pedido de IPO da Anthropic: crescimento acelerado e risco ‘catastrófico’ Ao todo, projetos de fazendas de servidores que somam cerca de € 80 bilhões tramitam em diferentes etapas de planejamento e execução na Finlândia, segundo estimativas da Confederação das Indústrias do país.
A insatisfação popular entre os finlandeses aumentou após revelações de que representantes ligados ao Google desmataram áreas florestais, removeram a cobertura vegetal e abriram estradas em um dos terrenos antes da conclusão do relatório de impacto ambiental. A empresa responsável pela execução da obra é alvo de um inquérito criminal, enquanto o governo finlandês discute projetos de lei para impor limites à expansão das estruturas de IA. ]]>
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