De elétricas a bancos: A ‘seleção de ativos’ escalada pelo BTG Pactual antes das eleições
Embora mantenha uma recomendação neutra para as ações brasileiras, o BTG Pactual não abriu mão de ter forte presença brasileira em sua seleção de ações para a América Latina. Das 16 empresas escolhidas para compor a carteira regional, sete são do país, com destaque para nomes que ocupam o “meio-campo” e o “ataque” do portfólio. De acordo com o banco, diante de um cenário político ainda indefinido , a preferência é por companhias capazes de entregar resultados independentemente do desfecho eleitoral, combinando qualidade , liquidez e fundamentos sólidos .
Leia mais: Bolsa brasileira lidera ganhos em dólar na América Latina, mas BTG segue cauteloso; entenda motivo O goleiro Para o BTG, o Itaú (ITUB4) segue sendo a principal referência de qualidade do setor financeiro brasileiro e o banco de grande porte preferido da instituição. A aposta acontece mesmo em meio ao aumento da cautela dos investidores estrangeiros diante do cenário eleitoral e das perspectivas de juros elevados por mais tempo. Segundo os analistas, o posicionamento mais conservador adotado pelo banco nos últimos trimestres representa uma preparação adequada para um ambiente macroeconômico mais desafiador.
O destaque continua sendo a qualidade dos ativos, a gestão de risco considerada exemplar e a robustez do balanço, fatores que devem permitir ao Itaú preservar a rentabilidade mesmo em um eventual ciclo de crédito mais complexo nos próximos anos. Além disso, o BTG destaca que as ações continuam negociadas a múltiplos atrativos, de cerca de 8,2 vezes o lucro estimado para 2027 . Meio-campistas No esquema montado pelo BTG, o trio formado por Motiva (MOTV3), Embraer (EMBJ3) e Axia (AXIA3) é responsável por conectar defesa e ataque, oferecendo uma combinação de previsibilidade, crescimento e geração de caixa.
A Motiva aparece como uma das escolhas defensivas da casa. Segundo o banco, a companhia segue apresentando resultados resilientes graças à demanda consistente por seus ativos, contratos protegidos da inflação e uma agenda contínua de eficiência operacional. Outro fator que reforça a tese é a venda dos aeroportos, movimento que deve fortalecer o balanço e abrir espaço para financiar investimentos em rodovias.
O BTG também vê um importante fluxo de notícias positivas nos próximos meses, com mais de R$ 20 bilhões em projetos brownfield em desenvolvimento. Além disso, o banco considera que a saída da Mover do bloco de controle da Motiva elimina um antigo ponto de atenção relacionado à governança corporativa. Já a Embraer ocupa uma das posições de maior peso da carteira regional após conquistar mais de 60 pedidos da família E2 durante o Farnborough Airshow, acumular novas encomendas do cargueiro militar KC-390 e surpreender positivamente nos resultados do segundo trimestre.
Para os analistas, a melhora da cadeia global de suprimentos e o ganho de eficiência operacional devem manter o momento favorável dos resultados ao longo dos próximos trimestres. Outra favorita do banco é a Axia , com a tese diretamente ligada à visão positiva do BTG para os preços de energia, já que a companhia possui um volume significativo de energia disponível para comercialização. Na avaliação dos estrategistas, preços mais elevados devem impulsionar a geração de caixa da empresa, ao mesmo tempo em que a redução da alavancagem abre espaço para dividendos robustos .
O banco estima um rendimento de dividendo ( dividend yield ) médio de cerca de 10% entre 2027 e 2029, além de uma taxa interna de retorno real superior a 12%. Os atacantes da carteira O ataque é formado por empresas que podem impulsionar os retornos da carteira. Nesse grupo, o BTG escalou Sabesp (SBSP3), Petrobras (PETR4) e Eneva (ENEV3) .
Mesmo após a queda das ações decorrente de preocupações sobre custos operacionais em 2026, a Sabesp segue como uma das preferidas dos analistas para os próximos seis a 12 meses. A tese continua apoiada na expansão dos resultados , no crescimento dos dividendos , nos ganhos de eficiência esperados após a privatização e na característica de monopólio natural do negócio de saneamento. Para o banco, as pressões recentes são temporárias e não alteram a visão positiva para o longo prazo.
Já a Petrobras permanece como uma das maiores convicções do BTG, sendo a top pick do setor de petróleo e gás no Brasil. A produção, na avaliação do banco, vem superando as expectativas, impulsionada pelo desempenho dos campos do pré-sal e pela entrada de novas plataformas em operação. Além disso, a rentabilidade do segmento de refino continua robusta.
Os analistas também destacam o potencial de revisão para cima das projeções de produção e os elevados retornos aos acionistas. Pelas estimativas do banco, a estatal oferece dividend yield próximo de 10% e rendimento de fluxo de caixa livre ao acionista na casa de 14% para 2027. A Eneva fecha o trio ofensivo da seleção brasileira com um grande catalisador: o resultado do Leilão de Capacidade, que garantiu contratos de longo prazo acima do esperado pelo mercado.
Na visão do BTG, isso transforma gradualmente a percepção da companhia. Em vez de ser vista apenas como uma aposta em momentos de preços elevados da energia, a empresa passa a oferecer maior previsibilidade de caixa. Com isso, os analistas enxergam espaço tanto para novos projetos de crescimento quanto para uma futura estratégia mais agressiva de distribuição de dividendos.
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Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.
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