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    De tumbas de faraós a cirurgias: Luxor vira vitrine do turismo médico no Egito
    InvestNews·20 de set., 12:32

    De tumbas de faraós a cirurgias: Luxor vira vitrine do turismo médico no Egito

    A escritora de viagens Lucie Duff Gordon esteve entre os europeus do século 19 que passaram longos períodos em Luxor. Famosa por seus sítios faraônicos, a cidade egípcia tinha o ar seco — quente até mesmo no inverno — recomendado como alívio para uma série de doenças. O apelo era tamanho que a agência de viagens britânica Thomas Cook, grande operadora de cruzeiros pelo rio Nilo, abriu um hospital para estrangeiros e moradores locais.

    As autoridades egípcias esperam resgatar esse legado enquanto tentam conquistar uma fatia maior do mercado global de turismo de saúde — avaliado em cerca de US$ 34 bilhões no ano passado, segundo a Grand View Research — e competir com destinos mais consolidados, como Turquia e Emirados Árabes Unidos, na oferta de serviços que vão de grandes cirurgias a tratamentos odontológicos e estéticos. O governo acredita que a iniciativa pode se beneficiar da localização do país do norte da África, no cruzamento de três continentes, e avançar em conjunto com uma indústria hoteleira em expansão, que resistiu aos piores efeitos dos conflitos recentes no Oriente Médio. No mês passado, no Grande Museu Egípcio, o governo lançou serviços online destinados a facilitar o acesso de pacientes internacionais a tratamentos.

    No centro desse esforço está, cada vez mais, a Autoridade de Saúde do Egito (EHA, na sigla em inglês), que lançou uma iniciativa de turismo médico chamada “In Egypt We Care” (“No Egito, Nós Cuidamos”). A autoridade pública independente administra quase 400 instalações médicas em todo o país, entre hospitais, laboratórios e clínicas. Leia também Economia Na Alemanha, salário mínimo para pessoas com deficiência põe modelo de inclusão em xeque Negócios A guerra da Tata: as 24 horas que detonaram a disputa pelo maior império empresarial da Índia A EHA está desenvolvendo uma rede privada de serviços de turismo médico em destinos privilegiados, como Assuã, a costa do Mar Vermelho e Luxor, conhecida pelo templo de Karnak e pelo Vale dos Reis, onde foi descoberta a tumba de Tutancâmon.

    Em Luxor, seis hospitais com suítes semelhantes às de hotéis oferecem instalações especializadas em obstetrícia, pediatria e radiologia. O Egito tem “a capacidade de combinar o turismo médico com o tradicional”, disse o presidente da EHA, Ahmed El-Sobky, em entrevista. ” Os turistas em busca de tratamento que visitavam a cidade no século 19 sofriam principalmente de doenças pulmonares e vinham do Reino Unido e dos Estados Unidos.

    Gordon fez da cidade sua casa e morreu no Egito. Outros, entre eles Florence Nightingale, Arthur Conan Doyle e a mulher dele, fizeram estadias mais curtas. 075 em 2022, segundo dados fornecidos à Bloomberg.

    Eles representavam 124 nacionalidades de países árabes, africanos, asiáticos, europeus e americanos. A EHA planeja acrescentar mais 5 mil unidades médicas nos próximos seis anos, com a participação de parcerias público-privadas, disse El-Sobky. A expansão incluirá novas instalações para alguns dos procedimentos mais procurados: cirurgias cardiovascular, bariátrica e estética, além de fertilização in vitro e atendimento odontológico avançado.

    Por enquanto, a receita proveniente das visitas médicas permanece relativamente baixa, mas El-Sobky prevê que ela mais do que dobrará, de US$ 3,8 milhões em 2025 para US$ 6 milhões neste ano. Quase 8 mil pacientes estrangeiros haviam sido registrados até julho. Não há um dado nacional único para a receita do turismo médico, porque os gastos se distribuem entre outros prestadores privados e públicos e ainda não são reunidos em um sistema centralizado.

    Atualmente, a Turquia lidera os rankings regionais de turismo médico em valor e escala, enquanto os Emirados Árabes Unidos estão à frente em tratamentos premium e de luxo. Profissional de saúde marca o couro cabeludo de um paciente antes de um procedimento de transplante capilar. Foto: Bloomberg O Egito “não pode vencer simplesmente copiando” esses exemplos, segundo Emre Atceken, cofundador da WeCure, empresa com sede em Londres especializada em turismo médico global.

    “O país precisa criar um nicho distinto e bem definido para dar aos pacientes internacionais um motivo real para mudar de destino”, afirmou. ” Embora o turismo médico possa oferecer custos menores e acesso mais rápido, há desvantagens para os pacientes estrangeiros. A Organização Mundial da Saúde e a Associação Médica Mundial alertam que a economia pode desaparecer rapidamente se algo der errado e que questões de responsabilização podem ser complicadas.

    Também há preocupações internas. Embora a OMS afirme que o Egito fez avanços significativos na melhoria da assistência médica para sua população de mais de 108 milhões de habitantes, o acesso desigual continua sendo um desafio. A situação pode piorar se os principais cirurgiões, especialistas e profissionais de enfermagem forem atraídos para fora do setor público sem controle, deixando a população dependente de instalações estatais com falta de pessoal.

    O mandato mais amplo da EHA é reformar instalações públicas de saúde. Em 2024, o Egito aprovou uma lei que permite ao setor privado criar, administrar, operar e desenvolver unidades médicas públicas. “O fato de o turismo médico prejudicar ou elevar a qualidade do atendimento doméstico depende da supervisão do governo”, disse Atceken.

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