Democratas conquistam controle do Congresso dos EUA e impõem derrota histórica a Trump
Os democratas conquistaram o controle das duas Casas do Congresso dos Estados Unidos nas eleições de meio de mandato , em uma vitória expressiva que representou uma rejeição ao presidente Donald Trump, em meio à insatisfação dos eleitores com a economia e a guerra no Irã. Em todo o país, os democratas venceram em redutos republicanos, conquistando pelo menos sete cadeiras no Senado e vencendo disputas para a Câmara dos Representantes em distritos nos quais os republicanos haviam obtido vitórias folgadas em 2024. Diversos veículos de comunicação projetaram que os democratas conquistariam a Câmara, enquanto o Decision Desk HQ projetou que o partido também assumiria o controle do Senado.
O resultado estabelece o primeiro contrapeso efetivo ao poder de Trump em Washington desde seu retorno à Casa Branca no ano passado. Os democratas se beneficiaram de uma onda de insatisfação dos eleitores com o custo de vida. O novo Congresso deve abrir investigações sobre Trump, seu governo e seus negócios, além de dificultar a aprovação da agenda legislativa do presidente.
Durante a campanha, os republicanos tiveram dificuldade para se distanciar do presidente, cujos índices de aprovação caíram para mínimas históricas nas semanas que antecederam a eleição. Trump pediu aos apoiadores que votassem como se ele próprio estivesse na disputa. Leia também Economia Quem quer ser presidente dos EUA em 2028?
Movimentos antes das eleições de meio de mandato dão pistas Os candidatos democratas capitalizaram esse descontentamento. O partido deve conquistar cadeiras no Senado em Maine, Kansas, Texas, Carolina do Sul, Carolina do Norte, Iowa e Ohio. Os democratas também mantiveram seus assentos em Michigan e Minnesota.
Na disputa pela Câmara, os democratas venceram eleições em Indiana, Iowa, Virgínia, Texas, Nebraska, Nova Jersey e Pensilvânia, entre outros Estados. A NBC News estimou que o partido terminaria com 255 cadeiras, contra 180 dos republicanos. Em um sinal da dimensão das perdas republicanas, o deputado Richard Hudson, que comanda o braço de campanha do partido na Câmara, também deve perder sua cadeira na Carolina do Norte, segundo a NBC News.
Donald Trump Em entrevista à Fox News após a confirmação do resultado, Trump disse acreditar que parte da derrota republicana foi provocada pelo aumento dos preços decorrente da guerra no Irã. Ele, porém, defendeu a decisão de iniciar o conflito e afirmou que não pretende fazer mudanças em seu gabinete. “Parabéns aos democratas.
Eles fizeram um bom trabalho. Estavam esperando por isso há 11 anos e finalmente conseguiram. Mas não vejo isso como um golpe contra mim”, disse Trump.
O presidente acompanhou a apuração ao lado de integrantes do gabinete e assessores na Sala Leste da Casa Branca e afirmou que iria “aceitar” o resultado. Antes da votação, Trump havia levantado, sem apresentar provas, a possibilidade de fraude eleitoral generalizada. A perspectiva de um governo dividido em Washington levou investidores a reduzir a exposição a ativos de maior risco.
Os contratos futuros do índice S&P 500 chegaram a cair 1,4%. As ações também recuaram diante da preocupação de que uma legislação com maior participação democrata aumente a fiscalização regulatória sobre empresas de rápido crescimento, incluindo as envolvidas na expansão da inteligência artificial . Os títulos do Tesouro americano subiram diante da expectativa de que um impasse político reduza as chances de novos gastos fiscais.
A queda dos rendimentos dos títulos também pressionou o dólar. Os democratas superaram uma vantagem financeira considerável dos republicanos, além de uma iniciativa incomum, em pleno meio da década, de vários Estados governados por republicanos para redesenhar distritos eleitorais e favorecer candidatos do partido. Os democratas também adotaram medidas semelhantes, mas, no saldo final, a nova configuração dos distritos beneficiou os republicanos.
Na disputa pelo Senado, James Talarico, do Texas, deve derrotar o republicano Ken Paxton, tornando-se o primeiro democrata a vencer uma eleição estadual no Texas em aproximadamente três décadas. A disputa foi marcada pelo confronto de Trump com o senador John Cornyn, de longa trajetória no partido, que perdeu a primária republicana para Paxton, considerado por muitos um candidato mais fraco para a eleição geral. Os dois partidos gastaram quase US$ 600 milhões em publicidade na disputa, segundo a AdImpact.
A Associated Press também projetou a vitória de Adam Hamilton no Kansas, o que marcaria a primeira vez desde 1932 que um democrata conquista uma cadeira no Senado pelo Estado. O senador republicano Roger Marshall, cuja campanha foi afetada por acusações de práticas agressivas de cobrança em seu consultório médico, enfrentou dificuldades diante da alta dos preços do diesel e dos efeitos das tarifas de Trump, que ele havia apoiado. A senadora Susan Collins, do Maine, que ocupava o cargo havia cinco mandatos, também perdeu a disputa para o democrata Troy Jackson.
Ele venceu mesmo tendo sido escolhido de última hora para substituir Graham Platner, candidato anterior envolvido em um escândalo. O ex-senador Sherrod Brown derrotou o republicano Jon Husted na disputa por uma cadeira em Ohio. Em Iowa, o democrata Josh Turek deve derrotar a deputada republicana Ashley Hinson na disputa por uma vaga atualmente ocupada por um republicano.
A democrata Annie Andrews também conseguiu uma vitória expressiva na Carolina do Sul, Estado de forte tradição republicana, ao derrotar Darline Graham, irmã do falecido senador Lindsey Graham. Darline havia ocupado a cadeira temporariamente, mas Trump a incentivou a disputar um mandato completo. Roy Cooper, ex-governador da Carolina do Norte, venceu o republicano Michael Whatley.
O senador Jon Ossoff, da Geórgia, e Chris Pappas, de New Hampshire, também devem vencer suas disputas, segundo projeções. Primeira mulher negra governadora Na Geórgia, Keisha Lance Bottoms deve se tornar a primeira mulher negra eleita governadora na história dos Estados Unidos e a primeira democrata a conquistar o governo estadual desde 1998. No Texas, o governador Greg Abbott, que ocupava o cargo havia três mandatos, também foi derrotado pela democrata Gina Hinojosa.
Keisha Lance Bottoms, provável governadora da Geórgia (Erik S. Lesser/AFP/Getty Images) A Casa Branca, porém, também atribuiu parte da responsabilidade pelas derrotas aos próprios candidatos republicanos. Um funcionário do governo, que falou sob condição de anonimato, afirmou que Trump fez um trabalho melhor ao promover os candidatos do que eles próprios.
O presidente também usou as redes sociais para criticar Abbott, antigo aliado, chamando-o de “RINO”, sigla em inglês para republicano apenas no nome. “Eu não estava na cédula e, se estivesse, teríamos vencido DE LAVADA! Obrigado pela atenção”, publicou Trump nas redes sociais.
Trump, no entanto, havia escolhido pessoalmente diversos candidatos que disputavam eleições competitivas, inclusive na Carolina do Sul e no Texas. Suas indicações e desavenças políticas com outros republicanos também contribuíram para a abertura de algumas cadeiras no Senado. Em entrevista à Fox News, o presidente afirmou ainda que barraria projetos de lei que os democratas tentassem aprovar.
“Eles vão enviar coisas absurdas, e eu vou vetá-las. ’ E vamos trabalhar juntos”, disse. A mudança no controle da Câmara, que entrará em vigor em 3 de janeiro, encerrará a possibilidade de Trump aprovar projetos de lei contando apenas com o apoio dos republicanos.
A mudança, porém, dificilmente resultará em muitas propostas aprovadas. Trump ainda poderá exercer seus poderes executivos em áreas como comércio, relações exteriores e imigração. A eleição também dará aos democratas instrumentos importantes de fiscalização.
Entre eles estão o poder de convocar pessoas para prestar depoimento e exigir documentos por meio de intimações, além da possibilidade de iniciar processos de impeachment. O setor empresarial já se prepara para uma onda de investigações. Os democratas devem direcionar a atenção a empresas privadas que tenham se aproximado do governo Trump, procurando possíveis indícios de tratamento privilegiado, desde a obtenção de contratos até aprovações de fusões e aquisições.
Entre os alvos esperados estão acordos envolvendo os negócios e familiares do presidente, além de doações a projetos de seu interesse, como a construção de um novo salão de festas na Casa Branca. ]]>
Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.
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