Democratas dos EUA acenam a Lula e dizem que Trump interfere no Brasil
2026), que o governo de Donald Trump (Partido Republicano) está promovendo uma campanha de interferência e desestabilização no Brasil antes da eleição presidencial de outubro. O documento foi endereçado ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. Os congressistas dizem estar preocupados com um “esforço coordenado” da administração norte-americana para pressionar instituições brasileiras e enfraquecer a democracia do país.
A carta pede que o governo dos EUA respeite o processo eleitoral, reconheça o resultado certificado das urnas e mantenha relações diplomáticas normais com o candidato eleito. Eis a íntegra (PDF – 642 kb). É um pedido semelhante ao que Bernie Sanders já havia feito em vídeo às vésperas da eleição de 2022 e ao que motivou, naquele mesmo ano, uma resolução aprovada pelo Senado dos EUA em apoio ao resultado das urnas brasileiras .
O documento cita uma série de medidas adotadas pela gestão Trump desde o início de seu 2º mandato. Entre elas estão: tarifas sobre produtos brasileiros ; sanções contra autoridades do país ; a atuação de Darren Beattie no Departamento de Estado e a relação de Trump com o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência. Os parlamentares afirmam que a pressão norte-americana começou a aumentar em 2025, quando Trump adotou tarifas e sanções enquanto o Supremo Tribunal Federal julgava o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Na avaliação dos congressistas, as medidas buscavam pressionar autoridades brasileiras em um processo judicial em andamento. A carta também menciona a nomeação de Darren Beattie como assessor sênior para assuntos relacionados ao Brasil. Os congressistas classificam Beattie como um extremista de direita e afirmam que declarações anteriores dele demonstrariam oposição às instituições democráticas brasileiras.
Outro episódio citado é a reunião de Flávio Bolsonaro com Trump na Casa Branca. Na ocasião, o senador pediu que os Estados Unidos classificassem o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras. Dois dias depois, o Departamento de Estado anunciou a classificação das duas facções como organizações terroristas estrangeiras.
Os congressistas afirmam que a medida poderia ser usada para justificar ações contra instituições brasileiras. A carta também questiona a tentativa de entrada no Brasil de 2 funcionários do Departamento de Estado, Riley M. Barnes e Samuel Samson.
Segundo os congressistas, a delegação pretendia colocar em dúvida a integridade do sistema eleitoral brasileiro. O governo brasileiro negou os vistos dos 2 funcionários . Em seguida, segundo o documento, a administração Trump revogou o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti .
Os congressistas também questionam a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro do STF Alexandre de Moraes e pedem ao Departamento de Estado que explique os critérios utilizados para a decisão. Pedido de compromisso No fim da carta, os deputados perguntam se a administração Trump respeitará o processo eleitoral brasileiro e reconhecerá o resultado certificado das eleições de 2026, independentemente do candidato escolhido pelos eleitores. O grupo também pede explicações sobre a classificação do PCC e do Comando Vermelho, a revogação do visto da embaixadora brasileira e a aplicação da Lei Magnitsky a Moraes.
Os congressistas deram prazo até 1º de outubro de 2026 para que o Departamento de Estado apresente respostas. O governo Trump ainda não havia respondido publicamente à carta até a publicação desta reportagem. A preocupação com uma possível atuação dos Estados Unidos a favor de Flávio Bolsonaro é monitorada pelo Palácio do Planalto desde o início do ano.
A manifestação dos congresistas veio dias depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) falar na Assembleia Geral da ONU sobre a necessidade de impedir interferências externas em processos eleitorais . Em seu discurso, Lula afirmou que ingerências estrangeiras em processos políticos nacionais representam uma ameaça à soberania dos países. O petista também se reuniu com Bernie Sanders em Nova York, onde participou da Assembleia Geral.
Quem assinou: Delia C. Ramirez — deputada Jesús G. “Chuy” García — deputado Pramila Jayapal — deputada Bernard Sanders — senador Jasmine Crockett — deputada Maxine Waters — deputada Summer L.
Lee — deputada Jonathan L. Jackson — deputado Eleanor Holmes Norton — deputada Henry C. “Hank” Johnson Jr.
— deputado Rashida Tlaib — deputada André Carson — deputado Maxwell Alejandro Frost — deputado Mark Pocan — deputado Greg Casar — deputado Jim Costa — deputado James P. McGovern — deputado Mike Quigley — deputado Stephen F. Lynch — deputado Yvette D.
Clarke — deputada Ilhan Omar — deputada Nydia M. Velázquez — deputada Robert Garcia — deputado Adelita S. Grijalva — deputada Mark DeSaulnier — deputado Sylvia R.
Garcia — deputada Jan Schakowsky — deputada Joaquin Castro — deputado Alexandria Ocasio-Cortez — deputada Ro Khanna — deputado Steve Cohen — deputado Leia também: Governo Lula vê Escudo das Américas como brecha para os EUA na região ]]>
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