Democratas Têm um Plano Ambicioso para Reduzir o Custo de Vida, Mas Enfrentam Senado e Federal Reserve
Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo. Os democratas planejam avançar com uma ampla agenda para reduzir o custo de vida quando assumirem o controle do Congresso, em janeiro, por meio da revogação das tarifas comerciais do presidente Donald Trump, da reversão dos cortes no Medicaid, da ampliação dos benefícios de assistência alimentar e , possivelmente, do aumento do salário mínimo federal. Enquanto isso, economistas alertam que as medidas para combater preços abusivos e a retirada das tarifas não serão suficientes para reverter imediatamente a inflação persistente.
Principais fatos O senador Ron Wyden, democrata do Oregon e principal representante de seu partido no Comitê de Finanças do Senado, disse ao Wall Street Journal, na quinta-feira, que os democratas planejam começar a reverter a política tarifária de Trump pelos produtos provenientes do Canadá, cujas tarifas variam de 15% a 50% sobre mercadorias como aço, alumínio, laticínios e eletrodomésticos. A agenda dos democratas da Câmara dos Representantes para os primeiros 100 dias inclui um plano para reverter os cortes promovidos pelos republicanos no Medicaid, eliminar novas exigências de elegibilidade, estabelecer limites para os custos de medicamentos vendidos sob prescrição e restabelecer os créditos tributários para o pagamento dos prêmios de seguros de saúde previstos na Lei de Cuidados Acessíveis (Affordable Care Act), que expiraram, com o objetivo de reduzir as despesas que os segurados precisam pagar diretamente. Lideranças democratas, incluindo o governador de Illinois, JB Pritzker, defendem o aumento do salário mínimo federal, atualmente em US$ 7,25 por hora (R$ 39,88 na cotação atual), para US$ 15 (R$ 82,50), como uma prioridade imediata para reforçar a disponibilidade de recursos financeiros das famílias.
As lideranças também estudam restabelecer a versão ampliada do crédito tributário por filhos para famílias de trabalhadores. Os democratas também estão elaborando uma legislação contra a cobrança de preços abusivos, destinada a penalizar margens excessivas sobre os alimentos, restringir a precificação dinâmica por algoritmos nos supermercados e proteger os benefícios do Programa de Assistência Nutricional Suplementar (SNAP) dos cortes previstos na lei conhecida como “One Big Beautiful Bill Act”. Na área habitacional, a agenda democrata combina a ampliação dos créditos tributários para moradias destinadas à população de baixa renda, a fim de acelerar a construção de novas residências, com propostas para eliminar os benefícios fiscais federais concedidos a empresas de private equity que compram imóveis residenciais unifamiliares em bairros inteiros.
Propostas como a Lei de Proteção dos Consumidores de Energia (Ratepayer Protection Act) pretendem enfrentar o forte aumento das tarifas residenciais de energia e eletricidade , impulsionado pela maior demanda, inclusive de grandes centros de processamento de dados. O objetivo é obrigar os grandes consumidores comerciais de eletricidade a arcar com sua parcela dos custos de modernização da infraestrutura, em vez de transferir esses encargos para os consumidores residenciais. Contexto Os eleitores estavam extremamente atentos ao custo de vida às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato realizadas nesta semana.
Os preços persistentemente elevados dos alimentos, o aumento das contas de serviços públicos e os custos muito altos dos combustíveis durante o governo Trump pressionaram os orçamentos familiares. Segundo uma pesquisa do Politico, seis em cada dez pessoas afirmaram que desejavam que o governo priorizasse a redução dos preços dos produtos essenciais do cotidiano antes de concentrar esforços no aumento da renda familiar. Os republicanos enfrentaram uma insatisfação crescente da população depois de aprovarem uma legislação tributária que reduziu em aproximadamente US$ 1 trilhão (R$ 5,5 trilhões) os gastos projetados com assistência médica e Medicaid, além de praticamente ignorarem as preocupações dos eleitores com o aumento dos custos.
Em determinado momento, ao conversar com jornalistas no Salão Oval sobre a alta dos preços provocada pela guerra com o Irã, Trump declarou: “Adoro a inflação”. Uma pesquisa AP-NORC divulgada em outubro constatou que a maioria dos adultos americanos, 65%, atribui especificamente a Trump e às suas políticas a responsabilidade pelos custos persistentemente elevados, mais do que a fatores fora de seu controle. Os candidatos conservadores, em grande parte, não conseguiram convencer os eleitores indecisos de que possuíam um plano confiável para reduzir os preços.
Os democratas reagiram organizando suas campanhas para as eleições de meio de mandato em torno da agenda “Lutando por uma América com Custo de Vida Acessível” (“Fighting for an Affordable America”). Número em destaque VOTOS NECESSÁRIOS NO SENADO 60 Esse é o número de votos necessários para aprovar diversas propostas democratas, como a revogação das tarifas comerciais, a imposição de limites contra preços abusivos, as medidas de proteção aos consumidores de serviços públicos e o aumento do salário mínimo federal, segundo as regras do filibuster, mecanismo regimental que permite prolongar o debate e obstruir a votação de projetos no Senado. Os democratas conquistaram sete cadeiras anteriormente ocupadas pelos republicanos nas eleições de meio de mandato realizadas na terça-feira e, até o momento, possuem uma maioria de dez cadeiras, com 54 senadores contra 44.
Duas disputas para o Senado, no Alasca e no Mississippi, ainda estavam indefinidas na tarde de sexta-feira. Entretanto, mesmo que os democratas vençam ambas, ainda precisarão do apoio de vários republicanos moderados para aprovar sua agenda. Além disso, caso enfrentem um veto presidencial, serão necessários 67 votos no Senado para derrubá-lo.
Contraponto Mesmo que os democratas consigam superar os grandes obstáculos legislativos que têm pela frente, economistas alertam que reverter a inflação acumulada após a imposição das tarifas comerciais e a guerra raramente é um processo rápido. Restabelecer o crédito tributário ampliado por filhos e elevar o salário mínimo federal para US$ 15 por hora (R$ 82,50) proporcionaria alívio financeiro imediato às famílias de renda baixa e média . Entretanto, um aumento repentino da demanda por bens de consumo poderia reacender as pressões inflacionárias.
Se os gastos dos consumidores crescerem mais rapidamente do que a capacidade de resposta das cadeias de suprimentos, o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, poderá manter os juros elevados, retardando a redução dos encargos sobre financiamentos imobiliários, cartões de crédito e empréstimos para a compra de automóveis. A revogação das tarifas de importação sobre produtos canadenses eliminaria o imposto que incide sobre as empresas nas etapas anteriores da cadeia de comercialização. Entretanto, experiências históricas mostram que não existe garantia de que os varejistas repassariam essa redução de custos aos consumidores, muito menos em um prazo curto .
Economistas também argumentam que, embora uma legislação contra preços abusivos possa evitar aumentos repentinos e expressivos dos preços ao consumidor, os clientes poderiam acabar enfrentando gargalos no abastecimento, limites para a quantidade de produtos adquiridos e prateleiras vazias. Fato surpreendente Um aumento do salário mínimo para US$ 15 por hora (R$ 82,50) afetaria diretamente apenas cerca de 20% do total de trabalhadores americanos remunerados por hora. Um mercado de trabalho com pouca disponibilidade de mão de obra, os aumentos dos salários mínimos estaduais e os salários iniciais pagos por grandes redes varejistas e de fast-food já elevaram a remuneração básica de contratação para mais de US$ 15 por hora (R$ 82,50 na cotação atual) em boa parte do país, segundo o Bureau of Labor Statistics, órgão de estatísticas trabalhistas dos Estados Unidos.
Além disso, apenas cerca de 1% dos trabalhadores americanos remunerados por hora recebe o salário mínimo federal de US$ 7,25 (R$ 40) ou menos. Publicado originalmente em Forbes EUA O post Democratas Têm um Plano Ambicioso para Reduzir o Custo de Vida, Mas Enfrentam Senado e Federal Reserve apareceu primeiro em Forbes Brasil . ]]>
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