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    CNN Brasil·22 de set., 12:00

    Dívida pública e falta de mão de obra limitam o crescimento

    A dívida pública brasileira chegou a R$ 10,8 trilhões em junho de 2026, o equivalente a 81,9% do Produto Interno Bruto (PIB). No acumulado de 12 meses, o pagamento de juros somou R$ 1,16 trilhão. Mantido o ritmo considerado pelo estudo “Orçamento Público: Qualidade do Gasto e Responsabilidade Fiscal”, a dívida poderá alcançar 95,7% do PIB em 2030.

    O levantamento, encomendado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), relaciona o avanço da dívida e o peso dos juros às condições para o país investir e crescer. Juros elevados encarecem o crédito, pesam sobre novos projetos e afetam decisões de empresas de diferentes setores. As contas públicas foram um dos temas do Agenda Brasil – Crescimento, Emprego e Competitividade , realizado pelo Sistema CNA/Senar em 25 de agosto, em São Paulo.

    No encontro, outro estudo tratou de uma dificuldade que já interfere nos planos de produtores rurais: a falta de trabalhadores. O evento apresentou ainda o JoIA, iniciativa que reúne propostas para o crescimento e a competitividade do país.   Arrecadação cresce, mas déficit persiste A carga tributária brasileira chegou a 34,35% do PIB em 2025, mas o aumento da arrecadação não foi suficiente para reverter o desequilíbrio fiscal apontado pelo estudo.

    Considerando o Governo Central e as estatais, o resultado primário daquele ano foi deficitário em R$ 76,2 bilhões. O levantamento chama a atenção para a rigidez do Orçamento. Parte das despesas cresce de forma obrigatória, reduzindo a parcela dos recursos que pode ser destinada a outras finalidades.

    Em 2025, foram R$ 2,3 trilhões em despesas federais, excluídos os encargos especiais. Mais de 60% desse total foi destinado à Previdência Social, com 47,8%, e à Assistência Social, com 12,6%. Segundo o estudo, essa composição restringe os recursos disponíveis para investimentos, que estão entre as despesas mais sujeitas a cortes.

    A análise também questiona a capacidade da atual regra fiscal de conter o avanço da dívida. Segundo o estudo, aumentos de arrecadação acabam acompanhados pelo crescimento das despesas. Entre as propostas estão regras de despesas mais simples, redução de exceções, mecanismos mais efetivos para corrigir desvios, maior transparência das estatísticas fiscais e atenção à sustentabilidade da dívida no médio prazo.

    Na abertura do Agenda Brasil, o presidente da CNA, João Martins, classificou o ajuste das contas públicas como uma “necessidade imperativa”. Para ele, dívida crescente e juros elevados prejudicam o ambiente para investimentos.   Qualidade do gasto entra na discussão O estudo não se restringe ao volume das despesas.

    Também analisa os resultados obtidos com os recursos públicos. O diagnóstico aponta falta de avaliação de resultados, sobreposição de políticas públicas, baixa integração entre União, estados e municípios e investimentos mal priorizados. Sem avaliações regulares, programas podem continuar recebendo recursos sem que seus resultados tenham o peso necessário nas decisões orçamentárias.

    A CNA defende avaliações periódicas das políticas públicas, considerando custos e resultados. A discussão inclui as políticas sociais. A entidade afirma que não questiona sua importância e defende eficiência no uso dos recursos, além de medidas que favoreçam a reinserção produtiva dos beneficiários.

      No campo, faltam trabalhadores Para 44,5% dos produtores ouvidos no estudo “Mercado de Trabalho na Agropecuária: Evidências sobre Escassez de Mão de Obra e Produtividade”, a mão de obra é o principal problema enfrentado no campo. Realizado pela CNA em parceria com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP), o levantamento reuniu pesquisa com empregadores, informações sobre o mercado de trabalho e estudos complementares. A dificuldade para contratar foi relatada por 94,8% dos entrevistados, e 84,3% disseram trabalhar com equipes menores do que o necessário.

    Para 88,3%, a falta de pessoal já trouxe alguma consequência para a produção. Quase metade dos produtores, 48,7%, relatou atrasos nas operações. Outros 48% adiaram ou desistiram de planos de expansão.

    O aumento dos custos com mão de obra foi citado por 43,9%, enquanto 42,6% anteciparam investimentos em mecanização e automação. Para 42%, houve redução da produção.   Mais área e equipes menores A escassez de trabalhadores acompanha mudanças ocorridas nas últimas décadas.

    Entre 2012 e 2025, a área agrícola brasileira cresceu 43,2%, enquanto o número de empregados por 100 hectares caiu 38,5%. O estudo associa essa redução a fatores como urbanização, aumento da escolaridade e maior oferta de empregos fora da agropecuária. Com menos profissionais disponíveis, produtores têm recorrido a máquinas, automação, terceirização e medidas para atrair e manter funcionários.

    Ao todo, 88,8% dos entrevistados disseram ter adotado alguma alternativa diante da escassez. A produtividade também avançou. Entre 1995 e 2025, a produção por hora trabalhada na agropecuária cresceu 515%, ante 28% no conjunto da economia.

    Os programas de transferência de renda também foram abordados na pesquisa. Entre os produtores consultados, 83% disseram perceber efeitos dos benefícios sobre a disponibilidade de trabalhadores, e 63,2% relataram ter recebido diversas vezes recusas de vagas motivadas pelo receio de perda do benefício. Esses percentuais registram a percepção dos produtores entrevistados.

    Nos debates do Agenda Brasil, especialistas defenderam políticas de proteção social que preservem o atendimento a quem precisa e facilitem a entrada ou o retorno ao emprego formal. A CNA afirma não questionar a importância dessas políticas e defende maior eficiência do gasto e estímulos à reinserção produtiva.   Entraves ao crescimento As propostas apresentadas pelos estudos têm enfoques diferentes, mas complementares.

    Na área fiscal, incluem mudanças nas regras de despesas, avaliação dos gastos e maior transparência. No mercado de trabalho, passam por qualificação, incorporação de tecnologias e aperfeiçoamento de políticas públicas que favoreçam a produtividade do trabalho e a inserção no emprego formal. Para o Sistema CNA/Senar, melhorar as contas públicas, elevar a qualidade do gasto e enfrentar a escassez de trabalhadores são medidas necessárias para ampliar os investimentos e a competitividade.

    A expansão da produção e da produtividade depende tanto de um ambiente econômico favorável quanto da disponibilidade de trabalhadores qualificados. Quando esses fatores se combinam de forma desfavorável, projetos de investimento podem ser adiados ou inviabilizados, limitando o crescimento econômico e a geração de emprego e renda. “A CNN Brasil não se responsabiliza pelo conteúdo deste publieditorial e pelas informações sobre os produtos/serviços promovidos nesta publicação”.

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