Dólar Alto Tem Pouco Impacto Inicial nas Vendas de Soja do Brasil, Mas Cenário É Positivo, Dizem Analistas
Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo. Uma forte alta do dólar na segunda-feira (26), como reflexo da surpreendente reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, falhou em impulsionar grandes vendas de soja de produtores no Brasil, já que os ganhos cambiais para os negócios foram compensados pela queda nos contratos futuros da bolsa de Chicago no mesmo dia, disseram especialistas. Mas o cenário cambial é positivo para a formação de preços da soja em reais, no momento em que os produtores do principal exportador global estão em fase de plantio da safra 2026/27, acrescentaram eles.
A forte volatilidade dos mercados também afastou os produtores dos negócios na véspera, enquanto na bolsa norte-americana os operadores viram a soja brasileira ficando mais competitiva frente a dos EUA devido ao impacto do câmbio no Brasil, e os contratos futuros caíram. “Ontem, mesmo com Chicago em queda, a alta do dólar resultou em altas de até R$8 por saca em algumas praças, tanto no disponível como para entrega em 2027. Mas a volatilidade foi tão grande, e estava tudo tão confuso, que muita gente saiu do mercado.
Por isso, poucos negócios foram registrados”, disse a analista da consultoria AgRural Daniele Siqueira. Segundo o chefe de Pesquisa da corretora Stag International, Chau Hue, os prêmios FOB da nova safra brasileira em relação aos contratos de Chicago caíram 15 centavos de dólar por bushel na segunda-feira (26), compensando o dólar mais forte. “A queda nos contratos futuros e nos prêmios absorveu grande parte do benefício cambial”, disse ele.
Nesta terça-feira (27), o dólar à vista caía 1,22%, a 5,3408 reais na venda, às 15h25 (horário de Brasília), enquanto a soja em Chicago recuava cerca de 1% no mesmo horário, para US$12,285 por bushel. Na segunda-feira (26), a moeda dos EUA encerrou com alta de 8,36%, enquanto a soja caiu mais de 2% durante o pregão. Num mercado com dólar nos atuais patamares e Chicago sustentado, a possibilidade de que as vendas de soja avancem é possível, comentou Siqueira.
“Caso os preços retomem o caminho para cima sem tantos solavancos como ontem, é possível que os produtores passem a vender um pouco mais”, disse ela. A analista lembrou que as vendas em outubro vinham mais fracas que nos meses anteriores, porque os preços no Brasil estavam caindo devido principalmente aos recuos em Chicago e ao dólar abaixo de R$5 em alguns momentos neste mês. Uma comercialização mais lenta em outubro se seguiu a meses de negócios movimentados na esteira dos ganhos nos preços anteriormente.
Nesta conjuntura, a AgRural estima que produtores do Brasil já fixaram vendas para a nova safra de 31,5% do total projetado, versus 26% no mesmo período do ano passado. ” Já o especialista da Stag disse que, “se Chicago ficar estável, assim como os prêmios, e real subir, e estivermos falando de uma alta de R$4 por saca (no mercado interno), acredito em alta das vendas”. No entanto, ele ponderou que as condições climáticas, que permitiram um plantio adiantado da safra do Brasil, oferecem pouco suporte imediato.
Na véspera, o dólar subiu acima de R$5,60, à medida que os investidores avaliaram questões fiscais, a dívida pública e as perspectivas para as taxas de juros no Brasil com a reeleição de Lula. Custos pressionados Em estudo encaminhado à Reuters, a consultoria Céleres estima preço da soja em março de 2027 na praça referencial de Rondonópolis (MT) em R$123 a saca, versus R$114 estimados antes do segundo turno das eleições, como efeito do movimento do câmbio permitindo ganhos nas cotações em reais. “A desvalorização do real aumenta a competitividade dos grãos brasileiros no mercado internacional, forçando Chicago à reduzir os patamares de preços para buscar manter essa competitividade mais próxima.
Só que em reais, para o produtor brasileiro, o saldo desses dois vetores ainda foi bastante positivo”, disse o analista da Céleres Gabriel Santos. Se a alta do dólar favorece os preços, há também o efeito da alta de custos relacionada à questão cambial, uma vez que o Brasil é importador dos principais insumos, como fertilizantes e pesticidas, ponderou o analista. O post Dólar Alto Tem Pouco Impacto Inicial nas Vendas de Soja do Brasil, Mas Cenário É Positivo, Dizem Analistas apareceu primeiro em Forbes Brasil .
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