Dólar Dispara após Eleição; Veja os Maiores Saltos da Moeda Desde o Plano Real
Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo. O avanço do dólar nesta segunda-feira, 26, levou a cotação intradiária a R$ 5,60, alta de 12,3% em relação ao fechamento de sexta-feira. Perto das 12h, a moeda era negociada a R$ 5,46.
Embora o percentual não possa ser comparado diretamente com os dados diários da série, a disparada chama atenção diante de levantamento divulgado nesta segunda-feira pela Elos Ayta, que identifica as maiores altas diárias do dólar Ptax desde o início do Plano Real. O estudo mostra que oito das dez maiores valorizações ocorreram durante as crises cambial de 1999 e financeira de 2008. A moeda abriu em forte alta no primeiro pregão após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, com virada inédita .
A Bolsa também sofreu forte pressão e acionou o mecanismo de circuit breaker , que interrompe temporariamente as negociações. O levantamento da Elos Ayta aponta como maior alta diária da série os 11,10% registrados em 15 de janeiro de 1999. Naquele mês, o dólar também subiu 8,91% no dia 13, 6,61% no dia 26 e 5,51% no dia 21.
Naquele período, o Brasil enfrentava saída de capitais e perda de reservas internacionais, enquanto o Banco Central tentava manter o real dentro de bandas cambiais. A pressão tornou insustentável o regime. Em janeiro, o governo abandonou o controle da cotação e adotou o câmbio flutuante.
Com a mudança, o real se desvalorizou rapidamente e o dólar disparou. A crise financeira global de 2008 também aparece quatro vezes entre as dez maiores altas. A quebra do banco americano Lehman Brothers, em setembro, agravou a desconfiança nos mercados e levou investidores a buscar ativos considerados mais seguros, como o dólar.
A saída de recursos de mercados emergentes pressionou a moeda no Brasil. Em outubro, o dólar Ptax avançou 9,33% no dia 8, 7,79% no dia 22 e 5,98% no dia 6. Também subiu 5,41% em 29 de setembro.
As outras duas datas entre as dez maiores altas foram 18 de maio de 2017, quando o dólar subiu 8,79% em meio à crise política envolvendo o então presidente Michel Temer e executivos da JBS, e 16 de agosto de 2007, com valorização de 5,39% durante as turbulências do crédito imobiliário de alto risco nos Estados Unidos, conhecidas como crise do subprime . É preciso ressaltar que a alta de 12,3% observada nesta segunda-feira é intradiária, enquanto o levantamento da Elos Ayta considera variações diárias da Ptax. Para Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank, a intensidade da disparada lembra aqueles períodos, mas as causas são diferentes.
“É difícil comparar a reação do mercado de hoje com essas duas crises. O mercado tinha a expectativa de que veríamos uma alternância de poder, e ela não aconteceu. Na minha percepção, é o mercado ajustando as posições nesse sentido”, afirma sobre a forte a alta nesta segunda-feira.
A reação também reflete a preocupação dos investidores com a trajetória das contas públicas. O mercado acompanha agora os sinais do governo sobre a política fiscal, o plano de governo e a equipe econômica. Quartaroli diz que o câmbio pode continuar pressionado nos próximos dias, enquanto os investidores aguardam informações sobre a transição e a composição dos ministérios.
“É uma primeira reação. Ao longo dos próximos dias, a tendência é que os ativos se ajustem”, diz a economista. Para ela, o dólar talvez não retorne imediatamente ao patamar de R$ 5 e possa permanecer mais pressionado no primeiro momento.
Segundo análise de Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos , “Lula está diante de um problema fiscal grave e o benefício da dúvida sobre sua atuação não se fará presente para facilitar seu trabalho”. Na avaliação do economista, não seria surpreendente que o dólar se mantivesse na casa de R$ 5,50 “por um bom período”. O post Dólar Dispara após Eleição; Veja os Maiores Saltos da Moeda Desde o Plano Real apareceu primeiro em Forbes Brasil .
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