Dólar sobe mais de 12% e passa de R$ 5,60 no day after da eleição
O dólar abriu em alta de mais de 8% ante o real nesta segunda-feira (26) na abertura da primeira sessão após o segundo turno das eleições. A moeda americana superou a marca de R$ 5,40. Mas menos de uma hora mais tarde o câmbio saltou de novo.
Por volta de 10h, o dólar subia 12,62%, negociado a R$ 5,6056. O avanço da moeda era esperado por gestores e analistas após a confirmação da vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito para um quarto mandato de forma inesperada – dado o conjunto de pesquisas que apontavam a vitória do adversário, Flávio Bolsonaro. As pesquisas indicavam o contrário, uma vantagem entre 1 e 2 pontos para o oposicionista no segundo turno.
Leia também Investimentos Vitória de Lula surpreende mercado e pressiona títulos brasileiros no exterior Investimentos ETF de ações brasileiras cai mais de 27% no exterior com vitória de Lula. Veja o que esperar no mercado O cenário de manutenção do governo frustra a maior parte do mercado que apostou na vitória de Flávio e de um prometido ajuste fiscal, o que já começava a derrubar os chamados prêmios de risco dos ativos brasileiros. O dólar sobe, portanto, em meio a uma volta dos prêmios mais altos pedidos pelos investidores em um cenário de risco fiscal mais elevado.
A forte e rápida elevação da divisa dos EUA também traz de volta temores sobre pressão inflacionária e pode reduzir o espaço para o Banco Central cortar a Selic mais vezes. A moeda americana volta aos patamares visto em janeiro deste ano. A última vez que a divisa dos EUA alcançou esse nível foi em 5 de janeiro.
Várias casas passaram a revisar os patamares projetados para a moeda americana. O ASA, por exemplo, enxerga o dólar a R$ 5,50 no fim de 2026 e R$ 5,70 no encerramento de 2027. O Morgan Stanley enxerga o dólar em R$ 5,60, mas com potencial para voltar a superar R$ 6, caso o cenário fiscal se deteriore e surja o risco de dominância fiscal, ou seja, quando a política fiscal (os gastos e o endividamento do governo) dita os rumos da economia e anula a eficácia da política monetária.
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