Dona do TikTok negocia nova fase de complexo de data centers no Ceará
A ByteDance, empresa chinesa dona do TikTok , avalia ampliar sua presença no setor de data centers no Ceará. A companhia procura uma desenvolvedora para conduzir a segunda fase de um projeto em um porto industrial no estado, onde conta com incentivos fiscais para a exportação de dados, segundo pessoas familiarizadas com as negociações ouvidas pela Bloomberg, sob condição de anonimato. A expansão poderá superar o projeto de US$ 10 bilhões (cerca de R$ 55 bilhões), com capacidade de 300 megawatts, que a empresa já está construindo no Ceará.
A ByteDance também mantém conversas preliminares com desenvolvedoras para instalar um data center de porte semelhante fora do Porto do Pecém, segundo as fontes. Leia também Negócios Perto dos usuários – e do fundo do mar: como a geografia determina a corrida dos data centers no Brasil Negócios O data center do TikTok no Ceará: o quebra cabeça por trás do gigante de R$ 200 bilhões A unidade fora do complexo portuário atenderia clientes no mercado brasileiro. Já os data centers instalados no Pecém precisam exportar dados para ter direito às isenções fiscais.
Os novos projetos reforçariam a posição da ByteDance como uma das principais empresas na construção de infraestrutura de computação na América Latina. A movimentação também ocorre em um momento em que o Brasil tenta preservar sua competitividade na atração desse tipo de empreendimento, diante da disputa com países como Chile e Argentina, que também oferecem incentivos e desenvolvem infraestrutura para receber data centers. Procurada pela Bloomberg, a ByteDance não respondeu ao pedido de comentários.
A expansão da infraestrutura está ligada aos planos da companhia de fazer da inteligência artificial (IA) um novo motor de crescimento. Para isso, a empresa vem ampliando os gastos com equipamentos e capacidade de processamento. Ao mesmo tempo, a resistência de eleitores americanos aos projetos de data centers nas eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos pode desacelerar novas construções no país e levar desenvolvedoras a procurar outros mercados, como o Brasil.
Ceará concentra projetos de data centers A ByteDance anunciou no ano passado um investimento de R$ 200 bilhões (US$ 36 bilhões) para construir um complexo de data centers no Pecém, em etapas. As obras da primeira fase começaram no início de 2026. A localização é considerada estratégica pela proximidade com Fortaleza, que concentra o maior hub de cabos de fibra óptica da América do Sul.
A infraestrutura permite conectar o Brasil a outros mercados e facilita a exportação de dados. “A região de Fortaleza e o Nordeste em geral se destacam porque é justamente ali que chegam os cabos submarinos do Brasil”, afirmou Affonso Nina, presidente da Brasscom, associação que representa empresas do setor de tecnologia. ” O Ceará também reúne condições favoráveis para o fornecimento de energia renovável.
O estado está em uma das regiões brasileiras com maior potencial de geração eólica e solar, característica importante para data centers, que demandam grandes volumes de eletricidade. A capacidade instalada de data centers no Brasil mais do que dobrou desde 2022 e ultrapassou 1 gigawatt, segundo a Brasscom. A associação estima que o volume cresça cerca de 20% ao ano até 2031, quase triplicando em relação ao patamar de 2025.
Incentivos fiscais e desafios de infraestrutura A construção de data centers no país deve ganhar impulso com os incentivos fiscais sancionados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em setembro. As medidas reduzem em cerca de um terço a carga tributária sobre a importação de servidores, processadores e equipamentos de rede, com o objetivo de tornar o Brasil mais competitivo na disputa por esses empreendimentos. O setor, porém, ainda aguarda a publicação das normas que vão detalhar quais produtos poderão receber os benefícios.
Os projetos de data centers contam com apoio de diferentes partidos no Brasil e enfrentam resistência local limitada, ao contrário do que ocorre nos Estados Unidos. No discurso de vitória após sua reeleição, em outubro, Lula prometeu atrair mais empreendimentos do setor para o país. Apesar dos incentivos, a expansão depende de melhorias na infraestrutura elétrica.
Um dos desafios é ampliar as linhas de transmissão para transportar energia renovável até os centros de consumo, especialmente no Sul do país. “Ainda temos outros desafios. Nossa rede de transmissão não consegue absorver todas as usinas que buscam conexão ao sistema”, afirmou Bruna de Barros Correia, sócia da área de energia do escritório BMA Advogados.
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Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.
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