Dono de ONG financiada pelo governo lidera movimento pró-Lula
O dono de uma ONG que recebeu R$ 5,6 milhões do governo federal lidera um movimento de apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) , com ações na internet e mobilizações previstas em todos os Estados. A iniciativa também reúne integrantes atuais e antigos do Ministério da Cultura . O Movimento Cultura com Lula é comandado por João Paulo Mehl, filiado ao PT no Paraná e fundador do Coletivo Soylocoporti.
A entidade recebeu recursos dos ministérios da Cultura e das Cidades desde 2023. Parte dos valores foi destinada à coordenação do Comitê de Cultura do Paraná, programa mantido pelo governo federal. O secretário-executivo do Ministério da Cultura, Márcio Tavares, aparece como coordenador-geral do movimento.
A iniciativa também conta com Roberta Malvão, ex-coordenadora dos escritórios estaduais da pasta. Segundo os organizadores, a atuação é voluntária e não utiliza recursos públicos nem mantém vínculo institucional com a campanha de Lula. A assessoria eleitoral do presidente também afirmou que o Cultura com Lula não integra a campanha oficial.
O Ministério da Cultura declarou que seus servidores foram orientados a cumprir a legislação eleitoral e que não há uso da estrutura da pasta em atividades de campanha. Janja participou de live com dono de ONG financiada pelo governo Lula Janja participa de live eleitoral com 21 mil pessoas, com integrantes do Ministério da Cultura e João Paulo Mehl / Foto: Reprodução/Estadão O movimento mantém site, redes sociais e grupos de WhatsApp, oferece materiais de apoio à candidatura de Lula e organiza uma mobilização nacional para o dia 26, uma semana antes da eleição. A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, e a ministra da Cultura, Margareth Menezes, participaram de uma transmissão promovida pelo grupo no último dia 14.
A estrutura digital utilizada pelo Cultura com Lula está ligada à Rede Livre, coordenada por Mehl e formada, segundo o próprio grupo, por mais de 1,3 mil sites, blogs e influenciadores. O site do movimento utiliza a infraestrutura tecnológica dessa rede. + Saiba mais sobre Política em Oeste As regras eleitorais permitem manifestações políticas espontâneas de pessoas físicas na internet.
A legislação, porém, proíbe propaganda eleitoral, mesmo gratuita, em sites ou perfis pertencentes a pessoas jurídicas. Endereços eletrônicos oficiais utilizados por candidatos, partidos ou coligações também devem ser comunicados à Justiça Eleitoral. Segundo a reportagem que revelou o caso, as páginas e os perfis do Cultura com Lula não constavam entre os canais registrados pela campanha nem em sua prestação de contas.
Os responsáveis afirmam que, por se tratar de movimento independente e voluntário, não haveria obrigação de vinculá-los formalmente à candidatura. A ONG de Mehl recebeu R$ 3,4 milhões do Ministério da Cultura e outros R$ 2,3 milhões do Ministério das Cidades, segundo os dados apresentados pela reportagem. Os contratos são destinados a projetos culturais e ambientais e, segundo os envolvidos, não têm relação com a mobilização eleitoral.
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