Donos bilionários do Dollywood planejam futuro sem Dolly Parton
Desde que foi inaugurado, em 1986, o Dollywood tem sido tanto um monumento a Dolly Parton quanto um movimentado parque de diversões onde os visitantes podem conhecer uma réplica da casa de madeira de dois cômodos onde a cantora e compositora cresceu e comer fatias do famoso pão de canela da artista entre uma atração radical e outra. Agora, o legado do parque no Tennessee, nos Estados Unidos, está nas mãos de uma discreta família bilionária. Após a morte de Parton, no mês passado, aos 80 anos, sua antiga parceira e coproprietária do Dollywood, a Herschend Entertainment, assumiu a responsabilidade de administrar e expandir o parque, moldado à imagem da artista perto de sua cidade natal, nas Montanhas Great Smoky.
A influência de Parton continuará presente nos próximos anos: o parque está no meio de uma expansão de US$ 500 milhões, com brinquedos e outras atrações que receberam a aprovação da cantora. “Queremos homenageá-la continuando a transformar o Dollywood naquilo que ela pretendia que fosse”, disse Chris Herschend, presidente da Herschend Entertainment e integrante da terceira geração da família que controla a empresa, em uma videoconferência de seu escritório, diante de estantes repletas de livros infantis que sobraram da Imagination Library, iniciativa criada por Parton. “Ninguém poderia substituir Dolly.
” Leia também The Wall Street Journal Dolly Parton disse não a Elvis — e construiu um império de US$ 450 milhões Na Herschend, Parton encontrou uma parceira que compartilhava sua combinação de visão empresarial e responsabilidade social, afirmou Robert Niles, fundador e editor do Theme Park Insider. A Herschend oferece uma série de benefícios aos seus 22 mil funcionários, chamados de “anfitriões”, incluindo participação nos lucros e mensalidades universitárias gratuitas. A empresa também doa 1% de sua receita bruta para instituições de caridade.
“Dolly era uma empresária. Não é como se ela fosse uma santa altruísta; ela trabalhou duro todos os dias de sua vida”, disse Niles. ” O sucesso do Dollywood permitiu que a Herschend crescesse significativamente.
A empresa, com sede nos arredores de Atlanta, atualmente possui e administra outros 10 parques temáticos nos Estados Unidos, além de parques aquáticos, resorts, acampamentos, aquários, uma operação de passeios de jipe e o Harlem Globetrotters. A Moody’s estima que a empresa tenha gerado cerca de US$ 1,2 bilhão em receita no ano passado. Com base nesse dado e em outras informações financeiras, o Bloomberg Billionaires Index avalia o negócio em pelo menos US$ 1,7 bilhão.
A companhia é totalmente controlada pela família Herschend, que se recusou a comentar a avaliação. A empresa não divulga seus resultados financeiros nem o desempenho individual de seus parques, mas Herschend afirmou que os negócios triplicaram na última década. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) cresceu a uma taxa anual composta superior a 8% nas últimas duas décadas.
Um relatório de crédito da Moody’s divulgado em janeiro estimou que 43% do Ebitda gerado pelos parques vinha do sudeste dos Estados Unidos, onde o Dollywood é, de longe, a maior atração da empresa. Herschend se recusou a informar qual era o tamanho da participação de Parton no parque, mas disse que foram tomadas “medidas” previamente para garantir que a operação continuasse normalmente após sua morte. Pigeon Forge Localizado em Pigeon Forge, no estado americano do Tennessee, na região das Montanhas Great Smoky, o Dollywood ocupa 67 hectares de área arborizada e conta com montanhas-russas, diversos palcos musicais, duas locomotivas a vapor da época da Segunda Guerra Mundial e um museu dedicado a Dolly, cuja fachada é dominada por uma borboleta rosa brilhante.
Em 2024, ano mais recente com dados disponíveis, o parque recebeu 3,1 milhões de visitantes, segundo a Themed Entertainment Association, o que o colocou como o 18º parque temático mais visitado dos Estados Unidos, em uma lista dominada pelas atrações da Disney. Entre os parques sazonais — o Dollywood funciona de meados de março até o início de janeiro —, está entre os três mais visitados e é a maior atração turística paga do Tennessee. A história da família Herschend no setor de entretenimento começou no início dos anos 1950, quando os avós de Chris — Hugo, vendedor de aspiradores de pó de porta em porta, e sua mulher, Mary, bibliotecária — encontraram uma caverna durante uma viagem pelo Missouri.
Por acaso, compraram a caverna e a transformaram em atração turística. Após a morte de Hugo, em 1955, Mary continuou administrando o local com os filhos, Jack e Pete, e expandiu o negócio para incluir uma cidade mineradora reconstruída dos anos 1880, batizada de Silver Dollar City. Depois que o embargo do petróleo na década de 1970 reduziu o número de pessoas que viajavam de carro, os irmãos decidiram ampliar sua presença geográfica e compraram um segundo parque, um pequeno destino turístico nas Smoky Mountains, que rebatizaram de Silver Dollar City Tennessee.
Quando Parton anunciou, em uma entrevista à jornalista Barbara Walters, que queria abrir um parque temático em sua cidade natal, Sevierville, no Tennessee — a poucos quilômetros de Silver Dollar City —, “foi como um tiro, não um convite”, lembrou Herschend. ” Parton, na verdade, era frequentadora assídua do Silver Dollar City, onde levava suas sobrinhas e sobrinhos e dava dinheiro para que eles gastassem livremente. Por coincidência, a mãe do então gerente-geral do parque trabalhava nos correios com a mãe do motorista do ônibus de turnê de Parton.
As duas mães fizeram a apresentação, e o gerente-geral propôs uma parceria à cantora depois de encontrá-la em um de seus shows. Convencer os membros do conselho da Herschend sobre os benefícios de uma parceria com Parton não foi fácil, segundo Herschend. Eles temiam que uma celebridade cheia de confiança passasse por cima da estrutura da organização.
Um membro do conselho de Nashville ajudou a destravar o impasse e deu o voto decisivo, de acordo com Herschend. “Ele disse: ‘Vocês não entendem. Ela não é como a maioria das pessoas.
” Maior empregador da região O talento de Parton para contar histórias e se conectar com as pessoas influenciou tanto a atmosfera do parque quanto suas atrações. A maioria faz referência à cultura local, com palcos que recebem grupos de bluegrass, gênero de música tradicional americana marcado por instrumentos como banjo, bandolim e violino, além de apresentações de música dos Apalaches, demonstrações de ferraria e a torre de escalada Lumberjack Lift. Fortalecer a região era uma das principais motivações de Parton para criar o parque.
O Dollywood é o maior empregador do condado e, em 2021, estimava-se que gerasse US$ 1,8 bilhão por ano para a economia local. Seu instinto empresarial também influenciou a Herschend de outras maneiras. Anos atrás, ela incentivou a empresa a abrir um resort próximo ao Dollywood — uma sugestão que, segundo Herschend, foi inicialmente rejeitada porque o negócio não fazia parte da experiência da companhia.
“Ela foi paciente conosco enquanto explicávamos, repetidamente, por que não estávamos dispostos a fazer isso”, disse Herschend. A empresa acabou cedendo, e o hotel — o Dollywood DreamMore Resort and Spa — foi um sucesso imediato, segundo ele. Atualmente, a companhia possui dois hotéis na região e está construindo um terceiro hotel com a marca Dolly Parton em Nashville.
O Dollywood serviu, de certa forma, como modelo para os parques temáticos que a empresa possui em outras regiões. A maioria são atrações regionais, longe dos grandes centros urbanos, que buscam oferecer uma experiência imersiva e refletir a cultura local. Em 2025, a empresa comprou da espanhola Parques Reunidos os 24 parques e atrações que pertenciam à Palace Entertainment nos Estados Unidos — alguns deles foram vendidos posteriormente — por US$ 700 milhões.
Cinco meses depois, comprou o Silverwood Theme Park, perto de Coeur d’Alene, em Idaho, da família que havia fundado o parque, por um valor não divulgado. As aquisições contribuíram para elevar a dívida da empresa para mais de US$ 1,1 bilhão, segundo a Moody’s, que mantém uma avaliação de perspectiva estável para a companhia. Ser uma empresa familiar e fechada permitiu que a Herschend reinvestisse em seus parques e atrações em um ritmo maior do que seria possível em uma companhia de private equity ou de capital aberto, afirmou Herschend.
A família reúne cerca de 70 integrantes de cinco gerações e segue um lema informal: “família mantida para sempre”. Apesar disso, a empresa é administrada por profissionais que não fazem parte da família há mais de 20 anos. O escritório da família Herschend, a Elmwood Management, investe em diferentes classes de ativos, públicos e privados, que oferecem diversificação em relação ao setor de entretenimento familiar e parques temáticos.
Após a morte de Parton, o presidente do Dollywood anunciou planos para homenagear a cantora, incluindo novas atrações, como uma cachoeira com uma escultura de violão ao lado da capela já existente no parque. “O que fez o Dollywood funcionar foi a confiança entre Dolly e nossa família e a certeza mútua de que cada um faria sua parte”, disse Herschend. ” ]]>
Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.
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