SJX NEWS

    investnews.com.br

    InvestNews

    SJXNEWS
    InvestNews·26 de out., 14:35

    El Niño ameaça era das bananas baratas, alerta Chiquita

    As bananas correm o risco de se tornar o próximo produto nas prateleiras dos supermercados a sofrer aumentos de preços, em parte devido a um El Niño intenso e à guerra, segundo uma das principais empresas vendedoras da fruta. “A indústria enfrenta condições climáticas extremas e turbulências geopolíticas”, afirmou Carlos López Flores, presidente-executivo da Chiquita Brands International, em entrevista. ” O executivo prevê que a indústria venderá menos bananas em 2027, provavelmente a um custo mais elevado, o que pode tornar o próximo ano o mais difícil para o setor em décadas.

    Leia também Economia Sem ajuste fiscal crível, economia em novo governo Lula pode entrar em recessão, diz Solange Srour Economia Após eleição, real em alta impulsiona contratos futuros de açúcar e café “Estamos prevendo um fim de 2026 muito desafiador e um início de ano que vem igualmente difícil para a indústria”, disse ele, acrescentando que o El Niño e as turbulências geopolíticas tornam mais difícil o cultivo de bananas pelos fornecedores da América Latina. Isso pode acabar significando preços mais altos para os consumidores, que ficaram protegidos de aumentos durante anos. Os preços dos alimentos dispararam em todo o mundo devido aos custos elevados para produzir e transportar produtos agrícolas, além de interrupções provocadas por guerras e dos efeitos do mau tempo sobre as lavouras.

    As bananas, em grande parte, escaparam da volatilidade dos preços, oferecendo estabilidade aos consumidores que tentam conter o aumento das despesas domésticas com supermercado. As bananas geraram US$ 12,8 bilhões em receitas de exportação em 2025, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Mas as empresas do setor enfrentam margens de lucro apertadas há anos.

    Elas precisam garantir o fornecimento durante todo o ano e transportar a fruta rapidamente pelo mundo antes que amadureça, tudo isso para vendê-la por menos de US$ 1 por libra (cerca de 454 gramas). A Chiquita é uma das maiores comerciantes de bananas do mundo, com uma marca icônica que existe há mais de 80 anos. Por isso, as perspectivas apresentadas pelo presidente-executivo têm peso no setor.

    A empresa possui fazendas próprias e também compra de fornecedores externos, obtendo todas as suas frutas na América Latina. López Flores afirmou que o conflito no Oriente Médio já elevou os custos de combustível, fertilizantes e embalagens, despesas que têm sido difíceis de repassar aos clientes. Agora, ele vê o agravamento do El Niño como uma nova ameaça para a América Latina, principal região exportadora de bananas do mundo.

    O fenômeno provoca chuvas intensas no Equador e no Peru, ao mesmo tempo que desencadeia secas severas na Bacia Amazônica e no Nordeste do Brasil. As chuvas torrenciais no Equador, principal fornecedor da fruta, podem agravar doenças nas plantas, danificar as lavouras e destruir estradas. A seca provocada pelo El Niño também pode reduzir os níveis de água do Canal do Panamá, prejudicando uma importante rota de transporte para países produtores próximos.

    De quem é a Chiquita? A Chiquita tem sede na Suíça e pertence à brasileira Sucocitrico Cutrale e ao Grupo J. Safra, que adquiriram a empresa em 2015.

    A companhia é sucessora da United Fruit Company, rebatizada como Chiquita Brands International em 1990, após décadas de comercialização de bananas com essa marca. A Chiquita já iniciou negociações preliminares com varejistas sobre contratos de fornecimento e preços para o próximo ano, disse López Flores. Até agora, as conversas têm se concentrado mais na “garantia de fornecimento” do que nos aumentos de preços.

    Ainda assim, ele afirmou que a empresa discutiu com os compradores os custos adicionais que estão se acumulando ao longo da cadeia de abastecimento de bananas. O setor normalmente vende a maior parte da produção por meio de contratos de longo prazo, que estabelecem antecipadamente a quantidade e os custos fixos. Isso deixa os fornecedores com pouca margem para repassar aumentos inesperados nas despesas das fazendas.

    Ainda não está claro até que ponto os varejistas estariam dispostos a aceitar preços mais altos, nem como esses aumentos seriam recebidos pelos consumidores, acostumados a encontrar bananas entre os produtos mais baratos dos supermercados. As bananas vendidas em cidades dos Estados Unidos custaram, em média, cerca de US$ 0,66 por libra no mês passado, segundo dados do governo americano. O preço é menos da metade do cobrado por laranjas e frutas cítricas.

    Ao contrário de outros produtos básicos da despensa, os preços das bananas quase não mudaram nos últimos anos: subiram apenas 14% em uma década. López Flores afirmou que a Chiquita está comprometida em garantir um fornecimento confiável de bananas aos clientes e consumidores, apesar das dificuldades enfrentadas pelos produtores latino-americanos. “Todos naquela região que cultivam bananas dirão hoje que produzir a fruta está mais difícil, mais caro e menos previsível do que há um ano”, afirmou.

    ” ]]>

    Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.

    Leia a matéria completa em InvestNews →