Eleição depende de cessar-fogo com a Rússia, diz jornalista ucraniana
A guerra na Ucrânia já dura mais de 4 anos sem previsão de um acordo de paz. Durante este tempo, o país deveria ter realizado eleições tanto para o parlamento –há cerca de 2 anos e meio– quanto para a presidência –há 2 anos. Por causa do conflito, ambos os pleitos foram adiados por tempo indeterminado, já que a Constituição ucraniana proíbe a realização de eleições em períodos de instauração da lei marcial.
Dessa forma, o presidente Volodymyr Zelensky (Servo do Povo, centro) segue no poder. Em entrevista ao Poder360 , a jornalista ucraniana Olga Rudenko , editora-chefe do The Kyiv Independent , relatou que seus conterrâneos concordam que é melhor esperar o mínimo de estabilidade para ir às urnas. “Eu não diria que os ucranianos estão buscando ativamente uma eleição.
A maioria das pessoas entende o motivo de não termos eleições e compreende os riscos que uma eleição traria para a segurança do Estado durante a guerra. Na maior parte do tempo, o consenso tem sido de que precisamos de um acordo de paz ou, no mínimo, de um cessar-fogo estável para que uma eleição ocorra” , afirma Olga. A Ucrânia é uma república semipresidencialista com mandato de 5 anos para todos os cargos.
O presidente (chefe de Estado) pode ser reeleito uma vez só de forma consecutiva. O Parlamento unicameral (Verkhovna Rada) tem 450 membros. O voto é facultativo, e todos os cidadãos ucranianos maiores de 18 anos têm direito a ele.
2026 Na imagem, a editora-chefe do The Kyiv Independent, Olga Rudenko, em visita à sucursal do jornal digital Poder360 em São Paulo Ex-ministro pede eleições A mais recente movimentação do país em relação ao assunto foi o pedido, em agosto , do ex-ministro da Defesa ucraniano Mykhailo Fedorov por eleições. Em um vídeo, ele afirmou que o país passa por uma “crise sistêmica de governança” e defendeu a retomada do pleito, mesmo durante a guerra. Anteriormente visto como um forte aliado do presidente, Fedorov foi demitido em julho por Zelensky , apenas 6 meses depois de assumir a pasta.
O motivo, segundo o líder ucraniano, foi sua “ incapacidade de trabalhar em sincronia com as Forças Armadas “. Segundo a jornalista, Fedorov é muito popular. “As pessoas chegaram a ir às ruas protestar contra a demissão, o que foi incomum” , conta.
“ Esse ex-ministro da Defesa, então, pediu publicamente a realização de eleições durante a guerra, algo que nunca tinha sido feito antes. As reações a esse pedido foram mistas, mas acho que isso reabriu a conversa sobre o assunto” , acrescentou Olga. Apesar de não se declarar abertamente contra as eleições, Zelensky afirmou à imprensa , em 23 de agosto, que não era uma boa ideia realizar eleições durante o período de guerra .
“As eleições neste momento são um tsunami para o Estado, que vai dividir a Ucrânia. Por isso, minha estratégia é conduzir o país rumo ao fim da guerra e preservar um Estado independente e soberano” , afirmou o presidente. Uma pesquisa realizada pelo KIIS (Instituto Internacional de Sociologia de Kiev) de 20 de julho a 3 de agosto mostrou que: 57% da população ucraniana apoia novas eleições apenas após um acordo final de paz e término total da guerra; 23% apoia novas eleições depois de um cessar-fogo com garantias de segurança confiáveis; 15% apoia imediatamente, mesmo antes do fim das hostilidades.
“ELE FICOU” A pouca adesão dos ucranianos à vontade de realizar novas eleições pode não ser somente pelo medo da guerra, mas também pela confiança que demonstram em Volodymyr Zelensky. De acordo com outra pesquisa do KIIS , de 21 de agosto a 10 de setembro, 54% agora confiam em Zelensky, enquanto 41% não confiam. A título de comparação, um levantamento de julho de 2026 do canal israelense Keshet 12 mostrou que apenas 38% dos israelenses confiam no primeiro-ministro de Israel , Benjamin Netanyahu, contra 60% que não confiam.
“Ele notoriamente fez coisas muito corretas no início da guerra. Em primeiro lugar, ele ficou, não fugiu. E isso foi extremamente importante no começo.
Ele tem mantido o apoio internacional à Ucrânia ao redor do mundo, atuando como o grande representante do país. Muitas pessoas no mundo o veem como um herói e associam Zelensky à própria Ucrânia” , conta Olga. Ainda assim, a jornalista afirma que atitudes polêmicas, como a demissão e Fedorov, podem abalar a popularidade de Zelensky.
“Infelizmente, o histórico dele com assuntos internos é muito mais problemático. Isso pesa na taxa de aprovação dele” , diz. ” Olga acrescenta que a ausência temporária de eleições não representa uma carta branca a Zelensky.
“É muito problemático que a Ucrânia não tenha uma democracia plenamente funcional no momento, porque as pessoas não têm como influenciar a governança do país” , diz. “Em uma situação como essa, precisamos de uma fiscalização rigorosa e de alta qualidade sobre as pessoas que tomam as decisões. Há duas visões opostas na Ucrânia sobre isso: alguns acham que, como o presidente detém todo o poder e lidera a luta contra a Rússia, ele deveria estar isento de críticas.
A segunda visão —que eu compartilho— é que, justamente por deter tanto poder em um momento tão delicado, ele precisa estar sob escrutínio constante para garantir que está fazendo um bom trabalho. Essas duas visões coexistem no país, inclusive na comunidade jornalística” , completa. ]]>
Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.
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