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    Money Times·29 de set., 21:09

    Eleição pode ser definida no primeiro turno e, se Flávio Bolsonaro for eleito, será presidente impopular, diz Mauricio Moura, do Zaftra

    O cenário-base para Mauricio Moura, sócio do Zaftra Fund e fundador do Instituto Ideia, é de a eleição presidencial brasileira caminhar para ser definida em um segundo turno. Mas, segundo ele, a possibilidade de definição em um primeiro turno no próximo domingo (4) “não é nada desprezível” e depende de alguns fatores ligados ao fenômeno do “ não-voto “, soma de votos brancos, nulos e abstenções. “Se esse não-voto chegar a uma zona entre 31% e 32% , a probabilidade é muito alta de a eleição ser definida no primeiro turno”, disse Moura, no TAG Summit 2026 , organizado pelo Market Makers nesta terça-feira (29).

    Nesse cenário, tanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como Flávio Bolsonaro (PL) são os nomes com chances de vitória. Mas o senador de oposição tem um favoritismo graças a dois fatores, segundo o executivo. O primeiro é o “a ntipetismo de chegada “, com o crescimento dos candidatos mais viáveis contra o Lula ou indicados pelo petista, na reta final do primeiro turno e com votos de adversários aliados ideologicamente, o que ocorre desde 2014.

    “O potencial do antipetismo de chegada é maior agora, e o Flávio tende a ganhar mais, porque todos os principais adversários são de oposição”, disse. Outro fator é o perfil do eleitor que fomentará o nível de abstenção. Cerca de 20% dos que não votam são de baixa renda e de baixa escolaridade.

    “Em 2022, 5 milhões de analfabetos não apareceram, isso sempre impacta o PT, que perde de 1,5 ponto a 2,5 pontos dos votos pela abstenção”, afirmou Moura. Por outro lado, outros fatores favorecem Lula na reta final para vencer no primeiro turno. O nível de energia é baixo da campanha de Flávio e, na avaliação do sócio do Zaftra, o senador é um candidato com muito menos engajamento e popularidade do que o pai, Jair Bolsonaro.

    Outro fator a ser explorado pela campanha de Lula é colar ao máximo em quem aprova seu governo, em torno de 46% no geral, e aumentar essa aprovação na reta final de campanha. “Para Lula chegar bem ao segundo turno, precisa fazer pelo menos 4 pontos a mais do que o segundo colocado e ter mais de 49% dos válidos. Se fizer entre 45% a 47% vai ser muito difícil”, afirmou.

    Flávio impopular Se Flávio Bolsonaro for eleito, independente de qual turno isso ocorrer, ele será um presidente rapidamente impopular e que tende a cair na mão do Centrão e do Congresso, segundo o sócio do Zaftra, fundo que começou a operar em abril de 2023 e que, pela primeira vez, atua nas eleições presidenciais brasileiras. “Se Flávio ganhar, vai ter um certo otimismo do mercado, inclusive do estrangeiro, mas a dificuldade é ele entregar. Se eleito, ele vai ser um presidente rapidamente impopular, com metade contra logo na largada e com uma maior parte da coalizão que o ajudará a ser eleito sem boa vontade com ele”, disse Moura “Um presidente impopular fica na não da política, que hoje está na mão do Centrão”.

    Na avaliação do executivo, as três semanas de campanha do eventual segundo turno serão “pesadas” e com os dois lados “partindo para o tudo ou nada”. Acusações, fake news e ausência de um debate de propostas balizarão o possível embate entre Lula e Flávio Bolsonaro. “Isso pode aumentar a abstenção no segundo turno, ainda mais porque os dois são muito rejeitados”, afirmou.

    Mercado desconectado do mundo real A euforia com a vitória de um candidato de oposição a Lula, que traz movimentos pontuais de preços de ativos com a subida ou queda do presidente, é um dos sinais da desconexão do mercado com o mundo real, segundo Moura. “O mercado é muito desconectado do mundo real. Assim como o que o mercado percebe o que é bom para a economia e o que a opinião pública percebe para a economia é completamente diferente”, concluiu.

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