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    Eleições 2026: conheça os planos de Lula e Flávio Bolsonaro para terras raras e minerais críticos
    Olhar Digital·23 de out., 07:00

    Eleições 2026: conheça os planos de Lula e Flávio Bolsonaro para terras raras e minerais críticos

    Muitas vezes confundidos, minerais críticos e terras raras constituem duas categorias distintas e altamente estratégicas para a indústria, a tecnologia e a economia brasileira. Especialista consultado pelo Olhar Digital analisou as propostas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), que concorrem no segundo turno, para a exploração e o aproveitamento desses recursos no país. As terras raras formam um grupo fixo de 17 elementos químicos essenciais para ímãs de motores elétricos e equipamentos para a indústria de defesa.

    Já os minerais críticos são insumos vitais com alto risco de desabastecimento global, como lítio , níquel, cobre e potássio. Em resumo: todas as terras raras são minerais críticos, mas nem todos os minerais críticos são terras raras. Diferenças entre minerais críticos e terras raras.

    – Crédito: Imagem gerada por IA O Brasil possui uma posição geopolítica privilegiada por deter a segunda maior reserva mundial de terras raras, além de grandes jazidas de minerais essenciais. Essa riqueza impacta diretamente a fabricação de baterias, semicondutores, painéis solares e insumos para inteligência artificial , além da produção de fertilizantes para o agronegócio. O grande debate político concentra-se na capacidade de processar, refinar e industrializar esses insumos no país.

    Historicamente limitado à exportação de matéria-prima bruta ou de pouco valor agregado, o Brasil enfrenta a oportunidade de integrar etapas complexas das cadeias de valor, tornando a regulação do setor um tema central de soberania econômica. Minerais críticos e terras raras: propostas dos presidenciáveis nas Eleições 2026 A seguir, apresentamos as propostas entregues ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pelos dois candidatos à Presidência da República que disputam o segundo turno nas Eleições de 2026. Os planos foram analisados pelo geólogo Álvaro Penteado Crósta, autoridade em exploração mineral, professor emérito da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC), e pelo neurocientista e futurista Álvaro Machado Dias, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e colunista do Olhar Digital .

    Vamos começar com um resumo: Do subsolo à indústria, veja como os candidatos pretendem transformar os minerais críticos em vantagem estratégica para o Brasil. – Imagem gerada por IA Infográfico resume as propostas dos candidatos à Presidência para o desenvolvimento da cadeia de terras raras no Brasil. – Imagem gerada por IA Segundo Machado Dias, o ponto de partida legal já está resolvido com a aprovação da Política Nacional de Minerais Críticos no Congresso em 2 de setembro e sancionada duas semanas depois pelo presidente Lula.

    Ele destaca que a divergência real entre as campanhas está em definir o nível de exigência para transformar o minério dentro do país. “A lei está dada e os dois candidatos dizem a mesma coisa, que o Brasil não vai continuar sendo só exportador de matéria-prima. A disputa real não é sobre lei novamente, mas sobre qual é o grau de exigência nesse processamento”.

    Luiz Inácio Lula da Silva (PT) O candidato prioriza a consolidação e ampliação da Política Nacional de Minerais Críticos para estruturar a cadeia produtiva sob coordenação do Estado. A diretriz central é combater a exportação de minério bruto sem processamento, estabelecendo exigências para que o beneficiamento e o refino ocorram em solo nacional. Lula, candidato à presidência do Brasil pelo PT – Foto oficial da candidatura registrada no TSE A pauta mineral integra a política de reindustrialização verde, apontando o Nordeste como polo de plantas industriais movidas a energia eólica e solar.

    Lula defende usar o poder de compra do Estado e conceder financiamentos condicionados à transferência de tecnologia e produção de componentes no país. A proposta define mecanismos pautados no financiamento público via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), indução de pesquisa e desenvolvimento por empresas públicas e articulação com universidades e instituições de pesquisa. “A proposta de Lula atribui ao governo papel central na organização e coordenação da política industrial e da definição de prioridades para as cadeias produtivas completas desses minerais; define mecanismos e incentivos com financiamento público via BNDES, forte indução de pesquisa e desenvolvimento no país por meio de empresas públicas, pesquisa geológica estatal e forte participação de universidades e institutos de pesquisa brasileiros”, explica Crósta.

      “A visão do governo do PT é de uma régua mais alta, apontando para a separação química das terras raras no Brasil. Do ponto de vista dos pontos de contato com o mercado, existe uma busca de parcerias com a Índia, a China e os Estados Unidos”, explica o neurocientista, ressaltando ainda que o Brasil possui plena capacidade científica de superar o gargalo químico da separação de elementos e industrializar esse setor internamente. “O problema das terras raras não é nem geológico, nem de dinheiro, mas químico.

    O Brasil tem total capacidade de desenvolvimento técnico para esse tipo de coisa, pois essa classe média da ciência brasileira é de excelente qualidade”, destaca Machado Dias. Flávio Bolsonaro (PL) A proposta busca integrar a exploração mineral à oferta de energia limpa para atrair indústrias tecnológicas e data centers. O plano estabelece o Estado prioritariamente como regulador, rejeitando a atuação governamental direta como ente produtor.

    A estratégia foca na desburocratização, agilidade no licenciamento e atração de investimento privado. Flávio Bolsonaro, candidato à presidência do Brasil pelo PL – Foto oficial da candidatura registrada no TSE Na diplomacia comercial, Flávio Bolsonaro defende uma “inserção internacional soberana e pragmática, pautada nos interesses nacionais” para parcerias e cooperação tecnológica. Crósta, porém, contesta a neutralidade dessa promessa.

    “Na verdade, há restrições e preferências ideológicas no plano do Flávio em favor dos EUA, ainda que implícitas no texto”. O plano também propõe utilizar as reservas de fosfato e potássio para expandir a produção nacional de fertilizantes e reduzir a dependência do agronegócio. Crósta resume que a proposta de Flávio Bolsonaro prioriza as empresas privadas, deixando o Estado como regulador e indutor para conectar as reservas à oferta de energia limpa e verticalizar a produção.

    Nela, os minerais estratégicos são atrelados a usos específicos, como data centers, semicondutores e baterias, destacando a atração de capital e tecnologia estrangeiros. “Neste caso, parece haver uma forte influência dos interesses das chamadas ‘big techs’, em sua maioria baseadas nos Estados Unidos, sugerindo forte interação com o governo daquele país, ou mesmo subordinação a ele”, reforça o especialista. “Flávio defende o alinhamento com Estados Unidos e Israel na questão dessas commodities minerais, indicando que las reservas brasileiras desses minerais, principalmente no caso das terras raras, das quais o Brasil possui o segundo maior potencial mundial, seriam a solução para quebrar a dependência daqueles países em relação à China, país que possui as maiores reservas e que domina todo o ciclo de aproveitamento desses minerais”.

    Machado Dias endossa a leitura de Crósta ao ressaltar a aproximação da candidatura com os interesses dos EUA, destacando que a prioridade da oposição é fechar acordos de forma mais célere. “O programa do PL fala mais em licenciamento ágil e capital estrangeiro sem ressalva, com a régua não precisando ser tão alta. O caminho do Flávio é o de colocar o Brasil dentro do bloco americano como a mina confiável”, observa.

    Ele destaca a urgência dos EUA em obter ímãs de terras raras para motores, robótica e tecnologias militares, e faz um alerta sobre os riscos geopolíticos de um alinhamento exclusivo que ignore a capacidade industrial chinesa. “A China tem uma capacidade de alimentação energética de suas fábricas que é incomparável, pois foi a grande fábrica do mundo nas últimas décadas. Essa troca pode, em poucos anos, ter um custo muito grande para o Brasil”, adverte.

    Na avaliação de Crósta, a principal diferença entre os dois modelos está em quem fica com os ganhos econômicos e quem arca com os custos da exploração. ” A escolha entre o projeto de Lula, centrado no controle estatal e na industrialização local, e o de Flávio Bolsonaro, focado na atração de capital privado estrangeiro, definirá o futuro das terras raras do Brasil. Essa decisão será tomada pelos eleitores no segundo turno da eleição para Presidente do Brasil, neste domingo (25).

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