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    Forbes Brasil·24 de set., 18:45

    Eleições 2026: o Empate Técnico nas Pesquisas e a Aposta Que o Mercado Já Colocou no Preço

    Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo. Faltam menos de duas semanas para o primeiro turno, marcado para 4 de outubro, e a pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira mostra Lula com 40% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro com 37%, dentro da margem de erro de dois pontos, com diferença de apenas um ponto no cenário de segundo turno (46% a 45%). 595 pontos, o dólar caiu 0,70%, para R$ 5,11, e os juros futuros de prazo mais longo recuaram até 0,16 ponto percentual.

    Chama atenção que um empate técnico, que em tese deveria elevar a incerteza e o prêmio de risco, tenha produzido o efeito oposto nos preços. Considero que está aí o ponto mais importante nesta reta final da campanha para quem investe: em vez de neutralidade, o mercado vem precificando a leitura que faz de cada pesquisa sobre o rumo da política fiscal, e isso cria uma assimetria que a carteira precisa levar em conta. Como a pesquisa eleitoral virou gatilho para o Ibovespa e o dólar Em agosto, escrevi nesta coluna que o mercado cobrava um pedágio para atravessar a eleição.

    Naquele momento, a pesquisa CNT/MDA mostrava uma diferença de 13,7 pontos entre os dois principais candidatos, R$ 7,2 bilhões de capital estrangeiro haviam deixado a B3 e o dólar tinha chegado a R$ 5,20. De lá para cá, a distância nas pesquisas encolheu e o comportamento dos ativos se inverteu: em 2 de setembro, dia em que a Quaest apontou 42% a 41%, o Ibovespa subiu 3,05%, na 11ª alta seguida, e o dólar fechou a R$ 5,11. A explicação que circula nas mesas de operação tem a ver com expectativa de política econômica muito mais do que com preferência partidária.

      O meu ponto aqui não é discutir qual candidato seria melhor para a economia, mas sim o que todo esse cenário impacta na vida do investidor pessoa física, e o ponto central é que os preços de hoje já carregam uma probabilidade, o que os deixa expostos a qualquer informação capaz de alterá-la. O concurso de beleza de Keynes e o preço das pesquisas eleitorais Em 1936, John Maynard Keynes, em sua obra Teoria Geral, comparou o mercado financeiro a um concurso promovido por jornais, em que os leitores escolhiam os rostos mais bonitos entre cem fotografias e o prêmio ia para quem mais se aproximasse da preferência média de todos os participantes. Quem quisesse vencer não escolhia o rosto que considerava mais bonito, e sim aquele que imaginava que os outros escolheriam, e os mais sofisticados iam além, tentando antecipar o que a média esperava que a média pensasse.

    A reação às pesquisas eleitorais segue essa lógica quase ao pé da letra.   Nesse ambiente, o preço passa a refletir menos o que vai acontecer nas urnas e mais a expectativa sobre a próxima pesquisa. A margem de erro que o preço dos ativos ignora A própria pesquisa Nexus traz um dado que ajuda a dimensionar esse exagero: entre os eleitores que já escolheram algum candidato, 84% dizem que sua decisão é firme.

    Assim, com um eleitorado tão cristalizado, as oscilações entre uma rodada e outra tendem a ser pequenas e, muitas vezes, estatisticamente irrelevantes, situando-se sempre dentro da margem de erro. Isso cria uma assimetria que o investidor precisa enxergar. Como os preços subiram a cada pesquisa que mostrou a disputa mais apertada, parte do cenário que o mercado considera favorável já foi incorporada ao Ibovespa, ao câmbio e à curva de juros.

    Se as próximas rodadas confirmarem essa leitura, o ganho adicional tende a ser menor, porque boa parte dele já aconteceu; se apontarem na direção contrária, a correção pode ser rápida, porque muitas posições foram montadas sobre a mesma expectativa. Foi o que vimos acontecer em 2022, quando o Ibovespa subiu 5,54% no pregão seguinte ao primeiro turno, depois que o resultado das urnas se distanciou do que as pesquisas indicavam. Juros futuros e risco fiscal: o prêmio que nenhuma pesquisa eleitoral apaga É necessário que a gente não deixe de lembrar que há um limite para o otimismo, e ele aparece na curva de juros.

    Mesmo depois da queda desta segunda-feira, o contrato de DI para janeiro de 2031 fechou em 13,88% ao ano, acima da própria Selic, de 13,75%, o que mostra que o mercado continua cobrando um prêmio para financiar o governo no longo prazo, e as NTN-Bs, os títulos do Tesouro IPCA+, seguem pagando juros reais na casa de 8% ao ano em vários vencimentos.   A pesquisa pode mudar a expectativa do mercado sobre a disposição do próximo governo de enfrentar esse quadro, mas não altera o quadro em si, e por isso o alívio nos juros longos, até aqui, foi modesto perto do que se viu na bolsa.   Na minha avaliação,  o risco que importa é o de não atingir as metas, mais do que a oscilação de curto prazo em si.

      Por outro lado, quem investe para horizontes longos pode manter a exposição a ações, desde que dimensionada para suportar oscilações de 5% ou mais em poucos dias, algo comum em semanas de pesquisa e apuração. E os pós-fixados, com a Selic em 13,75%, seguem oferecendo carrego elevado para a parcela que precisa de liquidez e estabilidade enquanto a volatilidade durar.   Será nesse momento, e não no dia da votação, que o prêmio embutido nos juros longos terá chance real de cair ou de subir de forma duradoura, e quem hoje ajusta a carteira a cada nova pesquisa, pode descobrir que o movimento mais relevante para os seus investimentos ainda nem começou.

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