Eleições 2026: os planos de Lula e Flávio Bolsonaro para IA, data center, soberania, terras raras, clima e energia
Inteligência artificial, data centers, soberania digital, terras raras, mudanças climáticas e transição energética estão entre os principais desafios que o próximo presidente do Brasil terá de enfrentar. O Olhar Digital consultou especialistas para analisar as propostas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), candidatos que disputam o segundo turno das Eleições 2026, para cada um desses eixos estratégicos. A forma como lidamos com a tecnologia mudou drasticamente.
Durante anos, usamos computadores e programas simples apenas para automatizar tarefas do dia a dia. Hoje, o avanço da IA generativa – capaz de criar conteúdos, analisar dados complexos e tomar decisões – exige computadores e centrais de processamento muito mais potentes. Para qualquer país, acompanhar essa evolução virou uma questão de sobrevivência econômica.
O Brasil ocupa uma posição altamente estratégica nesse ecossistema. Já possuímos uma das matrizes elétricas mais limpas do planeta, característica ideal para suprir o altíssimo consumo de energia exigido pelos data centers e supercomputadores, além de contar com um enorme mercado consumidor interno. Em paralelo, a geopolítica das tecnologias emergentes exige autonomia sobre recursos minerais críticos e terras raras – eixos indispensáveis para a fabricação de hardware, baterias, painéis solares e sistemas de defesa.
O Brasil detém a segunda maior reserva mundial desses elementos, e o debate central gira em torno de processar esses insumos no país em vez de exportar matéria-prima bruta. Diante desse cenário, a transição energética – a substituição gradual de combustíveis fósseis por fontes limpas – torna-se indissociável da pauta tecnológica e ambiental, especialmente em um país vulnerável a eventos climáticos extremos que causam impactos severos à infraestrutura e à economia. DD); e Thiago Muniz, especialista em economia digital e estratégia de negócios, além de professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Na área de minerais críticos e terras raras, participaram o geólogo Álvaro Penteado Crósta, autoridade em exploração mineral, professor emérito da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e membro titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC); e o neurocientista e futurista Álvaro Machado Dias, professor livre-docente da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e colunista do Olhar Digital . Já a análise das propostas para mudanças climáticas e transição energética contou com Paulo Eduardo Artaxo Netto, físico com doutorado em física atmosférica e professor titular do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP). Vamos agora ao resumo dos planos de cada candidatura: Lula e Flávio Bolsonaro apresentam propostas distintas para inteligência artificial, data centers e soberania digital nas eleições de 2026.
– Crédito: Imagem gerada por IA Resumo das propostas dos candidatos em relação a terras raras. – Imagem gerada por IA Resumo das propostas dos candidatos em relação aos minerais críticos. – Imagem gerada por IA Resumo das propostas dos candidatos em relação ao clima.
– Crédito: Imagem gerada por IA com base nos planos de governo apresentados pelos candidatos Resumo das propostas dos candidatos em relação ao setor energético. – Crédito: Imagem gerada por IA com base nos planos de governo apresentados pelos candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) Lula, candidato à presidência do Brasil pelo PT – Foto oficial da candidatura registrada no TSE No plano de governo de Lula, a IA, os data centers, a soberania digital, o uso de minerais críticos e a transição energética são eixos centrais de um projeto de reindustrialização verde (Nova Indústria Brasil) sob coordenação ativa do Estado. A candidatura reafirma o compromisso de garantir que o país desenvolva tecnologia própria, regule o setor para evitar abusos e proteja o trabalho de criadores e profissionais.
Em infraestrutura tecnológica e soberania, projeta a atração de data centers e supercomputadores vinculada ao uso obrigatório de energia limpa, eficiência energética e reserva de capacidade computacional para pesquisas nacionais, além da criação do Conselho Nacional pela Soberania Digital, do desenvolvimento de IAs nativas em português e da implementação do Estatuto da Criança e do Adolescente Digital (ECA Digital). A proposta estabelece exigências legais para que o beneficiamento e o refino químico de terras raras ocorram em solo nacional, evitando a exportação de minério bruto sem valor agregado. Para isso, o projeto estabelece a Região Nordeste como polo de plantas industriais movidas a energia eólica e solar, contando com financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), investimentos de empresas públicas e cooperação com universidades brasileiras.
Na pauta ambiental e energética, o plano reafirma o compromisso de reduzir entre 59% e 67% as emissões líquidas de gases de efeito estufa até 2035 (em relação a 2005). Propõe a expansão de fontes solar e eólica, modernização de hidrelétricas, fortalecimento de biocombustíveis via RenovaBio e Lei do Combustível do Futuro, além do combate ao desmatamento com o fortalecimento do Ibama e do ICMBio. No âmbito social e de transição, apresenta o programa Luz do Povo, com gratuidade na conta de luz para famílias de baixa renda, ao mesmo tempo em que prevê a manutenção da exploração do Pré-Sal pela Petrobras para garantir a segurança energética transicional.
Flávio Bolsonaro (PL) Flávio Bolsonaro, candidato à presidência do Brasil pelo PL – Foto oficial da candidatura registrada no TSE A proposta de Flávio Bolsonaro fundamenta-se na integração da IA, infraestrutura de dados, exploração mineral e segurança energética à eficiência pública, à produtividade privada e à competitividade do agronegócio, com ênfase na liberdade de inovar, no incentivo a patentes, na desregulamentação e na atração de capital privado. Na economia, incentiva a adoção de IA em pequenas empresas e defende que os dados pertencem ao indivíduo, reforçando a defesa cibernética e rejeitando categoricamente a moderação estatal de conteúdos nas redes. Para a infraestrutura e a pauta mineral, o plano projeta transformar o Nordeste em um polo global de data centers sustentáveis equipados com baterias de grande porte.
Posicionando o Estado essencialmente como regulador, propõe licenciamento ambiental ágil e abertura ao capital externo, alinhando a diplomacia comercial aos Estados Unidos e Israel para o fornecimento de ímãs e insumos tecnológicos como alternativa à hegemonia chinesa. Na agenda climática e energética, apresenta o Programa Nacional de Segurança Energética, atrelando a transição à iniciativa privada, à segurança jurídica e ao apoio ao setor produtivo. Incentiva o biogás, biocombustíveis e o mercado de créditos de carbono, focando a preservação no cumprimento do Código Florestal, na regularização fundiária e no combate a eventos climáticos extremos por meio do fortalecimento da Defesa Civil.
Nas avaliações dos especialistas, essas escolhas envolvem não apenas a capacidade de atrair investimentos, mas também a distribuição dos benefícios econômicos, o fortalecimento da indústria nacional e a capacidade de implementar as medidas anunciadas. Inteligência artificial, data centers e soberania digital Para JB Queiroz Filho, a diferença entre as propostas está na maneira como cada candidato pretende desenvolver o setor tecnológico brasileiro. IA, data centers e soberania digital estão em destaque nos planos de governo de Lula e Flávio Bolsonaro.
– Crédito: Imagem gerada por IA A comparação aponta para duas preocupações: desenvolver capacidades tecnológicas nacionais e estabelecer regras para o setor, de um lado, e criar condições para estimular a inovação e atrair investimentos, de outro. O especialista ressalta que o país precisa combinar essas duas frentes. “O Brasil precisa do motor, da pista e, principalmente, de empresas capazes de voar para o mundo”.
Para ele, o desafio não é apenas instalar infraestrutura ou criar regras, mas permitir que empresas brasileiras desenvolvam tecnologia e conquistem espaço nas cadeias globais de valor. Essa preocupação também aparece na discussão sobre data centers. Queiroz Filho identifica pontos de complementaridade entre os programas: enquanto a proposta de Lula enfatiza a capacidade de transformar os investimentos em conhecimento e desenvolvimento tecnológico no país, a de Flávio prioriza as condições econômicas para atrair capital privado.
O especialista alerta para o risco de o Brasil repetir um modelo conhecido em outras cadeias produtivas: exportar matérias-primas ou oferecer recursos para a produção, mas capturar uma parcela menor do valor gerado nas etapas seguintes. “Na economia digital, não podemos correr o risco de produzir o grão e comprar a cápsula”, diz. Na avaliação dele, o maior benefício ocorre quando a atração de investimentos se conecta ao desenvolvimento de fornecedores, empresas e competências tecnológicas nacionais.
Thiago Muniz também
Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.
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