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    Eleições nos EUA: o que está em jogo para Trump e quem pode controlar o Congresso
    InvestNews·03 de nov., 11:51

    Eleições nos EUA: o que está em jogo para Trump e quem pode controlar o Congresso

    Milhões de americanos vão às urnas nesta terça-feira (3) para escolher representantes no Congresso e em cargos locais. As eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms , acontecem na metade do mandato presidencial e podem alterar o equilíbrio de poder em Washington. Estão em disputa todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, equivalente à Câmara dos Deputados no Brasil, e cerca de um terço das 100 vagas do Senado americano.

    O presidente americano, Donald Trump, passou o último mês percorrendo o país para apoiar candidatos republicanos. Com índices historicamente baixos de aprovação relacionados à condução da economia e à guerra no Irã, Trump enfrenta o risco de perder o controle de uma ou das duas casas do Congresso. Uma derrota dos republicanos ampliaria o poder de fiscalização dos parlamentares sobre o governo e poderia abrir caminho para investigações contra a administração Trump.

    Veja os principais pontos da eleição. O que sabemos sobre a votação antecipada? Cerca de 57 milhões de americanos votaram antes do dia oficial da eleição, segundo dados compilados pelo Election Lab da Universidade da Flórida até segunda-feira (2).

    Leia também Economia Quem quer ser presidente dos EUA em 2028? Movimentos antes das eleições de meio de mandato dão pistas Economia Como funcionam as eleições nos Estados Unidos Em 27 estados que acompanham o registro partidário dos eleitores, cerca de 43% dos votos antecipados presenciais e das cédulas enviadas pelo correio foram registrados ou devolvidos por eleitores democratas. Entre os republicanos, a proporção foi de 32%.

    Os números, porém, precisam ser interpretados com cautela. Muitos eleitores que votam antecipadamente são apoiadores fiéis de seus partidos e participariam da eleição de qualquer maneira. Ainda assim, os dados são compatíveis com outras pesquisas que apontam um cenário favorável aos democratas.

    Quem deve vencer a Câmara dos Representantes? Pesquisas eleitorais e mercados de previsão indicam que os democratas têm boas chances de recuperar o controle da Câmara dos Representantes. A principal dúvida é quantas cadeiras o partido conseguirá conquistar.

    O Cook Political Report, organização independente que acompanha eleições nos Estados Unidos, projeta que os democratas podem ganhar entre 12 e 25 cadeiras . As disputas em distritos de Nova York, Michigan, Flórida e Texas são consideradas equilibradas. Esses locais devem concentrar a atenção durante a apuração.

    Apesar das projeções, pesquisas eleitorais já erraram em outras eleições. Além disso, os republicanos têm uma vantagem financeira que pode ajudar seus candidatos a vencer disputas apertadas. Quem deve controlar o Senado?

    A disputa pelo Senado também está equilibrada. Para assumir o controle da Casa, os democratas precisam conquistar quatro cadeiras. Com exceção do Maine, todos os estados em que o partido tenta ampliar sua representação foram vencidos por Trump na eleição presidencial de 2024.

    A insatisfação dos americanos com a economia, porém, melhorou as chances dos democratas em estados antes considerados difíceis, como Alasca, Iowa, Kansas, Ohio e até o Texas, tradicional reduto republicano. Todas as cadeiras em disputa nesses estados são atualmente ocupadas por republicanos. Quando fecham as urnas e quando saem os resultados?

    Os horários de encerramento da votação variam de acordo com o estado americano. Os primeiros locais de votação fecham às 18h de terça-feira, no horário de Nova York, em partes de Indiana e Kentucky. Às 19h, encerram a votação estados como Geórgia, Virgínia e Carolina do Sul.

    Na Carolina do Norte e em Ohio, as urnas fecham às 19h30. Às 20h, termina a votação em estados como Pensilvânia e Maine, além da maior parte do Texas e de Michigan. Em estados decisivos como Arizona e Wisconsin, a votação termina às 21h.

    Nevada fecha às 22h, enquanto Califórnia e outros estados do oeste encerram a votação às 23h. Os últimos locais de votação, nas Ilhas Aleutas, no Alasca, fecham à 1h da manhã de quarta-feira, no horário de Nova York. Alguns resultados podem ser definidos poucas horas depois do fechamento das urnas.

    Outros, principalmente em disputas apertadas, podem levar dias. Isso acontece porque as autoridades precisam processar votos enviados pelo correio, votos provisórios e outras cédulas. Em alguns estados, votos postados dentro do prazo podem ser contabilizados mesmo depois do dia da eleição.

    Recontagens e eventuais segundos turnos também podem atrasar a definição. Por isso, pode levar vários dias até que seja possível saber qual partido controlará o Congresso. Como a inflação pode influenciar a eleição?

    A economia e o custo de vida estão entre as principais preocupações dos eleitores americanos. A aprovação de Trump em relação à economia está baixa. Sua política de tarifas sobre produtos importados é impopular, enquanto a guerra com o Irã contribuiu para elevar os preços da energia e da gasolina.

    O aumento dos combustíveis afeta especialmente alguns estados onde as disputas pelo Senado estão mais acirradas. Trump chegou a classificar as preocupações com o custo de vida como uma farsa. Depois, tentou convencer os eleitores de que a situação melhoraria, promovendo grandes projetos em estados decisivos e afirmando que os preços da energia cairiam após a eleição.

    O presidente também prometeu cheques de US$ 5 mil caso os republicanos mantenham o controle do Congresso. Apesar de os dados mais recentes indicarem uma economia forte — o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu no terceiro trimestre no ritmo mais acelerado em um ano —, a inflação continua preocupando. Um indicador importante de inflação subiu em setembro no maior ritmo em seis meses.

    Segundo estrategistas ouvidos pela Bloomberg News, esse dado pode pesar na decisão dos eleitores. Por que a disputa pelo Senado em Michigan é importante? Michigan é o único estado com uma disputa considerada equilibrada pelo Senado em que a cadeira atualmente pertence a um democrata.

    O estado foi vencido por Trump em 2024. Por isso, uma vitória republicana em Michigan poderia ajudar o partido a manter o controle do Senado mesmo se perder outras disputas. O candidato democrata Abdul El-Sayed derrotou Haley Stevens, apoiada por setores tradicionais do partido, nas eleições primárias — votação em que os partidos escolhem seus candidatos para a eleição geral.

    Em uma mudança surpreendente, Stevens anunciou no domingo que apoiaria o republicano Mike Rogers. A decisão evidencia a divisão entre democratas progressistas e moderados. Trump chamou repetidamente El-Sayed, que seria o primeiro senador muçulmano dos Estados Unidos, de “jihadista” e atacou sua religião.

    Rogers, por sua vez, tentou conquistar eleitores judeus preocupados com as posições de El-Sayed sobre Israel. O democrata tem procurado associar Rogers ao aumento dos preços dos combustíveis e às tarifas de Trump, em uma tentativa de conquistar eleitores brancos da classe trabalhadora e moradores de áreas rurais. A disputa é uma das mais caras da história de Michigan, segundo a AdImpact, empresa que acompanha gastos com publicidade política.

    O ex-presidente Barack Obama, o senador Bernie Sanders e a deputada Alexandria Ocasio-Cortez fizeram campanha por El-Sayed. A média das pesquisas compilada pela RealClearPolitics indica que El-Sayed está cerca de 4 pontos percentuais à frente. Por que a disputa pelo Senado no Maine está acirrada?

    O Maine é o único estado perdido por Trump em 2024 que atualmente tem um senador republicano. A vaga é ocupada por Susan Collins, que está no quinto mandato. A disputa democrata teve uma mudança em julho, quando Graham Platner desistiu da candidatura após acusações de agressão sexual.

    O ex-presidente do Senado estadual Troy Jackson assumiu a candidatura e tenta transformar a eleição em um julgamento sobre a relação de Collins com Trump. A republicana, por sua vez, destaca as ocasiões em que se distanciou da agenda do presidente. Também enfatiza sua capacidade de atrair recursos federais para o estado e sua atuação para reduzir tarifas de Trump.

    Poucos dias antes da eleição, o governo anunciou a ampliação das isenções tarifárias para produtos canadenses. A medida pode beneficiar a economia rural e costeira do Maine. As pesquisas apontam uma disputa apertada.

    Collins, porém, já contrariou previsões anteriormente: em 2020, quando levantamentos indicavam que ela perderia, venceu por 9 pontos percentuais. Por que os democratas acreditam que podem vencer no Texas? O Texas não elege um democrata para o Senado desde 1988.

    Em 2024, Trump venceu o estado por quase 14 pontos percentuais. Apesar da tradição republicana, o candidato do partido ao Senado, Ken Paxton, é considerado vulnerável. Paxton foi indiciado por fraude em valores mobiliários, um crime grave nos Estados Unidos.

    Também sofreu impeachment pela Câmara dos Representantes do Texas, dominada pelos republicanos, sob acusações de suborno e abuso de poder. As acusações de fraude foram posteriormente arquivadas, e Paxton foi absolvido pelo Senado estadual. Desde agosto, ele não lidera a média de pesquisas da RealClearPolitics contra James Talarico, parlamentar estadual democrata que tenta atrair eleitores além da base tradicional do partido.

    O Texas, no entanto, continua sendo um reduto republicano. Organizações conhecidas como super PACs , que podem arrecadar e gastar grandes quantias para apoiar candidatos, investiram muito dinheiro no estado em favor de Paxton. Qual é a controvérsia na disputa pelo Senado no Alasca?

    A eleição no Alasca foi envolvida em uma controvérsia depois que o jornal The New York Times revelou uma operação secreta para convencer uma pessoa com o mesmo nome do senador republicano Dan Sullivan a disputar a eleição. A estratégia poderia confundir eleitores e tirar votos do senador que tenta a reeleição. A democrata Mary Peltola e sua campanha negaram envolvimento.

    O caso provocou investigações estaduais e federais. Trump pediu que Peltola desistisse da disputa e afirmou que ela deveria responder criminalmente. Antes mesmo da reportagem, o governo Trump havia processado autoridades eleitorais do Alasca para tentar impedir que os resultados fossem oficialmente reconhecidos caso o senador republicano perdesse por uma pequena margem.

    Um juiz federal rejeitou o processo no domingo, mas Trump continuou a reclamar da situação nas redes sociais. A disputa pode levar semanas para ser definida por causa do sistema de votação por escolha ranqueada utilizado no Alasca. Nesse modelo, o eleitor pode ordenar os candidatos por preferência.

    Se nenhum candidato alcançar o resultado necessário na primeira contagem, os votos dos candidatos menos votados são redistribuídos conforme as escolhas seguintes dos eleitores. O resultado no estado pode ser decisivo para definir o controle do Senado. Trump aceitará o resultado das eleições?

    Trump se recusou a garantir que aceitará incondicionalmente os resultados das eleições de meio de mandato de 3 de novembro. Questionado por jornalistas em 27 de outubro se aceitaria o resultado caso os republicanos perdessem o controle do Congresso, respondeu: “Aceitarei — se forem eleições honestas”. O presidente também começou a contestar antecipadamente os resultados do Alasca e questionou o tempo necessário para contar os votos.

    As declarações levantaram preocupações sobre a possibilidade de Trump contestar resultados de disputas em que republicanos sejam derrotados. Democratas estão mobilizando advogados antes da eleição para se preparar para possíveis disputas judiciais. O que o Departamento de Justiça fez antes da eleição?

    O Departamento de Justiça dos Estados Unidos iniciou uma ampla ofensiva para obter registros eleitorais estaduais e investigar suspeitas de votação ilegal. O órgão processou cerca de 30 estados e o Distrito de Columbia para ter acesso a listas completas de eleitores, incluindo informações pessoais que normalmente são ocultadas. Integrantes do governo Trump afirmam que os dados são necessários para garantir que os estados

    Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.

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