SJX NEWS

    cnnbrasil.com.br

    CNN Brasil

    SJXNEWS
    Elizabeth Hughes: a jovem que sobreviveu a uma sentença de morte pela fome em uma época que não se usava insulina contra a diabetes
    CNN Brasil·19 de set., 18:13

    Elizabeth Hughes: a jovem que sobreviveu a uma sentença de morte pela fome em uma época que não se usava insulina contra a diabetes

    A diabetes tipo 1 é uma doença que não tem cura, mas o tratamento permite que a pessoa que lida com essa condição viva uma vida quase nos parâmetros normais, graças à insulina. No passado, porém, as opções que eram oferecidas aos pacientes era extremamente limitadas, baseadas principalmente em uma sentença de fome. Antes de 1922, receber um diagnóstico de diabetes tipo 1 era praticamente uma sentença de morte.

    Pacientes viviam dias, semanas ou meses, e garantiam um pouco mais de oportunidades de sobreviverem graças a uma “terapia de fome” — se não comessem, os níveis de açúcar no sangue não subiam. Leia Mais Atriz de "This is Us" revela uso de caneta para emagrecer: "Nada funcionou" Canetas emagrecedoras: 84% reduzem consumo de alimentos industrializados GLP-1 pode ajudar em tratamentos renais, dizem nefrologistas a Kalil Nesta época, ficou conhecido o caso da jovem Elizabeth Hughes , filha do político Charles Evans Hughes, que foi governador do Estado de Nova York, membro da Suprema Corte, Secretário de Estado e candidato do Partido Republicano à presidência dos Estados Unidos nas eleições de 1916. Para sobreviver, a jovem foi colocada em uma dieta de fome por uma semana, podendo comer 500 calorias por dia ou um quarto do que a OMS (Organização Mundial da Saúde) orienta atualmente, depois da normalização dos níveis de glicose .

    As dietas de Hughes era defendida pelo médico Frederick Allen, que fez a jovem chegar a pesar 20 quilos. Segundo artigo assinado pelo sociólogo Allan Mazur, da Universidade Syracuse, nos Estados Unidos, não é possível até hoje dizer se o profissional prolongou a vida de Elizabeth. Para Mazur, esse tratamento chocante era baseado em evidências frágeis e que faziam com que as pessoas morressem, literalmente, de fome.

    Uma esperança surgiu em 1922, depois de dois anos em que Elizabeth vivia no regime. Os cientistas Frederick Banting e Charles Best, da Universidade de Toronto, no Canadá, conseguiram isolar a insulina a partir do pâncreas de animais e criaram as primeiras versões do tratamento para diabetes tipo 1 que é usado até hoje. A mãe de Elizabeth, Antoinette, escreveu para Banting solicitando que a filha fosse incluída nos testes clínicos do tratamento, mas ela não teve o pedido atendido imediatamente, já que a insulina deve ser aplicada diariamente e o estoque que existia no momento não era suficiente.

    Mãe e filha, então, foram para Toronto para encontrar o cientista, que por sua vez ficou surpreso que Elizabeth estivesse viva devido à sua aparência extremamente magra. Logo, a insulina foi aplicada na paciente e uma nova dieta foi estabelecida. Elizabeth documentava o tratamento em tabelas • Thomas Fisher Rare Book Library, University of Toronto Em duas semanas, ela já comia quantidades saudáveis de comida e, depois de algumas semanas, retornou a Nova York.

    Durante o período em que ficou no Canadá, ela escreveu em uma carta para a família: “Pensar que eu terei uma existência normal e saudável está além de minha compreensão”. Ao voltar para os EUA, Hughes chocou Dr. Allen por sua aparência mais saudável.

    “Ele disse repetidamente que nunca tinha visto uma mudança tão grande em alguém”, relatou Elizabeth em seus registros. O historiador Christopher Rutty, professor da Escola de Saúde Pública da Universidade de Toronto, afirmou que “Elizabeth virou uma pesquisadora da própria doença que tinha”. “Elizabeth é uma daquelas pessoas que estava no lugar certo, na hora certa.

    Muito além do fato de ser filha de alguém importante, ela era muito brilhante, inteligente e engajada. Com isso, contribuiu de uma forma significativa para os estudos clínicos e as melhores formas de aplicar a insulina num período em que não existiam informações sobre isso”, avaliou. Elizabeth Hughes faleceu somente em 1981, aos 73 anos, depois de receber mais de 42 mil injeções de insulina.

    Ela foi um dos primeiros casos registrados de pacientes com diabetes tipo 1 a sobreviver graças ao tratamento com insulina. Sua história foi documentada no Thomas Fisher Rare Book Library, da Universidade de Toronto. Veja mitos e verdades sobre diabetes   ]]>

    Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.

    Leia a matéria completa em CNN Brasil