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    Em 2026 teremos carros voadores? Entenda o que falta para eVTOLs decolarem de vez
    Olhar Digital·31 de out., 07:03

    Em 2026 teremos carros voadores? Entenda o que falta para eVTOLs decolarem de vez

    O ano é 2026. E ainda não temos carros voadores . Quer dizer, temos.

    Mas os projetos mais avançados ainda estão em fase de testes. Ainda são protótipos. Atualmente, não se questiona se os eVTOLs vão, de fato, sair do papel.

    ) “Vai acontecer”, disse Fernando Martini Catalano, professor do departamento de Engenharia Aeronáutica e diretor da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC-USP). Catalano explicou ao Olhar Digital o que são carros voadores, como eles funcionam e o que falta para eles, com perdão pelo trocadilho, decolarem (no sentido figurado). A reportagem também conversou sobre o tema com outro docente chamado Fernando.

    Este, de sobrenome Castro Pinto, é professor do Departamento de Engenharia Mecânica da Escola Politécnica da UFRJ. A corrida entre empresas de carros voadores As duas principais empresas do setor são a Joby Aviation e a Eve Air Mobility (“Eve”, para os íntimos). A primeira é dos Estados Unidos.

    A segunda é um braço da empresa brasileira Embraer. O que acontece no momento é uma corrida para ver quem consegue cumprir primeiro exigências de autoridades aeronáuticas como Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e FAA (a Anac dos EUA). A Joby foca em ser a pioneira do mercado americano e do Oriente Médio.

    Já a Eve aposta na simplicidade mecânica do seu design. E na experiência de homologação global que herdou da Embraer. Joby Aviation (EUA) A Joby trabalha no Joby S4, eVTOL com capacidade para um piloto e quatro passageiros.

    Ele usa um sistema de propulsão por tilt-rotor. São seis rotores basculantes que mudam de posição para o pouso e a decolagem vertical; e para o voo horizontal de cruzeiro. Em que pé está o projeto?

    Certificação e testes. A Joby entrou na fase final de certificação de tipo junto à FAA; Aeronaves em conformidade com os padrões da FAA têm passado por voos de teste. São voos de “crédito de certificação”, nos quais pilotos da própria FAA voam no veículo; Recentemente, a empresa começou a fazer demonstrações de voo nos EUA por meio do programa federal eIPP (Programa Piloto de Integração de eVTOLs do governo americano); Além disso, a empresa completou voos autônomos experimentais que cruzaram os EUA.

    Para viabilizar a produção em massa, a Joby firmou aliança com a Toyota. A ideia é aplicar técnicas de montagem automotiva em larga escala em suas linhas. A expectativa é que voos demonstrativos e experimentais com passageiros no eVTOL da Joby comecem entre final de 2026 e começo de 2027 nos EUA.

    Enquanto os testes caminham nos EUA, espera-se que em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, o transporte de passageiros pagantes – isto é, a operação comercial de eVTOLs da empresa americana – comece. Eve Air Mobility, da Embraer (Brasil) O eVTOL da Eve, cujo codinome de engenharia é Eve 100, carrega um piloto e quatro passageiros. Seu diferencial técnico é o design de “ lift + cruise ” – rotores dedicados para empuxo vertical e hélice traseira para voo horizontal.

    Em comparação ao projeto da Joby, é uma abordagem mecânica mais simples, com manutenção mais barata. Assim como ocorre na Joby, este projeto está em fase de certificação e testes. O primeiro protótipo em escala real e funcional passou por testes de voo iniciais.

    E deu tudo certo; Recentemente, o Eve 100 atingiu um marco histórico ao completar seus primeiros voos de transição parcial (acionou a propulsão traseira para voo horizontal pela primeira vez); O veículo é testado nas instalações da Embraer em Gavião Peixoto, no interior do estado de São Paulo; Atualmente, a Eve coleta dados de aerodinâmica, ruído e telemetria para chegar ao design final de engenharia; O próximo passo é a fabricação de uma frota de seis protótipos. Esses serão os veículos usados na campanha de certificação com a Anac, a FAA e a EASA (a Anac da Europa). A produção em massa não começou, mas tem endereço: Taubaté (SP) .

    Projetada pela Embraer, a fábrica tem capacidade para montar até 480 carros voadores por ano. A liderança da Embraer e da Eve projeta a certificação final e o começo do serviço comercial para final de 2027 ou ao longo de 2028. Carros voadores devem avançar bastante em testes entre 2026 e 2027 – Imagem: Olhar Digital via ChatGPT Otimismo com puxada realista: estimativas para o setor de carros voadores O banco Morgan Stanley estima que o mercado global de eVTOLs e Mobilidade Aérea Urbana (UAM) movimente US$ 1 trilhão (R$ 5 trilhões) até 2040.

    Esta é a projeção mais famosa e respeitada pelo mercado financeiro sobre esse setor. O banco soma o transporte de passageiros (táxis aéreos) e fretes/logística de carga. Além disso, leva em consideração a infraestrutura física (vertipontos) e digital necessária para gerenciar o tráfego.

    Mas vale frisar: recentemente, o banco cortou em 75% as estimativas para 2030, agora calculadas em US$ 12 bilhões (R$ 60 bilhões). A justificativa foi que a barreira regulatória para esses veículos voarem com segurança está mais alta do que tinha se antecipado. É este gargalo (técnico e de segurança) que cientistas e engenheiros correm para desatar.

    O que falta para, enfim, termos carros voadores? “O maior desafio tecnológico é semelhante ao desafio tecnológico do carro elétrico, que é o acúmulo de energia. Ou seja, a bateria”, diz Fernando Castro Pinto, professor do Departamento de Engenharia Mecânica da Escola Politécnica da UFRJ.

    Carros voadores são elétricos e usam bastante energia. “Quanto mais energia eu preciso, mais bateria eu vou usar. Quanto mais bateria eu vou usar, mais pesado vai ficar.

    Quanto mais pesado, mais energia será necessária”, explica o professor. ” Fernando Pinto acrescentou que outros obstáculos para carros voadores “pegarem” no Brasil são a habilitação dos condutores e o respeito às normas de tráfego. “A gente vive num país em que, às vezes, você sequer respeita um sinal de trânsito”, pondera o professor da Poli-UFRJ.

    “Agora, você imagina uma colisão ocorrendo a 30 metros de altura. Você vai ter uma consequência muito mais grave, não só para quem colidiu, mas eventualmente para terceiros também, porque isso vai cair no chão em algum lugar”, acrescenta Pinto. Para o professor, a consolidação de frotas de carros voadores vai precisar de um arcabouço legal e um nível de capacitação que vai além de tirar uma carteira de motorista comum.

    Isso porque o tráfego de eVTOLs vai precisar conviver em harmonia com a aviação civil e os helicópteros, com respeito a limites e rotas de aproximação de aeroportos. O motorista não só vai ter que ter a habilidade, digamos, do controle da aeronave, mas também vai ter que entender todas essas restrições que um piloto comercial entende sobre rotas, comunicação, rádio, atenção. Fernando Castro Pinto, professor do Departamento de Engenharia Mecânica da Escola Politécnica da UFRJ, em entrevista ao Olhar Digital .

    A reportagem perguntou para ambos os professores quanto tempo deve demorar para carros voadores “pegarem”. E as estimativas variaram. Catalano estimou que isso deve demorar de sete a dez anos.

    O professor disse que a expectativa do mercado era mais otimista há alguns anos. E ressaltou que a aeronave em si é só uma parte do problema. “Precisa existir um network para isso”, diz o especialista.

    Essa rede envolve vertiportos, logística de troca e recarga de baterias, mitigação de ruído, legislação urbana. “Há uma série de coisas que ainda estão para acontecer”, acrescenta Catalano. Professor diz que pode demorar décadas para carros voadores fazerem parte da nossa rotina – Imagem: Embraer Já o professor da Politécnica-UFRJ estimou que vai demorar décadas para carros voadores virarem um meio de transporte em massa.

    Segundo Pinto, o que é viável atualmente é colocar um eVTOL para rodar, de forma experimental e isolada, de um ponto A a um ponto B. Já a popularização em larga escala deve demorar porque exige resolver gargalos de infraestrutura – por exemplo: a capacidade da rede elétrica das cidades. Além disso, tem as questões da evolução da tecnologia das baterias e a criação do arcabouço legal de trânsito aéreo e habilitação de condutores.

    Todas questões que não se resolvem de um ano para outro. O professor levantou outras questões importantes: “Esse carro voador vai servir para quê? Para eu andar 40 quilômetros?

    400 quilômetros? Quatro mil quilômetros? ” Uma das respostas para esse impasse pode estar no uso emergencial e logístico antes da liberação para o público geral.

    Para Catalano, o transporte médico de urgência, como o deslocamento de órgãos e o resgate de acidentados, e o frete de cargas podem ser a porta de entrada dos eVTOLs nas cidades. Na prática, os carros voadores serviriam como alternativa mais ágil e acessível em comparação a helicópteros. Além do fator tempo, a infraestrutura favoreceria essa transição inicial.

    “Nem todo hospital tem heliponto, que é muito maior do que seria um vertiponto”, explica o professor da EESC-USP. ” Ainda segundo o especialista, o grande desafio é resolver essas questões de forma que usar carro voador seja relativamente barato. Não tem sentido andar de carro voador custar tanto quanto de helicóptero, que é para transporte executivo.

    É para ser como se fosse Uber. Fernando Martini Catalano, docente do departamento de Engenharia Aeronáutica e diretor da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC-USP), em entrevista ao Olhar Digital . “Tem que trazer benefícios para a população.

    Não é só um luxo ir de A para B. Se for, continue usando o helicóptero. Muito melhor, com autonomia muito maior”, diz Catalano.

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