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    Agência Brasil·02 de nov., 11:02

    Em 30 anos população de baleias-jubarte passou de 1,5 mil para 35 mil

    O catamarã Pegasus I deixa o cais no centro da cidade de Caravelas (BA), ao nascer do sol. O destino é o arquipélago dos Abrolhos, um dos principais redutos de biodiversidade marinha do Brasil. A viagem tem duração prevista de cinco horas, mas acaba se alongando para muito mais tempo, porque os passageiros não estão simplesmente navegando, e sim, "baleiando": seguindo o rastro das baleias jubarte, que todos os anos saem da Antártica e viajam até Abrolhos para acasalar e parir.

    Cerca de duas horas após a partida, a comitiva se ajeita nos melhores pontos de observação do catamarã e apruma o olhar. O borrifo é o primeiro sinal da presença de uma baleia, e passa a determinar a direção do barco. Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, não se trata de um jato de água expelido pelo animal, mas da condensação do vapor da sua respiração quente, que se transforma em água ao encontrar o ar frio da superfície.

    Quando um borrifo aparece no horizonte, o primeiro observador alerta o restante do grupo e todos os olhos se voltam para a direção indicada, à espera de um dorso, ou quem sabe de um salto. Caravelas (BA), 19/08/2026 - As baleias jubarte migram anualmente das áreas de alimentação polar para se reproduzirem nos trópicos. Abrolhos é o principal ponto reprodutivo da espécie - Tânia Rêgo/Agência Brasil A embarcação segue no encalço do animal, e as máquinas fotográficas se preparam para o caso de a estrela do momento ser generosa e exibir a parte traseira da cauda, que a identifica.

    Cada jubarte tem um desenho único nesta parte do corpo, que funciona como uma impressão digital. Quem nunca viu uma baleia de perto, aguarda com ansiedade. Mas quem sai para "baleiar" todos os anos, há décadas, também demonstra a mesma expectativa.

    Quando elas finalmente se exibem, com toda sua graça e plenitude, o encantamento é geral. Por trás de uma das câmeras estava o fotógrafo de vida selvagem Enrico Marcovaldi, que registra baleias em Abrolhos há quase 40 anos. Depois de tanto tempo, seria compreensível que ele encarasse a aparição dos animais com naturalidade, ou até alguma apatia.

    ". Esta é uma das expedições científicas do Instituto Baleia Jubarte que monitora a passagem desses animais pelo Brasil, produzindo estimativas de população e pesquisando seus hábitos e comportamentos. Para isso, todos os animais avistados são catalogados, e algumas amostras de pele e gordura são coletadas para biópsia com uma espécie de flecha lançada por uma balestra.

    Como uma jubarte adulta mede mais de 10 metros e pesa cerca de 30 toneladas, a flecha, em proporções humanas, seria como uma lanceta para exame de glicose. Caravelas (BA) - Pesquisadores fazem coleta de amostras para pesquisas biológicas das baleias que, no Brasil, permanecem no inverno e primavera (junho a novembro) - Tânia Rêgo/Agência Brasil História Desde os tempos do Brasil colônia, as jubartes foram caçadas, principalmente para a extração da gordura que, transformada em óleo, era largamente usada como combustível para iluminação. A caça só foi proibida em 1987 e colocou a jubarte na lista de animais em risco de extinção.

    Um ano depois, durante as atividades para a implantação do Parque Marinho de Abrolhos, pesquisadores descobriram uma pequena população sobrevivente no arquipélago. Marcovaldi estava lá e decidiu, em parceria com a bióloga Márcia Engel, criar o Projeto Baleia Jubarte para estudar e proteger a espécie. "Na primeira estimativa populacional nossa, que foi no princípio da década de 90, tinha de 1,5 mil a 2 mil baleias.

    Hoje estamos com mais de 35 mil. O sentimento é de dever cumprido. A população se recuperou de verdade", ele comemora.

    A formalização como instituto veio em 1996, assim como o patrocínio da Petrobras, que até hoje é o principal financiador dos trabalhos. "Isso proporcionou essa abrangência no Brasil inteiro que a gente tem hoje. Onde as baleias estão, nós gostamos de estar junto", acrescenta Marcovaldi.

    No meio desse percurso, em 2014, a espécie saiu da lista de animais ameaçados de extinção. Os registros fotográficos feitos por Marcovaldi e outros pesquisadores do Instituto já permitiram identificar mais de dez mil baleias e, no início, eram a principal ferramenta de contagem populacional. Há alguns anos eles passaram a ser inseridos em uma plataforma colaborativa utilizada por pesquisadores do mundo todo, que utiliza inteligência artificial para identificar se a marca caudal da baleia é mesmo única, ou se pertence a algum indivíduo já identificado anteriormente no Brasil ou em outro local.

    Hoje, a principal estimativa populacional do instituto é feita por sobrevoo do litoral entre São Paulo e Rio Grande do Norte. O recorde de mais de 35 mil baleias foi contado na ultima estimativa de 2022. O cálculo deste ano ainda está sendo feito, mas deve ficar um pouco abaixo.

    Enrico Marcovaldi ressalva que isso não significa uma regressão na conservação da espécie: "As temporadas são cíclicas. Em algumas você vê mais baleias, em outras você vê menos. Tem anos que elas ficam mais no Sul, outros que elas avançam mais pro Nordeste".

    Desafios Caravelas (BA) - Eduardo Camargo é diretor-executivo do Instituto Baleia Jubarte - Tânia Rêgo/Agência Brasil No entanto, as jubartes não estão passando ilesas pelos desafios dos tempos atuais, como a poluição e as mudanças climáticas. De acordo com o diretor-executivo do Instituto, Eduardo Camargo, a principal missão, hoje, é "harmonizar a atividade humana com a conservação das baleias-jubartes e outros cetáceos. "O lixo impacta o oceano inteiro, que está coberto de microplástico.

    A questão climática afeta a disponibilidade de alimento, que rege todo o ciclo de vida dos animais. Nós temos vários trabalhos

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