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    Agência Brasil·23 de out., 20:27

    Em meio a ajuste fiscal, Chile tem queda do PIB e desemprego em alta

    Eleito com a promessa de reduzir o Estado, cortar impostos e reativar a economia, o presidente do Chile, José Antonio Kast, vem enfrentando uma crise econômica em apenas sete meses de mandato, com retração do Produto Interno Bruto (PIB) e desemprego em alta em meio a um ajuste fiscal. ) no desemprego em 12 meses, que chegou a 9,6%. Além disso, houve queda de 0,3% no Produto Interno Bruto (PIB), depois de uma retração de 0,2% no 2º trimestre.

    O desempenho levou Kast a lançar, no final de setembro, um programa de investimentos públicos para tentar reativar a economia. Notícias relacionadas: Chile elege Kast como presidente e dá guinada à direita. Economia da Argentina recua 1,7% em agosto sob risco de recessão.

    Colômbia vive protestos contra o governo de La Espriella. O plano prevê investimentos de 1,3 bilhão de pesos chilenos , com objetivo de criar empregos por meio de obras de infraestrutura, subsídios para criação de novos postos de trabalho e apoio ao financiamento de empresas. Kast tomou posse em março deste ano, prometendo um plano de austeridade com corte de 3% das despesas do Estado e redução de impostos para empresas.

    A fórmula é semelhante à adotada nos Estados Unidos (EUA), por Donald Trump , e na Argentina, por Javier Milei. Diante do choque no preço dos combustíveis nos últimos meses, motivado pelas guerras no Oriente Médio, o governo Kast decidiu não intervir para reduzir o preço, devido ao custo fiscal da medida . Com isso, o valor da gasolina e do diesel vêm crescendo com efeito inflacionário sobre toda economia.

    Nesse cenário, o Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu a previsão de 1,8% de crescimento do PIB chileno em 2026, calculada em julho, para 0,6%, segundo projeção de outubro. Este é o segundo pior resultado da América do Sul, atrás apenas da Bolívia, onde o FMI prevê uma recessão de 3% neste ano. O especialista em Chile e professor de economia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) Fernando Henrique Lemos Rodrigues argumentou à Agência Brasil que o corte nos gastos praticado por Kast prejudica uma economia com dificuldades.

    “Ele está freando a expansão dos gastos. Só isso já dá um impacto brutal sobre a economia chilena, porque ela está diante de uma conjuntura bastante precária no seu principal setor, que é do cobre”, disse. Mineração em queda As dificuldades na exploração de cobre vêm alimentando a crise.

    De janeiro a agosto deste ano, a produção está 8% inferior ao mesmo período de 2025, segundo a Câmara Mineira do Chile. O doutor em teoria econômica Fernando Rodrigues explica que o cobre representa entre 40% e 50% do total das exportações chilenas . “O esgotamento de algumas minas e os problemas de tecnologia para extração do minério, somados a eventos climáticos extremos que impediram o escoamento da produção e a movimentos operários por aumentos salariais, têm criado entraves à economia do cobre”, avalia o professor da UFRRJ.

    Corte de gastos A agenda de austeridade do presidente José Antonio Kast, um admirador da ditadura chilena de Augusto Pinochet (1973-1990), previa uma redução bruta de 3% nos gastos do Estado. Os dois primeiros informes do governo indicaram uma redução de despesas da ordem de 2 trilhões de pesos, algo em torno dos 0,6% do PIB chileno. Um levantamento do jornal chileno The Clinic , que analisou decretos de 17 das 25 pastas do governo, calculou que o corte ultrapassou US$ 1,4 bilhão.

    A maior redução foi na saúde, que teve menos 413 bilhões de pesos chilenos. Os demais ministérios mais afetados foram Habitação (corte de 200 bilhões); Educação (197 bilhões) e Trabalho (141 bilhões). Os cortes no ministério da Previdência somaram 706 milhões.

    Rodrigues destacou que, ao mesmo tempo que deduz despesas em áreas sociais, o governo corta impostos das empresas . Para ele, isso se reflete em perda de receita do Estado, mas sem aumento dos investimentos privados. “O rico faz o que nesse momento de extrema incerteza que é a crise?

    Ele pega esse dinheiro da redução dos impostos e retira do circuito econômico, normalmente direcionando a aplicações financeiras. É isso que ele faz”, explicou. Orçamento 2027 Para o orçamento de 2027, o governo prevê um aumento de 1,5% do PIB nas despesas, crescimento menor que o previsto anteriormente.

    Organizações e movimentos sociais têm denunciado a retirada de recursos de programas sociais . A Fundação Horizonte Cidadão, criada pela ex-presidente Michelle Bachelet, apontou que os cortes no orçamento de 2027 devem prejudicar 48 programas sociais focados na população mais pobre, que somam 325 bilhões de pesos . “Estes resultados contrastam com a promessa de campanha do presidente José Antonio Kast de que reduziria os gastos fiscais sem cortar benefícios sociais”, registrou o Centro de Investigação Jornalística (CIPER) do Chile.

    Cortes anunciados na educação têm mobilizado estudantes no país em marchas que acabam em repressão policial. Nesse cenário, o recém-empossado presidente do Chile registra taxas superiores a 60% de desaprovação após apenas sete meses no poder .

    Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.

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