Em meio a menor demanda por fertilizantes, Mosaic paralisa operações
As paralisações e reduções de produção anunciadas pela Mosaic Fertilizantes desde julho, em meio à escassez global de enxofre e à alta dos custos da matéria-prima , passaram a produzir efeitos sobre a força de trabalho da companhia em diferentes estados brasileiros. Embora a empresa não divulgue o número de funcionários afetados, sindicatos e fontes ligadas às operações relatam desligamentos , programas de layoff e impasses . O enxofre é uma matéria-prima essencial para a produção de fertilizantes fosfatados e teve seu preço pressionado ao longo de 2026 por restrições na oferta global, interrupções em rotas marítimas e tensões geopolíticas no Oriente Médio.
Em resposta, a Mosaic anunciou a paralisação, hibernação ou redução de atividades em fábricas e minas no Brasil, afirmando que as medidas são temporárias e não alteram sua estratégia de longo prazo para o país. Um funcionário da companhia, ouvido pela reportagem sob condição de anonimato, resumiu o clima entre empregados da empresa ao dizer que, neste ano, “o desafio era se manter na folha… de pagamento”, em referência à folha das plantas e à folha salarial da empresa. Leia Mais Mercado de fertilizantes atrasa ritmo, e demanda final ainda é incerta Mosaic fecha 2º trimestre com prejuízo de US$ 273 milhões Mosaic inicia oferta de recompra de dívida de até US$ 1,4 bilhão Leia Mais Mosaic fecha 2º trimestre com prejuízo de US$ 273 milhões Mosaic inicia oferta de recompra de dívida de até US$ 1,4 bilhão Escassez de mão de obra é principal desafio para produtores, aponta estudo Segundo fontes com conhecimento das operações, os impactos sobre pessoal se espalham por diferentes regiões.
200 trabalhadores. Em Goiás, a unidade de Catalão teria demitido cerca de 650 funcionários após interromper temporariamente parte da produção por falta de matéria-prima . Na Bahia, a hibernação da fábrica de Candeias resultou, segundo essas fontes, na demissão de aproximadamente 500 trabalhadores ligados à cadeia regional de mistura e produção de fertilizantes .
A empresa também prorrogou paralisações e reduziu a produção em outras unidades, como Uberaba (MG), Tapira (MG), Palmeirante (TO) e Sorriso (MT). Procurada, a Mosaic afirmou que não abre números sobre o impacto das medidas na força de trabalho e não confirmou as estimativas informadas por fontes e sindicatos. Layoff e acordos com sindicatos Em nota enviada à CNN, a Mosaic informou que negociou alternativas com entidades sindicais para reduzir os efeitos da paralisação temporária das operações de fosfato.
Segundo a empresa, foi aprovada pelos sindicatos uma proposta de Bolsa de Qualificação Profissional, conhecida como layoff, que prevê a suspensão temporária dos contratos de trabalho por um período de dois a cinco meses. Durante esse intervalo, os trabalhadores recebem a Bolsa Qualificação Profissional, custeada pelo FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador), além de uma ajuda compensatória mensal paga pela empresa. A companhia afirmou ainda que mantém benefícios como vale-alimentação, assistência médica, assistência odontológica e demais benefícios aplicáveis durante o período do layoff.
“A companhia reforça que o layoff não é um programa de desligamento voluntário, e sim uma alternativa temporária para preservar postos de trabalho diante do atual contexto”, disse a Mosaic. Na nota, a empresa afirma que “as medidas adotadas são uma resposta temporária às condições extraordinárias de mercado e não representam mudança na estratégia de longo prazo da companhia”. Nas unidades de Araxá e Patrocínio, onde a empresa anunciou a paralisação das operações e a intenção de vender ativos em Araxá, também houve negociações específicas para os trabalhadores desligados.
O acordo firmado na ocasião previa uma indenização equivalente a três salários-base, paga juntamente com as verbas rescisórias legais, manutenção do plano de saúde por até seis meses após o desligamento e um programa de suporte para recolocação profissional, segundo sindicato local. O Sindicato Metabase de Minas Gerais afirma que a Mosaic se recusa a negociar o PPR (Programa de Participação nos Resultados) para funcionários das unidades de Araxá e Patrocínio. Segundo a entidade, a empresa argumenta que as plantas estão paralisadas e, por isso, não haveria pagamento do benefício.
Cenário geopolítico e estratégia Na nota enviada à CNN, a Mosaic afirmou que implementou, em 8 de julho, medidas temporárias de redução de produção em parte de suas operações de fosfato no Brasil em resposta às restrições globais no fornecimento de enxofre. Segundo a empresa, a decisão foi motivada por um cenário de instabilidade geopolítica , restrições em rotas marítimas internacionais e forte pressão sobre os custos do insumo. A companhia afirmou que revisou seu plano operacional para o segundo semestre de 2026 diante da redução da oferta global e da alta dos preços do enxofre e que pretende retomar a plena capacidade operacional à medida que o fornecimento seja normalizado.
“A duração das restrições ainda é incerta e dependerá de fatores externos, como a estabilização dos preços do enxofre, a normalização das cadeias globais de suprimentos, a reabertura de rotas marítimas internacionais e a evolução do cenário geopolítico”, afirmou a empresa. A Mosaic acrescentou que “reafirma seu compromisso com a produção de fosfato e espera retomar a plena capacidade operacional à medida que o fornecimento global de enxofre seja normalizado”. Mosaic paralisa operação em MG com alta do enxofre | CNN AGRO MONEY ]]>
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