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    Forbes Brasil·24 de out., 08:00

    Embrapa Recebe Recursos da FAO para Preservar Sementes de 400 Famílias no Brasil

    Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo. Em dez estados brasileiros, agricultores familiares, comunidades indígenas e guardiões de sementes participam de uma rede de conservação de variedades agrícolas que envolve desde o cultivo de arroz, milho e feijão até a preservação de espécies nativas. O trabalho, coordenado pela Embrapa, integra o projeto ConservaIn, que conta com financiamento de cerca de US$ 200 mil (R$ 1 milhão, segundo a estatal) do Fundo de Repartição de Benefícios da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

    A iniciativa, apresentada em outubro no portal internacional da entidade, prevê atendimento direto a pelo menos 400 famílias e 20 comunidades, reunindo agricultores e pesquisadores em torno da conservação de recursos genéticos utilizados na produção de alimentos. “De um lado está a conservação in situ (feita diretamente nas propriedades rurais, roças e florestas por agricultores locais), e do outro a conservação ex situ (realizada fora do ambiente natural, por meio do armazenamento refrigerado em bancos de germoplasma mantidos por instituições públicas)”, afirma Marília Burle, pesquisadora da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e coordenadora do ConservaIn, em declaração divulgada pela estatal. A integração entre essas duas formas de preservação permite que variedades cultivadas por comunidades rurais sejam armazenadas em coleções públicas e que materiais conservados nos laboratórios possam retornar às áreas de produção.

    O ConservaIn reúne uma rede de pesquisa e conservação criada há seis anos pela Embrapa, cuja atuação abrange Rio Grande do Sul, Bahia, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Amapá, Roraima, Tocantins, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. São cinco biomas contemplados, Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Pampa, com atividades conduzidas por sete unidades descentralizadas da estatal. O projeto envolve 35 pesquisadores, além de curadores de bancos de germoplasma, técnicos, associações, organizações não governamentais e comunidades responsáveis pela manutenção de variedades vegetais.

    Os recursos internacionais serão utilizados para ampliar as atividades de uma estrutura de conservação que já operava com orçamentos institucionais. Além dos cerca de US$ 200 mil aprovados pelo Fundo de Repartição de Benefícios, a Embrapa informa um cofinanciamento estimado em US$ 688 mil, formado principalmente pela dedicação dos pesquisadores e por recursos das instituições participantes. O projeto está registrado na FAO sob o código PR-154-S, com o nome de Rede de Apoio à Conservação Local de Recursos Genéticos Vegetais no Brasil e Integração com os Bancos de Germoplasma da Embrapa.

    O financiamento faz parte do Tratado Internacional sobre Recursos Fitogenéticos para Alimentação e Agricultura, instrumento voltado à conservação e ao uso sustentável da diversidade genética vegetal. A página da FAO registra o projeto brasileiro como ativo, com início em 25 de junho de 2023. Sua inclusão no portal internacional, divulgada pela Embrapa em 21 de outubro de 2026, dá visibilidade às atividades realizadas no país, mas não representa o início de uma nova operação de pesquisa.

    Sementes tradicionais voltam às comunidades rurais Entre as espécies contempladas estão culturas que compõem a alimentação e a renda de famílias rurais, como arroz, milho, feijão-comum, fava, feijão-caupi, mandioca, batata, batata-doce e inhame. Essas plantas integram as prioridades do tratado internacional, mas o trabalho desenvolvido com os agricultores alcança outras espécies mantidas nas propriedades, entre elas abóboras, pimentas, amendoim, açaí e frutas nativas. A conservação realizada diretamente pelos agricultores mantém as plantas em cultivo e permite que suas características continuem a responder às condições ambientais de cada região.

    As variedades passam por ciclos de plantio, colheita e seleção feitos pelas famílias, em ambientes sujeitos a mudanças de temperatura, períodos de estiagem e ocorrência de pragas. Nos bancos de germoplasma, por sua vez, parte desse material é armazenada sob condições controladas, formando uma reserva para situações em que as sementes deixem de estar disponíveis nas comunidades. Uma das atividades previstas é a duplicação de segurança das sementes crioulas, variedades tradicionais preservadas ao longo de gerações de agricultores.

    Nesse processo, exemplares mantidos nas propriedades são incorporados às coleções da Embrapa, preservando-se os direitos dos agricultores sobre os materiais. O caminho inverso também faz parte do programa: sementes de variedades que desapareceram das áreas de cultivo, mas permaneceram armazenadas nos bancos públicos, podem ser reintroduzidas nas comunidades de origem. A escolha dos materiais não fica restrita aos pesquisadores.

    Ensaios participativos permitem que agricultores e guardiãs de sementes avaliem variedades de arroz, milho, feijão e mandioca, considerando o desempenho nas condições locais de cultivo e as necessidades alimentares das famílias. O processo reúne o conhecimento acumulado pelas comunidades e os procedimentos técnicos de avaliação e conservação utilizados pela pesquisa agropecuária. No Pampa, no extremo sul do Brasil, o trabalho inclui o mapeamento de parentes silvestres de espécies cultivadas, como batata-doce silvestre, ervilhaca, berinjela nativa e cevada.

    A identificação e a conservação desses materiais integram as atividades realizadas com as populações locais, ampliando o conjunto de recursos genéticos contemplados pelo projeto para além das variedades agrícolas mantidas nas lavouras. Pesquisa amplia capacitação e registro de bancos comunitários A execução do ConservaIn começou a incorporar novas atividades comunitárias em 2026. Segundo a Embrapa, uma visita de campo foi realizada em junho e outras duas ações ocorreram em setembro.

    Até dezembro, a programação prevê cerca de dez novas iniciativas com agricultores e comunidades tradicionais, dentro de um planejamento que contempla pelo menos 400 famílias, 20 comunidades e dezenas de organizações sociais. Parte do trabalho envolve a capacitação de agricultores para multiplicação, armazenamento e avaliação da qualidade das sementes. O programa prevê a distribuição de kits simplificados para testes de germinação em bancos comunitários, além de orientações técnicas sobre conservação e controle de contaminação por materiais transgênicos .

    As atividades procuram atender às condições de armazenamento encontradas nas comunidades, onde a disponibilidade de equipamentos e instalações varia conforme a região. Outra frente envolve a organização de informações sobre os responsáveis pela conservação de sementes no país. A Embrapa planeja modernizar e disponibilizar um portal público para reunir registros de bancos comunitários, iniciativas locais e guardiões de variedades agrícolas.

    O sistema deverá conectar informações nacionais a plataformas internacionais, permitindo identificar experiências de conservação e instituições que trabalham com recursos genéticos vegetais. As atividades incluem ainda a elaboração de diagnósticos e recomendações técnicas que poderão contribuir para programas governamentais relacionados à agricultura e à conservação ambiental. Entre as políticas consideradas estão a Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica e a Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental em Terras Indígenas, além de iniciativas de segurança alimentar.

    A participação das mulheres rurais também integra o planejamento do projeto, com atividades de capacitação em seleção de sementes, conservação de variedades e empreendedorismo. A Embrapa prevê ainda o envolvimento de estudantes do ensino médio de escolas rurais, professores e extensionistas, ampliando a participação de diferentes gerações nas ações comunitárias de preservação agrícola. Com a inclusão no Fundo de Repartição de Benefícios da FAO, o ConservaIn passa a contar com recursos internacionais para ampliar atividades desenvolvidas pela rede brasileira.

    A programação até o encerramento de 2026 inclui novas visitas às comunidades, avaliações de variedades no campo e procedimentos de conservação nos bancos de germoplasma, com a participação dos agricultores na seleção dos materiais que serão mantidos nas propriedades e nas coleções públicas. ( Com Embrapa) O post Embrapa Recebe Recursos da FAO para Preservar Sementes de 400 Famílias no Brasil apareceu primeiro em Forbes Brasil . ]]>

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