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    Empresa dos EUA que comprou Serra Verde de olho em terras raras ainda precisa provar que consegue produzir
    InvestNews·23 de set., 17:14

    Empresa dos EUA que comprou Serra Verde de olho em terras raras ainda precisa provar que consegue produzir

    No fim de janeiro, na semana anterior àquela em que o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, anunciou um compromisso de US$ 1,6 bilhão do governo para financiar uma fabricante americana de ímãs, banqueiros de sua ex-empresa de serviços financeiros, hoje comandada por seus filhos, trabalhavam para obter comissões com a captação de mais US$ 1,5 bilhão para a companhia junto a investidores privados. As operações paralelas foram questionadas por parlamentares democratas, que alegaram possíveis conflitos de interesse envolvendo Lutnick e seus filhos. Mas um conjunto mais básico de perguntas tem acompanhado o projeto: a USA Rare Earth, empresa que está recebendo esses recursos públicos e privados e que comprou a brasileira Serra Verde , é capaz de produzir os minerais críticos e os ímãs de que o governo dos EUA precisa para romper o domínio da China sobre o fornecimento global?

    Quando abriu seu capital, em março de 2025, a empresa tinha valor de mercado de apenas US$ 464 milhões, equiparando-se a qualquer pequena companhia de mineração em estágio inicial de desenvolvimento – que normalmente não são candidatas prioritárias a injeções de dinheiro de bilhões de dólares. Leia também Negócios Serra Verde: como o apoio bilionário dos EUA viabiliza a única mina comercial de terras raras no Brasil Negócios Com olho na disputa EUA-China, Brasil reforça controle sobre terras raras Sua mina de terras raras em Round Top Mountain, cerca de 137 quilômetros a sudeste de El Paso, no Texas, ainda não havia produzido nada. Investidores, geólogos e autoridades do Pentágono examinavam o minério do local desde a década de 1970, com resultados pouco promissores.

    ‘Basicamente muita terra’ “É ridiculamente ruim”, disse Jon Hykawy, presidente da Stormcrow Capital, que pesquisa e investe em empresas de minerais críticos há quase duas décadas, mas não tem participação na USA Rare Earth. “Round Top é basicamente muita terra. ” A fábrica da empresa para produzir ímãs permanentes usados em sistemas de orientação de mísseis, automóveis e data centers continua em construção.

    Embora a unidade em Stillwater, no estado do Oklahoma, tenha iniciado a produção em março, a USA Rare Earth afirmou que não conseguirá atingir escala comercial até o quarto trimestre deste ano. Em junho, a empresa anunciou que planejava construir uma segunda unidade, na Carolina do Sul, mas a produção no local só começará em 2028. “Precisamos resolver a questão dos nossos minerais críticos”, disse Lutnick a 200 pessoas em uma conferência em Washington, em fevereiro, poucos dias depois do anúncio do acordo com a USA Rare Earth.

    “Precisamos fazer isso por conta própria. Precisamos minerar. Precisamos processar.

    ” O acordo, condicionado ao cumprimento de metas técnicas e financeiras pela USA Rare Earth, dá ao Departamento de Comércio uma participação de 10% na empresa em troca de um investimento de US$ 277 milhões e de um empréstimo de US$ 1,3 bilhão. Nenhuma das metas havia sido alcançada até o fim de junho, segundo documentos públicos, e nenhum recurso do empréstimo havia sido liberado. Um porta-voz da empresa, porém, confirmou que o governo recebeu as ações e os warrants (direitos de compra de ações) previstos no acordo.

    Ele disse que a Round Top deve iniciar a produção comercial em 2028 e que seus elementos pesados de terras raras recuperáveis – usados na fabricação dos ímãs permanentes da companhia – são facilmente processados. “A Round Top foi validada pela diligência do governo dos EUA, pelos investidores privados que nos apoiaram com financiamento e pelos parceiros do setor que decidiram se juntar a nós”, afirmou o porta-voz. O investimento na USA Rare Earth é um dos vários que o governo do presidente Donald Trump apresentou como parte de uma nova política para livrar os EUA da dependência da China, que anunciou controles de exportação no ano passado.

    Esses controles, suspensos até novembro, se tornaram uma questão central nas negociações comerciais entre EUA e China, e espera-se que uma extensão esteja na pauta da reunião de Trump com o presidente chinês Xi Jinping, em Washington, nesta semana. Medidas sem precedentes Enquanto isso, o governo Trump tomou medidas sem precedentes para lidar com uma série de questões de segurança nacional. O governo adquiriu participações acionárias nas produtoras de minerais críticos MP Materials e Trilogy Metals; firmou acordos para compartilhar receita com empresas privadas, incluindo Nvidia e Advanced Micro Devices, relacionados à venda de chips para a China; e usou ações especiais, as chamadas golden shares , para bloquear ações de empresas sediadas nos EUA e controladas por companhias estrangeiras consideradas uma ameaça à segurança nacional.

    Tudo isso faz parte de uma ampla estratégia de atuação econômica e corporativa do Estado americano, ainda não testada nos mercados americanos fora de momentos de crise nacional. No melhor cenário, a estratégia fortalecerá a segurança dos EUA e neutralizará a principal arma econômica da China. No pior, poderá deixar os contribuintes responsáveis por bilhões de dólares em investimentos que nunca darão resultado.

    Entrevistas com mais de duas dezenas de investidores, geólogos, acadêmicos, analistas, autoridades do governo e lobistas revelaram preocupações de que acordos mal planejados possam produzir para Trump seu “momento Solyndra” – em referência ao empréstimo de US$ 500 milhões concedido pelo governo Obama a uma fabricante de painéis solares que faliu em menos de dois anos. Barbara Humpton, que se tornou presidente-executiva da USA Rare Earth em outubro do ano passado, reconheceu em entrevista à Bloomberg que a reputação da empresa em Washington não era muito positiva quando assumiu o cargo. “Uma das coisas que ouvimos por meio da nossa rede foi: ‘Já conversamos com eles e não há nada ali’”, disse Humpton, referindo-se aos órgãos do governo envolvidos na política de minerais críticos.

    Ex-executiva da Siemens, ela afirmou que a antiga liderança da empresa havia se apresentado como uma solução para as terras raras, mas que a reação recebida não foi entusiasmada. “As pessoas foram examinar mais de perto e disseram: ‘Vocês têm uma linha de ímãs que ainda não colocaram em operação’”, afirmou Humpton. ’” A Round Top Mountain, no extremo oeste do Texas, não muito distante da fronteira com o México, é considerada o maior depósito de minerais de terras raras dos EUA.

    Apesar do nome, terras raras como neodímio, disprósio e térbio, usadas na produção de ímãs, são abundantes em todo o mundo. O problema é que elas são difíceis de encontrar em grandes concentrações que possam ser processadas de maneira economicamente viável. Riscos em terras raras O Center for Strategic & International Studies (CSIS), organização de pesquisa sem fins lucrativos que assessorou o governo Trump, empresas de mineração e investidores, afirmou em uma nota de fevereiro de 2026 que a USA Rare Earth precisaria minerar entre 100 e 150 vezes mais rocha para obter a mesma quantidade de minério que um projeto no oeste da Austrália, que possui um dos depósitos de terras raras de maior teor do mundo.

    O CSIS classificou o “teor excepcionalmente baixo do minério” da Round Top como o risco econômico mais significativo do projeto. O Pentágono conhecia o depósito havia décadas, mas concluiu, na década de 1990, que ele não continha teores de terras raras economicamente recuperáveis, segundo dois ex-funcionários familiarizados com os esforços da agência relacionados a compras e que pediram anonimato porque não estavam autorizados a falar sobre as conclusões. O Departamento de Defesa voltou a analisar o depósito mais recentemente, à medida que cresciam as preocupações sobre o controle cada vez maior da China sobre o setor, mas chegou à mesma conclusão, disseram as fontes.

    O Pentágono não respondeu aos pedidos de comentário. A Texas Rare Earth Resources mudou seu nome para Texas Mineral Resources e formou uma joint venture em 2019 com a USA Rare Earth, uma nova empresa registrada na Austrália e cofundada por Pini Althaus e Mordechai Gutnick. Gutnick é filho do empresário australiano do setor de mineração Joseph “Diamond Joe” Gutnick.

    Rabino ortodoxo que já foi dono de um time de futebol australiano, o Gutnick pai promoveu minas de ouro e diamantes na Austrália e chegou a afirmar que havia previsto a descoberta de um depósito avaliado em “bilhões de dólares”. Em 2024, reguladores australianos concluíram que ele havia feito promessas questionáveis sobre seus empreendimentos de mineração e o proibiram de administrar empresas por quatro anos. “A abundância de terras raras pesadas, lítio e subprodutos estratégicos como o gálio fazia da Round Top uma oportunidade única”, disse Althaus, que trabalhou em projetos de mineração na Argentina, na Austrália e no Canadá.

    “Muitas pessoas analisaram a Round Top e não entenderam o projeto. ” Em 2019, ano em que a joint venture foi formada, as empresas divulgaram uma avaliação econômica preliminar da Round Top. Elas disseram ter apresentado ao Pentágono uma proposta para construir uma planta-piloto.

    Não receberam um subsídio. Althaus afirmou que outras empresas, com melhor trânsito em Washington, foram mais bem-sucedidas. Douglas Silver, geólogo e ex-executivo do setor de mineração que analisou avaliações sobre o depósito, tem uma visão diferente.

    “Todo projeto tem algum problema”, disse. “Normalmente, isso pode ser resolvido colocando mais dinheiro. Quando você encontra uma falha fatal, precisa decidir se ela inviabiliza o investimento.

    ” Novo foco em fabricação de imãs Em abril de 2020, com o projeto da Round Top paralisado, Althaus, então CEO da USA Rare Earth, mudou o foco para a fabricação de ímãs. Ele comprou equipamentos da japonesa Hitachi e conseguiu que autoridades de Stillwater oferecessem um subsídio de US$ 7 milhões e incentivos fiscais para uma fábrica. Mas a empresa teve dificuldades para fazer os equipamentos funcionarem.

    Althaus disse que, depois de anos parados, os fornos e outras peças precisavam ser substituídos. Ele deixou a empresa em 2023. Mordechai Gutnick deixou o conselho da USA Rare Earth em junho.

    Uma empresa da qual ele é investidor ainda detém uma participação de 7%, avaliada em mais de US$ 350 milhões, segundo um documento apresentado ao governo. Troca de CEOs na USA Rare Earth A USA Rare Earth passou por três CEOs antes de contratar Humpton no ano passado. Ela rapidamente entrou em ação e estabeleceu conexões nos setores público e privado.

    Humpton disse que um colega que havia ajudado a criar o Energy Dominance Council da Casa Branca fez as apresentações. , que vinha assessorando a empresa, foi convidado a representá-la junto ao Departamento de Comércio. Em uma audiência orçamentária em abril, Lutnick disse a senadores que Moelis o havia apresentado aos executivos da USA Rare Earth.

    Moelis não quis comentar. Humpton disse que a empresa preparou um fluxograma com detalhes sobre a Round Top e o apresentou no outono passado ao programa US Investment Accelerator, do Departamento de Comércio, na época em que promovia o projeto. Em janeiro, a USA Rare Earth havia obtido a carta de intenções para receber US$ 1,6 bilhão em financiamento do governo.

    Antes do anúncio do acordo, em janeiro, banqueiros da Cantor Fitzgerald, em que Lutnick havia sido CEO, procuraram investidores em Wall Street para captar recursos para a USA Rare Earth. Outro lado da Cantor e do governo Um porta-voz da Cantor disse que a empresa mantém uma relação de longa data com a USA Rare Earth, anterior à nomeação de Lutnick, e que ajudou na abertura de capital da companhia no início de 2025. Kristen Eichamer, porta-voz do Departamento de Comércio, disse que nem Lutn

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