Entre Lula e Flávio, Brasil dá as “costas para o futuro”, diz Economist
A revista britânica The Economist classificou como “sombria” a disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) pela Presidência da República nas eleições de 4 de outubro. Em editorial publicado nesta sexta-feira (25), a revista afirma que o “futuro brilhante do Brasil ficará em suspenso por pelo menos mais quatro anos” diante da liderança dos dois candidatos nas pesquisas para o cargo mais alto do Executivo. ” Leia Mais Agendas econômicas de Lula e Flávio não são tão binárias, diz Zeina Latif Análise: Rejeição a STF e Congresso desafia o próximo governo Atlas: 46,6% têm medo de Flávio presidente; 44,6% temem reeleição de Lula “ Nenhum dos dois é considerado confiável para lidar com os dois maiores problemas do Brasil: a corrupção enraizada e a expansão desenfreada dos gastos públicos” , afirma o editorial.
A revista diz que o Brasil foi “abençoado” com extensas reservas de petróleo, a Floresta Amazônica, capacidade de geração de energia hidrelétrica e terras agrícolas produtivas, além do potencial das terras raras. “Quando a capital, Brasília, foi construída na década de 1950, suas ruas foram traçadas no formato de um avião, simbolizando um país pronto para decolar”, diz o texto. ” A revista defende que o próximo presidente deve controlar a dívida pública e a inflação, permitindo uma redução da taxa básica de juros.
Presidente Lula (PT) em pronunciamento em rede nacional de rádio e TV; Flávio Bolsonaro (PL) em comício na Avenida Paulista, em São Paulo • Reprodução; CNN Na bandeira econômica, a The Economist critica o que considera uma falha de Lula em “promover reformas econômicas” . Também questiona a idade do presidente, de 81 anos, e faz uma comparação a Joe Biden, ex-presidente americano que desistiu de disputar a reeleição em 2024 após mau desempenho em um debate contra Donald Trump. Flávio, por sua vez, é retratado como um político que nega as mudanças climáticas e a integridade das urnas e que “insinua que não acatará o resultado se Lula vencer” , além de ser associado pela revista a “criminosos violentos”.
O editorial também cita o escândalo do Banco Master e as relações de Daniel Vorcaro com diferentes ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), além dos possíveis efeitos do caso sobre as eleições. “As investigações policiais já demonstraram que cinco dos 11 ministros do tribunal tinham ligações com Daniel Vorcaro, o playboy mentor do esquema. ” A The Economist defende a candidatura de Renan Santos (Missão), a quem chama de “libertário combativo”.
Candidato à Presidência da República Renan Santos (Missão) • Reprodução/CNN Brasil “Ele quer implementar reformas estruturais profundas e cortes de gastos para transformar o Brasil em uma grande potência. Mas nem ele, nem nenhum outro candidato de fora do sistema, conseguiu avançar contra as máquinas políticas”, diz o editorial. Apesar das críticas, a revista afirma que o futuro do Brasil “não está totalmente morto”.
Segundo o texto, “apesar da corrupção e do pensamento fechado de políticos corruptos, muitas das instituições vitais do país ainda funcionam”, entre elas a Polícia Federal, a imprensa e o corpo diplomático brasileiro. Eleições 2026: veja as principais datas do ano eleitoral ]]>
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