SJX NEWS

    investnews.com.br

    InvestNews

    SJXNEWS
    InvestNews·05 de nov., 17:55

    Escândalo de fintech paraguaia derruba presidente do país e aliado de Trump na região

    O presidente do Paraguai , Santiago Peña, renunciou nesta quinta-feira (5) após o colapso de um grande banco comercial ligado ao seu governo, que mergulhou o país em uma crise financeira e social. As autoridades reguladoras assumiram o controle do Ueno Bank na manhã de terça-feira (3), congelando as economias de milhões de paraguaios, incluindo aposentados, e provocando protestos generalizados em um país onde aproximadamente uma em cada três pessoas tinha depósitos na instituição. Peña, aliado na região do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teve que enfrentar um processo de impeachment aprovado por unanimidade pela Câmara dos Deputados.

    O processo seguiu para o Senado. “Faço isso pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na preservação da nossa democracia”, disse Peña em um vídeo no qual anunciou sua renúncia. O Congresso do Paraguai ainda precisa aceitar formalmente a renúncia, embora possa decidir prosseguir com o afastamento compulsório do presidente, o que poderia retirar sua imunidade, dependendo da interpretação da Constituição.

    Leia também Negócios Quem é o Grupo Vázquez, conglomerado por trás do Ueno Bank, que entrou em crise no Paraguai Negócios Crise no Paraguai: clientes do Ueno ficam sem acesso a contas após intervenção Caso Peña deixe o cargo, o vice-presidente Pedro Alliana deverá assumir, após os parlamentares rejeitarem nesta quinta-feira à tarde uma votação de impeachment contra ele. A crise crescente pressiona os ativos paraguaios. Os títulos soberanos caíram em diferentes vencimentos, registrando alguns dos piores desempenhos entre os mercados emergentes.

    Os papéis com vencimento em 2055 recuaram cerca de 1,8 centavo, atingindo a mínima da sessão. 525 por dólar. A queda de Peña foi rápida depois que seus aliados o abandonaram, embora as circunstâncias que levaram à sua derrocada tenham sido construídas ao longo de anos.

    O presidente tinha participação na controladora do Ueno — o Grupo Vazquez, controlado pelo homem mais rico do Paraguai, Miguel Vazquez — antes de vender sua fatia no ano passado. Os depósitos do governo no Ueno Bank saltaram de zero, quando Peña assumiu o cargo em 2023, para mais de US$ 800 milhões no início deste ano, enquanto críticos apontavam um conflito de interesses. O chefe de Estado também escolheu pessoalmente um ex-executivo do Ueno para comandar o banco central do país, provocando questionamentos públicos sobre relações próximas e fiscalização frouxa, enquanto o crescimento acelerado da instituição ocorria sem controle.

    O presidente do banco central, Carlos Carvallo, renunciou nesta semana, e Vazquez está agora preso. Nos últimos dias, veículos de comunicação locais informaram que autoridades reguladoras confirmaram que o Ueno concedeu empréstimos a empresas ligadas ao Grupo Vazquez – todas sob o mesmo proprietário – em valores muito superiores aos limites legais e ao próprio valor do banco. Os empréstimos também não teriam sido classificados adequadamente.

    A turbulência representa uma mudança radical para o país sul-americano, que durante anos apresentou sua estabilidade a líderes mundiais e investidores estrangeiros. Peña chegou ao poder em 2023, mas facções rivais dentro de seu Partido Colorado, que domina a política do país há várias décadas, se voltaram contra ele nesta quinta-feira, em uma rápida manobra política. Os parlamentares iniciaram o processo de impeachment na manhã de quinta-feira, quando Horacio Cartes — poderoso ex-presidente e líder do Partido Colorado — declarou publicamente apoio à saída de Peña.

    O governo Trump estabeleceu relações estreitas com o governo de Peña, favorável aos negócios. No mês passado, o vice-secretário de Estado Christopher Landau se reuniu com Peña em Assunção e afirmou que o Paraguai “desempenha um papel muito importante na região” para a diplomacia dos Estados Unidos, enquanto Trump busca aproximar a América Latina de Washington. Após a visita, Peña viajou a Washington e se reuniu com o secretário do Tesouro, Scott Bessent, para discutir minerais críticos e cooperação econômica.

    O secretário de Estado Marco Rubio, que também se reuniu com Peña, havia apresentado o Paraguai como um modelo para os aliados dos Estados Unidos. O país sul-americano é o único da região a reconhecer formalmente Taiwan, uma posição diplomática de longa data que levou a relações tensas com Pequim, enquanto os líderes paraguaios buscavam se alinhar aos Estados Unidos. O Departamento de Estado não respondeu a um pedido de comentário.

    ]]>

    Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.

    Leia a matéria completa em InvestNews →